Relógio, Bandeira do Brasil, conceito de horário de verão. – Foto: tzahiV/ iStock
Governo federal decide manter suspensão do horário de verão em 2025. Medida, extinta desde 2019, não retorna devido à estabilidade no suprimento elétrico nacional. O Ministério de Minas e Energia baseou a escolha em análises técnicas que mostram baixa efetividade da prática atual. A decisão evita ajustes sazonais em rotinas de milhões de brasileiros.
Estudos recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico indicam que picos de consumo migraram para tardes quentes, reduzindo benefícios da mudança de horário. Reservatórios de hidrelétricas operam acima das expectativas, garantindo segurança energética completa. O ministro Alexandre Silveira reforçou que a medida só seria adotada em cenários de crise hídrica.
- Principais motivos para a suspensão:
- Mudanças climáticas alteraram padrões de uso de energia.
- Aumento no emprego de ar-condicionado deslocou demandas para o período diurno.
- Tecnologias como lâmpadas LED diminuíram necessidade de economia noturna.
Origem e histórico da medida
O horário de verão surgiu no Brasil em 1931, durante o governo Getúlio Vargas, para otimizar o uso de luz natural e cortar gastos com eletricidade. Aplicado de forma intermitente, ganhou continuidade a partir de 1985 em regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A prática durou até 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro revogou-a por meio de decreto, citando estudos que apontavam economia inferior a 0,5% do consumo total.
Razões técnicas para a não adoção
Avaliações do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico destacam a robustez da matriz energética atual. O Brasil registra o verão mais quente desde 1961, mas investimentos em transmissão e armazenamento por baterias compensam riscos.
Leilões de usinas térmicas e preservação de recursos hídricos fortalecem o sistema interligado nacional. Especialistas notam que o horário de verão poderia até sobrecarregar redes em horários de pico vespertino.
A Comissão de Minas e Energia da Câmara aprovou em outubro um projeto que proíbe a medida permanentemente, exceto em emergências. O texto avança para análise no Senado.
Efeitos na rotina diária
Trabalhadores evitam adaptações em expedientes, mantendo horários fixos ao longo do ano. Empresas de comércio e serviços públicos planejam sem interrupções sazonais, o que simplifica logística em todo o país.
Setor aéreo, que exige seis meses de preparo para mudanças, celebra a estabilidade. Transporte coletivo segue cronogramas uniformes, beneficiando usuários em áreas urbanas.
Setores mais impactados pela decisão
O varejo ajusta estratégias sem extensão de horários noturnos, focando em demandas reais de clientes. Turismo em praias e cidades litorâneas mantém atrações diurnas inalteradas, priorizando eficiência operacional.
Indústrias energéticas investem em renováveis, como solar e eólica, para suprir demandas crescentes sem medidas paliativas.
- Áreas afetadas diretamente:
- Comércio: fluxos de vendas seguem padrões anuais.
- Logística: entregas sem variações de fuso horário interno.
- Agricultura: colheitas noturnas prosseguem sem ajustes.
Considerações sobre saúde e bem-estar
Mudanças de horário geram distúrbios no sono, especialmente em crianças e idosos, com relatos de aumento em problemas cardiovasculares. A Organização Mundial da Saúde alerta para efeitos como jet lag social em populações sensíveis.
Pesquisas de 2017 indicam que mais de 50% dos brasileiros sentem desconforto com a transição. Manter o horário padrão preserva ritmos circadianos, reduzindo ausências em escolas e consultórios médicos.
A medida alinha o Brasil a nações como Argentina e Chile, que abandonaram o horário de verão por razões semelhantes.
Avaliações futuras e monitoramento
O Ministério de Minas e Energia promete revisões anuais pelo Comitê de Monitoramento. Cenários de seca extrema poderiam reativar a discussão para 2026.
Investimentos em infraestrutura, como quatro novas linhas de transmissão até o fim de 2025, reforçam a capacidade do sistema. O Plano de Operação Energética prevê equilíbrio até 2029, sem necessidade imediata de ajustes sazonais.


