Chefão do Instagram nega que redes sociais causem dependência clínica, ao depor em julgamento da Meta e do Google

A Meta, dona do Instagram e do Facebook, e o YouTube, pertencente ao Google, são acusados de desenvolverem propositalmente produtos viciantes para crianças com o objetivo de aumentar seus lucros.

A ação foi proposta por uma jovem americana de 20 anos que diz ter sido afetada pelas redes durante sua infância e adolescência.

Conceito de vício

O conceito de dependência é a chave neste julgamento. “Acho importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático”, disse Mosseri, segundo a France Presse.

“Tenho certeza de que disse que estava viciado em uma série da Netflix quando a maratonei até muito tarde da noite, mas não acho que isso seja o mesmo que uma dependência clínica”, acrescentou Mosseri.

Na véspera, um advogado do YouTube afirmou que a plataforma “não quer deixar as pessoas viciadas mais do que elas ficariam em bons livros ou em aprender coisas novas”, segundo a AFP.

Filtros de foto

A autora do processo, identificada como Kaley G. M., alega que as plataformas contribuíram para sua depressão e dismorfia corporal.

Hoje com 20 anos, ela conta na ação que começou a usar o YouTube aos seis e entrou no Instagram aos 11, antes de passar para o Snapchat e o TikTok dois ou três anos depois.

Segundo a Reuters, um porta-voz da Meta afirmou na terça que “as provas mostrarão que ela enfrentou muitos desafios significativos e difíceis muito antes de usar redes sociais”.

A agência reportou ainda que Mosseri foi questionado sobre ter revogado a proibição do uso de filtros de imagem que imitavam os efeitos da cirurgia plástica no Instagram.

De acordo com a Reuters, e-mails apresentados em juízo mostram que, em 2019, ele e outros integrantes do comando da rede social discutiam se deveriam suspender a proibição desses filtros.

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Equipes do Instagram que trabalhavam com políticas, comunicação e bem-estar preferiam manter a proibição enquanto coletavam mais dados sobre possíveis danos a meninas adolescentes.

“Seríamos — com razão — acusados de colocar o crescimento acima da responsabilidade”, disse Nick Clegg, então vice-presidente de assuntos globais da Meta, de acordo com e-mails exibidos no tribunal.

Mosseri e Zuckerberg preferiam reverter a proibição, mas retirar os filtros da seção de recomendações do aplicativo — uma opção descrita nos e-mails como apresentando “um risco significativo ao bem-estar”, mas com menor impacto no crescimento de usuários.

“Eu estava tentando equilibrar todas as diferentes considerações”, disse Mosseri no tribunal, acrescentando que concordou com a decisão final de proibir filtros que promovem cirurgia plástica.

“Nossas políticas, assim como nossos produtos, evoluem o tempo todo. Tentamos nos concentrar nas questões mais importantes”, afirmou.

Pais que afirmam que as redes sociais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles — Foto: Ethan Swope/Getty Images/AFP

Zuckerberg também vai depor

Mosseri foi a primeira figura importante do Vale do Silício a depor perante o júri de 12 integrantes. Ele também rejeitou a ideia de que a Meta priorizasse seus lucros em detrimento da segurança de seus usuários.

“Proteger os menores a longo prazo é bom até mesmo para os negócios e para os lucros”, afirmou.

O depoimento do presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, está previsto para o próximo dia 18. No dia seguinte deve falar o chefe do YouTube, Neil Mohan.

Lori Schott, mãe da jovem que acusa do Instagram e o YouTube de serem programados para viciar crianças e adolescentes — Foto: Ethan Swope/Getty Images/AFP

Adam Mosseri, CEO do Instagram, chega a tribunal em Los Angeles para depor em julgamento onde a rede social e o YouTube são acusados de serem programados para viciar crianças e adolescentes — Foto: Ethan Swope/Getty Images/AFP

Adam Mosseri, chefe do Instagram, em foto de 8 de dezembro de 2021, tirada em Washington, D.C., Estados Unidos. — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

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