Surdo – Foto: gor Alecsander/Istock.com
A comunidade surda brasileira comemora nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, o Dia Nacional dos Surdos. A data, oficializada pela Lei nº 11.796 de 2008, homenageia a fundação do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em 1857, no Rio de Janeiro. O objetivo principal reside na promoção de debates sobre direitos e inclusão social para cerca de 5,8 milhões de pessoas com deficiência auditiva no país.
Eventos ocorrem em capitais como Brasília e São Paulo, com workshops e palestras sobre acessibilidade.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apoia ações que fortalecem a cidadania digital para surdos.
- Principais marcos: reconhecimento da Libras em 2002; obrigatoriedade de intérpretes em órgãos públicos.
- Estatísticas recentes: 3,2% da população afetada, segundo dados do IBGE.
- Iniciativas atuais: expansão do VLibras em aeroportos e empresas.
Origem histórica da data
A escolha do 26 de setembro remete à criação da primeira escola para surdos no Brasil, sob o Império de Dom Pedro II. O professor francês Édouard Huet, ele próprio surdo, iniciou as aulas com sinais franceses, influenciando a formação da Libras. Essa instituição, hoje Ines, continua a produzir materiais educacionais bilíngues.
O decreto de 2008 transformou a data em comemoração nacional, integrando-a ao Setembro Azul.
Avanços na educação bilíngue
Escolas bilíngues expandiram após o Decreto nº 5.626 de 2005, que regula o ensino de Libras. Professores devem dominar a língua de sinais para atender alunos surdos.
Universidades federais, como a UFRJ, oferecem pós-graduações em Libras desde 2010.
O Ministério da Educação promove encontros anuais para capacitar educadores em métodos inclusivos.
A obrigatoriedade de Libras no currículo escolar beneficia 2,7 milhões de surdos com perda profunda.
Iniciativas de acessibilidade digital
O Workshop WikiLibras, realizado em Brasília, foca na criação de sinais para o VLibras, ferramenta gratuita.
O software traduz sites e vídeos para Libras, usado em órgãos como o Senado Federal.
Empresas privadas, incluindo telecomunicações, adotam o sistema para atendimento remoto.
- Benefícios observados: maior autonomia em serviços públicos; redução de barreiras em 24 aeroportos.
- Parcerias recentes: com o Ministério da Cidadania para inclusão em programas sociais.
- Expansão projetada: integração em mais plataformas educacionais até 2026.
Cultura e identidade surda
A Libras representa não apenas comunicação, mas uma cultura rica com teatro e literatura próprios. Eventos no Setembro Azul destacam artistas surdos em apresentações visuais.
Associações promovem seminários sobre múltiplas identidades, como surdos negros e indígenas.
O Dia Internacional da Língua de Sinais, em 23 de setembro, antecede a data e reforça a resistência global.
Essa valorização cultural ocorre desde 1958, com a Semana Internacional dos Surdos.
Políticas públicas recentes
O governo federal ampliou cotas para surdos em empresas com mais de 100 funcionários, conforme a Lei 8.213/1991. Tribunais eleitorais implementam centrais de Libras em eleições.
A Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência coordena ações interministeriais.
Estados como Pernambuco e Maranhão realizam formações gratuitas para intérpretes.
Investimentos em 2025 somam recursos para acessibilidade em saúde e transporte públicos.
Desafios no mercado de trabalho
Empresas enfrentam barreiras para contratar surdos, apesar de leis de inclusão. Treinamentos em Libras para equipes reduzem equívocos em comunicações internas.
Setores como tecnologia avançam com ferramentas de legenda automática em reuniões virtuais.
Dados de 2024 indicam que apenas 1% das vagas inclusivas são preenchidas por surdos qualificados.
A conscientização anual impulsiona parcerias entre sindicatos e associações surdas.


