Alternativas contra obesidade
Alto custo das canetas emagrecedoras limita acesso e mantém filas para cirurgia bariátrica no sistema público de saúde
Foto: FreePik
O avanço do uso de canetas emagrecedoras tem reduzido o número de cirurgias bariátricas na rede privada de saúde nos últimos anos em Goiás. No entanto, no Sistema Único de Saúde (SUS), também sob perspectiva regional, o impacto praticamente não foi sentido. A informação é do cirurgião bariátrico Luiznei Rocha, integrante do Programa de Controle e Cirurgia da Obesidade (PCCO) do Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG) e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.
Em Goiás, o HGG, único hospital habilitado pelo SUS para realizar cirurgias bariátricas no Estado, manteve o patamar de cirurgia, com cerca de 200 procedimentos por ano, mesmo após a popularização desses medicamentos. De acordo com o cirurgião bariátrico, o principal motivo é o alto custo das medicações.
“Na rede privada houve uma queda significativa no número de cirurgias depois da popularização das canetas emagrecedoras, principalmente a partir de 2023. Já no SUS, o impacto foi praticamente zero porque estamos falando de medicamentos que podem custar de R$ 2 a R$ 3 mil por mês. O tratamento completo pode custar entre R$10 mil e R$ 20 mil em poucos meses quando envolve medicação, acompanhamento médico e equipe multiprofissional. É um valor que a maioria dos pacientes não consegue pagar”, explica.
Canetas emagrecedoras
As canetas emagrecedoras foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes tipo 2 e passaram a ser utilizadas também para perda de peso após observação clínica de seus efeitos. Elas atuam imitando hormônios ligados ao metabolismo e à sensação de saciedade.
Mesmo assim, o especialista destaca que o uso dessas substâncias não substitui a cirurgia em pacientes com indicação médica. “Quando o paciente tem indicação para cirurgia bariátrica, ela ainda é a forma mais eficaz de perda de peso e de controle das doenças associadas à obesidade a longo prazo”, afirma o o cirurgião bariátrico Dr. Luiznei Rocha.
- Novas regras para bariátrica permitem cirurgia a partir dos 14 anos; veja o que mudou
- Justiça de MG manda plano fazer bariátrica, mesmo que seja condição preexistente
Cirurgias bariátricas em Goiás
Os dados da Secretaria de Estado da Saúde em Goiás (SES-GO) mostram que a quantidade de cirurgias bariátricas na rede pública segue elevado. Em 2024, foram realizadas 222 cirurgias ao longo do ano, com destaque para os meses de março, com 26 procedimentos e abril, maio e junho com 23 cada.
Já em 2025, o HGG realizou 201 cirurgias, distribuídas ao longo do ano: nove em janeiro, 15 em fevereiro, 21 em março, 16 em abril, 15 em maio, 16 em junho, 26 em julho, 16 em agosto, 17 em setembro, 15 em outubro, 19 em novembro e 16 em dezembro.

Segundo o médico, o hospital mantém uma média anual próxima de 200 procedimentos. “O HGG tem capacidade de realizar cerca de seis cirurgias por semana. Em algumas ocasiões especiais, como no período do Dia Mundial da Obesidade, conseguimos ampliar esse número para chamar atenção para a doença”, afirma.
Desde 2019, a unidade já realizou 1.073 cirurgias bariátricas, se consolidando como um dos principais centros de referência no estado.

