Arqueólogos anunciaram a descoberta de duas pequenas esculturas de aves feitas de marfim, com aproximadamente 40 mil anos, em uma caverna na Alemanha. Os achados, minúsculos como uma unha, indicam um sofisticado desenvolvimento artístico dos primeiros seres humanos durante a era glacial.
Nicholas Conard, que é arqueólogo da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e lidera as escavações em Hohle Fels, disse em comunicado divulgado em 29 de julho que as peças mostram a capacidade dos primeiros artesãos em entalhar figuras detalhadas em miniatura a partir do marfim.
As estatuetas, descobertas em 2025, estavam a uma distância de 1,5 metro entre si, em uma camada geológica que data de 40 mil anos, de acordo com as informações. Com esses novos achados, o sítio arqueológico de Hohle Fels agora soma três figuras de aves, incluindo uma ave aquática menor encontrada em 2001.
Compreendendo a importância da caverna de Hohle Fels
O local de Hohle Fels foi habitado por Homo sapiens primitivos durante o período Aurignaciano, que se estendeu de 43 mil a 28 mil anos atrás, um tempo que sucedeu o declínio da população Neandertal na Europa. Esse período foi marcado por uma efervescência artística e criativa, com a confecção dos primeiros instrumentos musicais, adornos e pequenas esculturas do mundo. Entre as descobertas notáveis está a Vênus de Hohle Fels, uma estatueta de 41 mil anos representando uma figura feminina, considerada a mais antiga escultura figurativa da Europa, encontrada em 2008. Além disso, foram descobertas figuras de animais e uma ferramenta de marfim para produção de cordas. O nome Hohle Fels, em alemão, significa “rocha oca”.
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Apesar de seu tamanho diminuto, sendo menores que os artefatos previamente encontrados em Hohle Fels, as duas novas esculturas de pássaros apresentam características específicas. Conard afirmou que as peças não são exageradamente estilizadas, mas contêm particularidades que indicam a observação detalhada do artista, permitindo especulações sobre a espécie da ave e sua possível ação.
Uma das aves parece estar em repouso no solo, talvez em processo de incubação de ovos, uma postura que sugere tratar-se de uma perdiz-branca. Restos ósseos dessa espécie, parente de galinhas e tetrazes, foram identificados em outras camadas pré-históricas da caverna Hohle Fels.
Já a segunda escultura exibe asas abertas, o que pode indicar que a ave estava em voo ou em algum ritual de cortejo, conforme o comunicado. Acredita-se que esta figura também represente uma perdiz-branca ou, alternativamente, uma ave de rapina.
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Significado e questões levantadas pelas esculturas de aves
As duas pequenas figuras de perdizes-brancas abrem novas indagações sobre a vida dos primeiros humanos na Europa, segundo Conard. Elas figuram entre os mais antigos vestígios da presença humana moderna no continente, apontando para o papel significativo da expressão artística na vida das comunidades pré-históricas. Embora o propósito exato dessas gravuras para o povo Aurignaciano de Hohle Fels permaneça incerto, é possível que servissem como talismãs ou como símbolos de um grupo específico.
A caverna de Hohle Fels se destaca entre os sítios arqueológicos da era glacial por ser, até agora, a única a revelar figuras de pássaros. Essa exclusividade pode ser um reflexo da profunda atenção que os antigos habitantes dedicavam ao ambiente natural que os cercava.
Stefanie Kölbl, diretora-geral do Museu da Pré-História e da Arte da Era do Gelo, afirmou em comunicado que a região sempre foi rica em aves. Ela mencionou que os cantos desses animais alertavam os moradores, que também utilizavam seus ossos ocos e o marfim de mamute para confeccionar flautas capazes de produzir “sons mágicos”.
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As estatuetas de aves podem ser vistas no Museu de Pré-História e Arte da Era do Gelo, localizado em Blaubeuren, Alemanha, com exposição prevista até 4 de abril de 2027.

