O regulador de comunicações Roskomnadzor anunciou o início de medidas restritivas progressivas contra o WhatsApp na Rússia, citando violações sistemáticas à legislação local. A ação ocorre em meio a queixas de usuários sobre falhas no envio de mensagens e carregamento de arquivos multimídia desde 28 de novembro de 2025. As autoridades alegam que o aplicativo, pertencente à Meta – considerada organização extremista no país –, é utilizado para atividades terroristas, recrutamento de envolvidos e fraudes contra cidadãos russos.
A medida faz parte de uma estratégia para incentivar a migração para serviços nacionais, com o objetivo de proteger dados e combater crimes cibernéticos. Especialistas apontam que, apesar das limitações, o WhatsApp mantém uma base de 96 milhões de usuários mensais na Rússia, superando concorrentes locais.
- Principais queixas reportadas: lentidão no envio de textos e impossibilidade de carregar fotos ou vídeos.
- Áreas mais afetadas: regiões centrais, como Moscou e São Petersburgo, com picos de reclamações em horários comerciais.
- Alternativas sugeridas pelo regulador: aplicativos domésticos como o Max, desenvolvido pela VK.
Violações alegadas impulsionam ação regulatória
O Roskomnadzor justificou as restrições ao afirmar que o WhatsApp ignora obrigações de cooperação com forças de segurança. Autoridades destacam o uso do serviço para coordenar ações criminosas, incluindo golpes financeiros que afetam milhões de usuários anualmente.
Desde sua inclusão no Registro de Organizadores de Difusão de Informação em dezembro de 2024, o aplicativo deve armazenar conteúdos de conversas por seis meses e metadados por até três anos em servidores russos. O descumprimento leva a penalidades crescentes, com possibilidade de bloqueio integral se as demandas não forem atendidas.
Deputados da Duma Estatal, como Anton Nemkin e Andrey Svintsov, classificaram a proibição como inevitável, argumentando que o serviço representa risco à segurança nacional. Em outubro de 2025, o regulador já havia aplicado multas de 3,5 milhões de rublos ao WhatsApp por falhas na remoção de conteúdos proibidos.

Cronologia das medidas contra mensageiros estrangeiros
A campanha contra plataformas ocidentais ganhou força após a operação militar especial na Ucrânia em 2022, quando a Meta foi declarada extremista. Facebook e Instagram foram bloqueados imediatamente, mas o WhatsApp continuou operando sob escrutínio.
Em agosto de 2025, o Roskomnadzor limitou chamadas de voz e vídeo no WhatsApp e no Telegram, alegando prevenção a fraudes. Usuários relataram degradação gradual na qualidade das ligações, com bloqueios seletivos baseados em materiais de inteligência.
Vários mensageiros sofreram intervenções semelhantes ao longo dos anos. Em 2018, tentativas de bloquear o Telegram causaram colaterais em outros serviços, levando à reversão devido à infraestrutura limitada da época. Hoje, com o Runet soberano em vigor, o controle é mais preciso.
- 2024: Bloqueio de Viber, Discord e Signal por não cooperação.
- Primavera de 2025: Restrições locais em Chechênia e Daguestão para WhatsApp e Telegram.
- Novembro de 2025: Ameaça de bloqueio total ao WhatsApp, com foco em crimes cibernéticos.
Desenvolvimento de alternativas nacionais ganha tração
O governo russo acelera a criação de ecossistemas digitais domésticos para substituir importações. Em julho de 2025, o presidente Vladimir Putin determinou restrições a serviços de países hostis, pavimentando o caminho para o Max.
A plataforma, operada pela subsidiária da VK chamada “Plataforma de Comunicação”, integra funções de mensageiro, governo eletrônico e identificação offline. Usuários poderão assinar contratos e acessar serviços públicos via app, com ênfase em conformidade legal.
Empresas de telecomunicações, como Rostelecom, preveem aceleração na adoção de ferramentas locais. Analistas estimam que o Max atinja 30 milhões de usuários em 2026, beneficiado pelas restrições ao WhatsApp. A transição ocorre de forma gradual, com campanhas de conscientização para minimizar disrupções.
O foco em soberania digital inclui investimentos em infraestrutura para bloquear conteúdos indesejados sem afetar o tráfego geral. Operadoras como MTS e Megafon confirmam ausência de impactos em negócios corporativos, priorizando comunicações seguras.
Reações de usuários e impactos operacionais
Desde o anúncio, plataformas como Downdetector registram picos de 10 mil queixas diárias sobre o WhatsApp na Rússia. Problemas incluem falhas em notificações e atrasos em sincronizações, mais evidentes em redes móveis.
Muitos usuários migram para o Telegram, que detém 91 milhões de acessos mensais, ou para o VK Messenger. No entanto, o WhatsApp persiste como líder, com 97 milhões de usuários em agosto de 2025, segundo dados da Mediascope.
Autoridades recomendam a transição para evitar interrupções, destacando que restrições visam exclusivamente combater crimes. Em regiões rurais, onde o acesso a alternativas é limitado, o impacto pode ser maior, forçando adaptações rápidas.
Experiências regionais com bloqueios prévios
Bloqueios localizados testaram a resiliência da rede russa. Na primavera de 2025, Chechênia e Daguestão viram proibições totais ao WhatsApp, com migração forçada para apps locais.
Essas ações revelaram vulnerabilidades, como dependência de SMS para verificação, que também foram restringidos posteriormente. Usuários relataram uso de VPNs para contornar, embora o regulador intensifique bloqueios a essas ferramentas.
A experiência reforça a estratégia nacional de diversificação, com treinamentos para empresas adaptarem fluxos de trabalho. Em Moscou, testes com o Max mostram integração suave com serviços fiscais, reduzindo tempos de processamento em 40%.
Perspectivas para o ecossistema de comunicação
O Max emerge como hub multifuncional, conectando mensageria a sistemas governamentais. Sua adoção obrigatória em setores públicos acelera o desenvolvimento, com atualizações mensais para adicionar recursos como assinatura digital de documentos.
Especialistas em TI preveem que, até 2026, 70% das comunicações empresariais usem plataformas nacionais, impulsionadas por incentivos fiscais. O Roskomnadzor monitora conformidade, emitindo alertas semanais sobre riscos de não adesão.
A ênfase em armazenamento local de dados atende demandas de segurança, com auditorias regulares para prevenir vazamentos. Essa abordagem equilibra inovação com controle, moldando o futuro digital russo.

