Furacão – Foto: BEST-BACKGROUNDS/ Shutterstock.com
O furacão Melissa, classificado como categoria 5 na escala Saffir-Simpson, fez landfall na Jamaica nesta terça-feira (28), com ventos sustentados de até 280 km/h. O fenômeno já causou sete mortes no Caribe, incluindo três na Jamaica antes da chegada principal, três no Haiti e uma na República Dominicana. Autoridades jamaicanas ativaram abrigos para mais de 20 mil pessoas em uma população de 2,8 milhões de habitantes.
A Cruz Vermelha estima que 1,5 milhão de indivíduos na Jamaica enfrentem impactos diretos, com distribuição de suprimentos como água e kits de higiene em curso. O Centro Nacional de Furacões (NHC) dos EUA monitora o avanço lento do sistema, que permanece a cerca de 185 km de Kingston inicialmente.
O primeiro-ministro Andrew Holness decretou evacuações obrigatórias em zonas costeiras e montanhosas, citando falta de infraestrutura para resistir a ventos tão intensos.
- Principais riscos incluem inundações com até 1 metro de chuva acumulada.
- Deslizamentos de terra afetam áreas elevadas da ilha.
- Marés de tempestade elevam o nível do mar em até 3 metros na costa sul.
Preparativos acelerados na Jamaica
Autoridades jamaicanas fecharam aeroportos internacionais em Kingston e Montego Bay, cancelando todos os voos. Equipes de emergência posicionaram geradores e suprimentos em 850 abrigos espalhados pelo país.
Moradores reforçaram janelas com tábuas e estocaram alimentos não perecíveis, enquanto o governo suspendeu aulas e atividades não essenciais. Esther Pinnock, da Cruz Vermelha local, relatou deslizamentos iniciais em regiões vulneráveis.
O impacto inicial registrou danos em edifícios costeiros, com telhados arrancados e árvores caídas bloqueando estradas no sudoeste.
Avanço lento agrava danos
O movimento do Melissa, a apenas 11 km/h, prolonga a exposição da Jamaica a ventos fortes e chuvas torrenciais. Essa velocidade reduzida, inferior a um pedestre, permite acúmulo de precipitação superior a 76 cm em algumas áreas.
Especialistas comparam o evento ao furacão Gilbert de 1988, o último grande impacto na ilha, mas Melissa supera em intensidade com rajadas acima de 300 km/h. O NHC prevê enfraquecimento para categoria 4 ao cruzar a ilha, mas com rajadas persistentes nas montanhas.
A interação com o terreno já fechou o olho do furacão, dispersando energia, porém os efeitos catastróficos continuam por horas.
A rede elétrica sofreu interrupções generalizadas, com conectividade de internet caindo para 42% dos níveis normais em zonas centrais.
🌀 MUNDO | Vídeo gravado a bordo de avião caça-furacões da NOAA no olho do catastrófico furacão categoria 5 Melissa ao Sul da Jamaica. Olho é a região de calmaria, mas no entorno, na parede do olho, há vento sustentado em superfície de 265 km/h com rajadas de 300 km/h. 📷 NOAA pic.twitter.com/nESHO8tW9x
— MetSul.com (@metsul) October 27, 2025
Alertas em Cuba e Bahamas
Em Cuba, o Conselho de Defesa Nacional declarou fase de alerta em seis províncias orientais, como Santiago de Cuba e Guantánamo. Evacuações atingem 650 mil pessoas, com suspensão de transportes públicos e estocagem de suprimentos.
Moradores amarram telhados com cordas e protegem estruturas contra ventos esperados de até 260 km/h na madrugada de quarta-feira. A falta de energia em algumas áreas complica a difusão de alertas preventivos.
Nas Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos, autoridades preparam abrigos e monitoram o trajeto pós-Jamaica.
- Cuba enfrenta risco de inundações fluviais em vales.
- Bahamas sul registra chuvas iniciais de 200 mm.
- Turcas e Caicos fecha portos marítimos.
Histórico de intensificação rápida
Melissa evoluiu de tempestade tropical para categoria 5 em menos de 48 horas, alimentada por águas quentes do Caribe acima de 29°C. Essa rápida intensificação, comum em 20% dos furacões atlânticos, elevou ventos de 100 km/h para 280 km/h entre sábado e segunda-feira.
O NHC registrou o sistema como a 13ª tempestade nomeada da temporada 2025, que vai de junho a novembro. Comparado a eventos como Maria (2017) e Katrina (2005), o Melissa destaca-se pelo tamanho e lentidão, ampliando áreas afetadas.
Dados de satélite mostram o olho bem definido antes do landfall, com diâmetro de 40 km. Caçadores de furacões relataram turbulência extrema durante sobrevoos, confirmando a estrutura robusta.
A temporada 2025 já viu três categorias 5, superando médias históricas, devido a padrões climáticos favoráveis no Atlântico.
Ajuda internacional mobilizada
Organizações como a Global Empowerment Mission enviam 22 toneladas de alimentos e itens essenciais de Miami para Kingston. Voos de carga preveem chegada na quinta-feira, após reabertura de aeroportos.
A Federação Internacional da Cruz Vermelha coordena esforços regionais, focando em saúde pública pós-tempestade, como prevenção de surtos por água contaminada. Equipes da Flórida do Sul preparam logística para Cuba em seguida.
O Departamento de Defesa dos EUA monitora via aviões de reconhecimento, fornecendo dados em tempo real ao NHC.


