Sobre o tema envolvendo Chamado de pintor, além disso, em 1953, havia um problema dentro da Estrada de Ferro de Goiás. Dessa forma, frei Nazareno Confaloni terminara dois grandes painéis para a nova Estação Ferroviária de Goiânia, mas o orçamento público não previa uma rubrica para pagar um artista. Com isso, A solução encontrada pela administração foi enquadrar o italiano como “pintor de parede”. Nesse sentido, pelo trabalho, recebeu 100 mil cruzeiros.
63 anos depois, a ironia permanece nas mesmas paredes. Portanto, os murais continuam no saguão da antiga estação e o prédio abriga o Museu Municipal Frei Nazareno Confaloni, criado por lei em 2019. Em seguida, O homem que a burocracia precisou chamar de pintor de parede para liberar seu pagamento tornou-se o nome do museu instalado justamente no edifício que ajudou a transformar em patrimônio artístico da capital. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Chamado de pintor continuam sendo acompanhados com atenção.
De acordo com as apurações, mas essa história começa a mais de 9 mil quilômetros de Goiânia. Por outro lado, antes do hábito branco, antes das pinturas sacras e antes de o sobrenome Confaloni entrar para a história cultural de Goiás, havia Giuseppe, um menino italiano nascido em 1917. Vale destacar que ele veio ao Brasil para cumprir uma encomenda religiosa que poderia durar alguns meses. Sendo assim, acabou permanecendo em Goiás até morrer, em 1977. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Chamado de pintor nos últimos dias.
Contexto e detalhes sobre Chamado de pintor
Antes de Frei Nazareno, havia um menino chamado Giuseppe
Além disso, giuseppe Confaloni nasceu em Grotte di Castro, na província italiana de Viterbo, em 23 de janeiro de 1917. Dessa forma, começou os estudos em sua cidade natal e, ainda criança, aproximou-se da vida religiosa. Com isso, em 1931, os dominicanos o encaminharam para as primeiras aulas de desenho com uma professora identificada nos registros como Briccola. Nesse sentido, dois anos depois, ao ingressar na Ordem Dominicana, Giuseppe passou a se chamar Nazareno Confaloni. Especialistas destacam que novas atualizações sobre Chamado de pintor devem surgir em breve.
Portanto, A arte cresceu ao lado da religião. Em seguida, em 1935, produziu uma reprodução em óleo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, apontada pela PUC Goiás como uma de suas primeiras pinturas conhecidas. De acordo com as apurações, foi ordenado sacerdote em 1939 e, entre 1940 e 1941, frequentou a Academia de Belas Artes de Florença, onde teve contato com artistas da cena italiana e recebeu influência de Primo Conti. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a Chamado de pintor continuam sendo acompanhados com atenção.
Por outro lado, A formação artística ocorreu em uma Itália atravessada pelo fascismo e pela Segunda Guerra Mundial. Vale destacar que mais tarde, pesquisadores perceberiam nas obras produzidas em Goiás uma atenção recorrente aos pobres, trabalhadores e pessoas colocadas à margem da sociedade. Sendo assim, uma tese de doutorado da UFG identifica em Confaloni a aproximação entre sua formação religiosa europeia e a realidade social encontrada no Brasil. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de Chamado de pintor nos últimos dias.
Além disso, leia mais: MAC recebe exposição sobre Frei Confaloni, do Mais Goiás Especialistas destacam que novas atualizações sobre Chamado de pintor devem surgir em breve.
Uma viagem para pintar 15 afrescos mudou o destino do italiano

Dessa forma, A virada ocorre em Roma, em 1950. Com isso, confaloni encontra dom Cândido Penso, então bispo de Goiás, e recebe o convite para viajar ao Brasil. Nesse sentido, A missão era objetiva: pintar os 15 Mistérios do Rosário na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na cidade de Goiás. Portanto, em outubro daquele ano, o religioso já estava no país; em janeiro de 1951, começou o trabalho.
Em seguida, não havia naquele convite qualquer previsão de uma vida inteira em Goiás. De acordo com as apurações, confaloni chega para uma encomenda, permanece inicialmente na antiga Vila Boa e introduz ali a técnica do afresco. Por outro lado, em 1952, muda-se para Goiânia, capital que ainda não havia completado duas décadas de existência.
Vale destacar que essa diferença de idade ajuda a compreender o encontro. Sendo assim, confaloni tinha 35 anos quando se instala em uma cidade que ainda construía universidades, escolas, instituições culturais e identidade artística. Além disso, em vez de encontrar uma estrutura consolidada, participa justamente do momento em que parte dela começa a surgir. Dessa forma, A pesquisa acadêmica da UFG coloca sua atuação entre os elementos centrais do debate modernista que se estabelece em Goiás nos anos 1950.
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Para pagar a obra, transformaram o artista em ‘pintor de parede’

Nesse sentido, em 1953, Confaloni recebe a encomenda para pintar dois painéis no saguão da Estação Ferroviária de Goiânia. Portanto, as obras, conhecidas como Bandeirantes: Antigos e Modernos, tratam da construção das estradas de ferro em Goiás. Em seguida, O problema surge quando chega a hora de pagar pelo trabalho. Não havia previsão orçamentária específica para remunerar um artista.
O episódio aparece em uma dissertação da Universidade Federal de Goiás, a partir de depoimento de Lena Castello Branco Ferreira de Freitas, filha do engenheiro Cyridião Ferreira, responsável pela fiscalização da obra da estação. Segundo o relato, os auxiliares chegaram à solução administrativa de pagar Confaloni como “pintor de parede”. O frei recebeu 100 mil cruzeiros.
A passagem ganha força quando observada sete décadas depois. A Prefeitura de Goiânia hoje classifica os dois murais como elementos relevantes do patrimônio artístico do edifício e atribui a Confaloni papel na introdução do modernismo em Goiás. A mesma antiga estação funciona como espaço cultural e abriga o museu que leva o nome do artista.
Não foi a única consequência daqueles 100 mil cruzeiros. Um registro histórico reproduzido em pesquisa sobre Confaloni informa que parte do dinheiro permitiu ao frei comprar um pequeno automóvel e iniciar as bases da Igreja São Judas Tadeu, no Setor Coimbra. A igreja também se tornaria um dos lugares ligados à trajetória do religioso em Goiânia.
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O professor que abriu o próprio ateliê para Siron Franco
A influência de Confaloni não ficou restrita às próprias telas. O acervo do Centro Cultural da UFG registra que o frei conheceu Siron Franco quando o futuro artista ainda estava no início da formação. Confaloni passou a emprestar a ele um estúdio para trabalhar e fornecia também os materiais necessários para pintar.
A cena ajuda a dimensionar uma relação que uma lista de cargos não consegue mostrar. Um religioso formado artisticamente em Florença disponibilizava espaço e material para um jovem de Goiás desenvolver a própria pintura. Siron se tornaria posteriormente um dos artistas brasileiros de maior projeção de sua geração e manteria ligação pessoal com Confaloni até o fim da vida do frei.
Os dois chegaram a trabalhar juntos no ateliê do Convento São Judas Tadeu. Em 1977, produziram madonas no local, segundo a documentação da UFG. Era também o último ano da vida de Confaloni.
Quase meio século depois, a dimensão da trajetória do antigo aluno permanece visível. Em 2026, uma exposição em Goiânia reuniu mais de 100 obras de Siron e recebeu mais de 20 mil visitantes. A ligação entre os dois artistas transforma Confaloni não apenas em personagem da arte goiana, mas em uma das pontes entre gerações que construíram esse circuito cultural.
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Em suas pinturas, santos ganharam rostos de trabalhadores
A passagem pelo Brasil também modifica o olhar do italiano. Estudo publicado pela revista Caminhos, da PUC Goiás, analisa a presença de indígenas, negros e camponeses nas obras religiosas de Confaloni. Segundo a pesquisa, o pintor passa a atualizar narrativas bíblicas a partir dos rostos e das desigualdades sociais que encontra no interior brasileiro.
O movimento rompe com a ideia de simples reprodução de imagens sacras europeias. Personagens religiosos passam a dialogar com pessoas que poderiam ser encontradas nas ruas, nas fazendas ou nas pequenas cidades de Goiás. A pesquisadora Jacqueline Siqueira Vigário descreve esse processo como uma aproximação entre a “sacralização do humano” e a “humanização do sagrado”.
A transformação ocorre também na paisagem. Projeto de pesquisa da PUC Goiás registra que Confaloni percorreu diferentes regiões do estado, inclusive a cavalo, e depois continuou as viagens em um Fusca. O religioso conheceu o Araguaia, Pirenópolis, Córrego do Ouro e outras localidades, incorporando ao trabalho referências que deixou de observar apenas como estrangeiro.
É nessa passagem que Giuseppe, formado na tradição italiana, transforma-se progressivamente em Confaloni de Goiás. Não deixa de carregar Florença, a ordem dominicana ou a pintura europeia, mas passa a produzir a partir de um território brasileiro que se torna parte de sua própria experiência. Esse processo explica por que trabalhos acadêmicos posteriores o tratam como um artista italiano-goiano.
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Confaloni ajudou a criar uma escola quando Goiânia ainda começava

Em dezembro de 1952, Confaloni já participava da organização da Escola Goiana de Belas Artes. A instituição abriu oficialmente em 30 de março de 1953, tendo o frei, Luís Augusto do Carmo Curado e Henning Gustav Ritter entre seus fundadores. Confaloni passou a ensinar desenho e pintura.
O momento histórico importa. Goiânia ainda era uma capital em formação e não possuía uma tradição institucional de ensino artístico comparável à dos grandes centros do país. A Escola Goiana de Belas Artes cria um espaço regular de formação e ajuda a organizar uma geração de artistas em torno de novas referências estéticas.
Mais tarde, a escola integra o conjunto de faculdades que participa da formação da Universidade de Goiás, atual PUC Goiás. Confaloni também se torna professor fundador da Faculdade de Arquitetura, leciona desenho e plástica e dirige o curso de Arquitetura e Urbanismo entre 1967 e 1968. Sua presença atravessa, portanto, pintura, educação e formação universitária.
Uma tese de doutorado defendida na UFG associa Confaloni diretamente ao ambiente modernista que surge na capital durante os anos 1950. O estudo trata o artista como peça importante na construção de uma ideia cultural de modernidade vinculada à própria Goiânia. O religioso que chegara para pintar uma igreja passava a participar da formação de uma linguagem artística para uma cidade nova.
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O homem morreu, mas ficou nas paredes da cidade
Confaloni continuou pintando e ensinando nas décadas seguintes. Em 1975, passou a ministrar História da Arte no Centro de Estudos Italianos de Goiânia. Preparava-se para participar de uma mostra itinerante de arte goiana na Europa quando morreu, em 4 de junho de 1977, aos 60 anos.
A morte interrompeu a viagem, mas não encerrou a circulação de seu trabalho. Em 2017, no centenário de nascimento, uma exposição reuniu cerca de 300 obras, documentos e objetos pessoais do frei. O conjunto percorria uma produção iniciada na Itália e desenvolvida principalmente em Goiás.
O reconhecimento institucional chegou também ao lugar onde havia acontecido uma das histórias mais improváveis de sua carreira. Em outubro de 2019, uma lei complementar de Goiânia criou oficialmente o Museu Municipal Frei Nazareno Confaloni dentro da antiga Estação Ferroviária. O edifício conserva os dois murais produzidos por ele em 1953.
A Prefeitura informa que o museu possui como missão preservar e difundir a produção artística e a memória do modernismo em Goiás. O espaço permanece recebendo exposições e atividades culturais; em julho de 2026, por exemplo, integrou a programação gratuita de férias dos museus municipais. O nome de Confaloni continua, portanto, ligado a um circuito cultural ativo quase cinco décadas depois de sua morte.
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De ‘pintor de parede’ a nome de museu
A história poderia terminar com uma lista de obras, cargos e exposições. Mas talvez nenhum currículo explique Confaloni tão bem quanto o contraste entre dois momentos separados por mais de seis décadas. Em 1953, foi necessário enquadrá-lo administrativamente como “pintor de parede” para conseguir liberar o pagamento de um trabalho artístico. Em 2019, uma lei municipal colocou seu nome na entrada de um museu.
Entre os dois episódios está a vida que o italiano não havia planejado quando chegou ao Brasil. Confaloni veio para pintar 15 afrescos, mudou-se para uma capital ainda jovem, ajudou a criar uma escola, tornou-se professor, emprestou o próprio ateliê a outros artistas e colocou trabalhadores, indígenas e negros dentro da pintura religiosa. A produção passou a ser objeto de dissertações, teses e pesquisas acadêmicas décadas depois.
O prédio da Estação Ferroviária preserva a síntese mais concreta dessa trajetória. As paredes continuam lá. Os dois painéis também.
Mudou apenas a forma como Goiânia passou a chamar quem os pintou.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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