Coordenador diz que Instituto Delta Proto vai fechar; delegado dono da unidade está preso desde agosto de 2025

“Eu cansei, estou cansado, tanto psicologicamente quanto emocionalmente”, disse um coordenador

Coordenador diz que Instituto Delta Proto vai fechar; delegado e proprietário está preso desde agosto de 2025

Coordenador diz que Instituto Delta Proto vai fechar; delegado e proprietário está preso desde agosto de 2025 (Foto: Reprodução)

Com Inglid Martins

Após o Mais Goiás divulgar, nesta terça-feira (10), que professores do Instituto Delta Proto, em Rio Verde, estão sem salários e os alunos sem diploma, o portal teve acesso a um áudio em que um coordenador afirma que a empresa vai fechar. “Vai fechar, devido a tudo que está acontecendo. Como todos vocês sabem, desde o dia 21 de agosto, quando o doutor Dannilo foi preso, eu venho segurando a barra, mantendo o Instituto aberto, fazendo tudo acontecer, tanto as aulas quanto os professores, literalmente tudo.”

A pessoa ainda afirma que está sem receber salário desde o ano passado e que não tem mais como manter o funcionamento, pois não há professores. “Eu cansei, estou cansado, tanto psicologicamente quanto emocionalmente.” Este coordenador afirma, ainda, que recebeu a informação da prefeitura de que não poderá, inclusive, realizar estágios obrigatórios, fundamentais para a conclusão dos cursos.

Na segunda-feira (9), o instituto já havia comunicado o cancelamento de turmas devido à crise gerada pela prisão de seus proprietários, o delegado Dannilo Proto e sua esposa Karen Proto. O casal é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, por um esquema de desvio de recursos públicos, fraude em concursos e contratos educacionais, além de coação.

Ao Mais Goiás, ex-funcionários e alunos que preferem não se identificar relataram o caos instaurado com o encerramento das atividades. O fechamento das turmas atingiu diretamente estudantes de cursos técnicos e profissionalizantes, como Radiologia, Necropsia e Estética, que foram informados por mensagens da coordenação pedagógica de que as aulas seriam suspensas por “baixa quantidade de alunos”. Para muitos, a notícia veio após meses de investimento financeiro, abandono de empregos e reorganização da vida pessoal para tentar concluir a formação.

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Colapso

Além do cancelamento das aulas, os alunos relatam um cenário de total desorganização administrativa. Parte das turmas recebeu apenas declarações de transferência e históricos escolares feitos manualmente, enquanto outras ficaram sem documentação mínima. Segundo estudantes, o próprio coordenador afirmou não ter acesso ao sistema financeiro para cancelar contratos ou emitir documentos definitivos, o que aumentou o medo de futuras cobranças mesmo com o encerramento das atividades.

O instituto também acumula dívidas com o imóvel onde funciona. Segundo relatos, eram pelo menos sete meses de aluguel atrasado, além de contas de água e energia em aberto. O proprietário chegou a acionar a Justiça para desocupação do prédio e há tentativa de venda da escola para quitar os débitos, mas o negócio não foi concluído, agravando ainda mais a crise.

Do lado dos professores, o cenário é de angústia e abandono. Uma docente afirmou que os atrasos salariais já ocorriam antes mesmo das prisões. “Mesmo quando o Dannilo e a Karen estavam à frente, a gente já não recebia em dia. Agora ficou ainda pior”, disse.

Prisão

Dannilo foi preso em agosto de 2025 em ação do Ministério Público de Goiás (MPGO) por suspeita de liderar um esquema que teria desviado mais de R$ 2,2 milhões de dinheiro de escolas estaduais em Rio Verde por meio de licitações. Segundo o órgão, ele e a esposa, Karen de Souza Santos Proto, ex-coordenadora Regional de Educação no município, são sócios do Instituto Delta Proto (IDP), que teria sido favorecido em contratos de reforma de unidade de ensino, impressão de material didático e até na realização de concurso público da Câmara de Rio Verde.

Desde 2020, pelo menos 40 contratos sem licitação teriam sido fraudados para beneficiar a empresa envolvida no caso. A investigação teve início em 2023.

Delegado já foi afastado por corrupção

Esta não seria a primeira vez que o delegado é investigado pelo MP-GO. Em 2015, ele chegou a ser afastado do cargo por suspeita de corrupção depois de ter sido acusado de cobrar dinheiro de um fazendeiro que tinha recuperado gado roubado. Na época, ele e um colega teriam recebido cerca de R$ 10 mil da vítima. Em sua defesa, o delegado afirmou que usou parte do valor para melhorar as instalações da unidade policial.

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