Casal preserva tradições da Guiné-Bissau e transforma casamento em Anápolis em celebração da cultura africana

Redação
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Casal preserva tradições da Guiné-Bissau e transforma casamento em Anápolis em celebração da cultura africana

Um casamento realizado em um cartório de Anápolis se transformou em uma grande celebração da cultura da Guiné-Bissau, país localizado na costa oeste da África. Com cantos tradicionais, danças, vestimentas típicas e um cortejo na entrada do Cartório Del Fiaco, o casal Wilson e Feliciana decidiu manter vivos os costumes do país de origem. A cerimônia, realizada na sexta-feira (17), reuniu familiares que viajaram do continente africano especialmente para acompanhar a união e despertou a curiosidade de quem passava pelo local.

A celebração começou antes mesmo da assinatura dos documentos. Amigos e familiares receberam os noivos com músicas tradicionais e danças típicas, enquanto um tecido foi estendido na entrada do cartório para que o casal atravessasse até o local da cerimônia. Em diversas tradições africanas, esse gesto representa honra, respeito, bênçãos e o início de uma nova etapa da vida.

Segundo o noivo, a ideia de realizar um casamento inspirado nas tradições da Guiné-Bissau partiu da esposa. “Eu perguntei para a Feliciana: ‘Para que casar tradicionalmente?’ E ela respondeu: ‘Para manter viva a nossa identidade cultural.’ Durante a conversa, entendemos que nossas raízes fazem parte de quem somos. Queríamos que esse momento refletisse não apenas a nossa união, mas também a riqueza da cultura da Guiné-Bissau”, contou Wilson.

Ele explica ainda que a cerimônia também foi uma forma de homenagear os antepassados e mostrar que a distância não impede a preservação das tradições.

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Um dos momentos mais marcantes para os noivos foi a presença dos familiares que saíram da Guiné-Bissau para participar do casamento. Wilson descreveu a emoção ao reencontrar pessoas tão importantes em um momento especial da vida do casal.

“Foi uma emoção muito, muito grande. É um gesto de amor que jamais esqueceremos. Eles enfrentaram uma longa viagem para estar conosco nesse dia tão especial. A presença deles fortaleceu nossos laços familiares e tornou a cerimônia ainda mais significativa. Foi como trazer um pedaço da Guiné-Bissau para o Brasil. Só quem estava no cartório conseguiu sentir a vibração daquele momento”, contou.

Cantos, danças e tecidos têm significado especial

Nada foi escolhido por acaso. Wilson afirma que cada elemento utilizado durante a cerimônia carrega um significado cultural. Entre os itens considerados indispensáveis estavam os cantos tradicionais, as danças, as roupas típicas e os tecidos africanos.

Segundo ele, os cantos e as danças simbolizam felicidade, união, esperança e prosperidade para a nova família. “Eles celebram o início de uma nova etapa da vida e representam a participação da comunidade, que deseja paz, amor, fé e uma vida longa aos noivos”, explica o noivo.

O tecido colocado na entrada do cartório também possui um forte simbolismo. “Ele representa respeito, honra e valorização da nossa cultura. Ao caminhar sobre ele, o casal demonstra que inicia uma nova etapa levando consigo a história, os valores e as tradições do seu povo. Também simboliza o acolhimento da família e da comunidade”, diz.

Vídeo: Arquivo Pessoal/Wilson

Desafio para manter a tradição longe de casa

Organizar uma cerimônia com costumes africanos em Goiás exigiu planejamento e adaptações. Segundo Wilson, alguns elementos tradicionais não são encontrados facilmente no Brasil.

“Foi um grande desafio, principalmente na parte financeira, porque muitos elementos tradicionais não são encontrados facilmente aqui. Tivemos que adaptar algumas coisas, mas sem perder a essência da nossa cultura. Recebemos apoio de muita gente. Alguns conhecidos trouxeram tecidos e outros objetos diretamente da Guiné-Bissau. Isso contribuiu bastante para que conseguíssemos realizar o casamento”, relata.

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Curiosidade dos brasileiros

A cerimônia chamou atenção tanto das pessoas que estavam no cartório quanto de quem passava pela região. Segundo Wilson, muitas pessoas pararam para observar a celebração e fizeram perguntas sobre os costumes apresentados.

Ele conta que até o juiz responsável pelo casamento quis entender o motivo da cerimônia seguir um formato diferente. “Uma das curiosidades foi do próprio juiz, que perguntou por que de tudo aquilo. Nós respondemos simplesmente que estávamos mantendo viva a nossa cultura”.

“Muitos ficaram encantados com as roupas, as músicas, as danças e os costumes. Recebemos muitos elogios, tanto no cartório quanto depois, pelas redes sociais. Foi uma oportunidade muito bonita de promover um intercâmbio cultural”, conta o noivo.

Preservar as raízes

Morando no Brasil desde 2022, Wilson e Feliciana se conheceram durante a trajetória acadêmica. A amizade evoluiu para um relacionamento e, agora, para a formação de uma família. Para o casal, preservar as tradições é uma forma de manter viva a própria identidade e também de transmitir esse patrimônio às futuras gerações.

Vídeo: Arquivo Pessoal/Wilson

“Queremos que nossos filhos conheçam suas origens e tenham orgulho da sua história. Nossa cultura está na alimentação, na música, na língua, no respeito aos mais velhos, nos valores familiares e na forma como convivemos com as pessoas. Também gostamos de compartilhar isso com nossos amigos brasileiros”, diz Wilson.

No fim, Wilson resume o significado que espera deixar com a celebração.

“Esperamos que esse casamento seja lembrado não apenas pela beleza da cerimônia, mas por mostrar que é possível preservar a própria cultura mesmo vivendo longe do país de origem. Queremos que isso inspire outras pessoas a valorizarem suas raízes e a construírem pontes entre diferentes culturas”, conclui o noivo.

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