Sábado, 7 de novembro de 2026
Goiás

Mabel barra projeto que punia atletas trans em Goiânia

Sandro Mabel veta projeto sobre atletas trans em Goiânia
Mabel barra projeto que punia atletas trans em Goiânia

Além disso, O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) vetou integralmente o projeto que restringia a participação de atletas trans em competições esportivas oficiais realizadas em Goiânia. Dessa forma, A proposta determinava o sexo registrado na primeira certidão de nascimento como único critério para definir a categoria de cada competidor e previa punições que incluíam exclusão, perda de premiação, suspensão esportiva e multa de até 100 salários mínimos.

Com isso, A decisão consta da mensagem de veto publicada nas páginas 18 a 26 do Diário Oficial do Município de quinta-feira (16). Nesse sentido, O documento reúne as manifestações das secretarias consultadas e o parecer da Procuradoria-Geral do Município, acolhido pelo prefeito. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a atletas trans continuam sendo acompanhados com atenção.

Portanto, de autoria do vereador Coronel Urzêda (PL), o projeto havia sido aprovado em segunda votação pela Câmara Municipal em 23 de junho. Em seguida, conforme a ata da sessão, disponível nos registros oficiais do Legislativo, o único voto contrário foi do vereador Fabrício Rosa (PT). Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de atletas trans nos últimos dias.

De acordo com as apurações, com o veto, as restrições não entram em vigor. A decisão, entretanto, ainda precisa ser analisada pelos vereadores, que poderão mantê-la ou derrubá-la. Especialistas destacam que novas atualizações sobre atletas trans devem surgir em breve.

Punição poderia ser aplicada em dobro

Por outro lado, O projeto previa que cada atleta competisse exclusivamente na categoria correspondente ao sexo registrado na primeira certidão de nascimento. Vale destacar que A verificação ocorreria durante a inscrição, quando os organizadores poderiam exigir documentação comprobatória. Vale ressaltar que os aspectos relacionados a atletas trans continuam sendo acompanhados com atenção.

Sendo assim, O descumprimento resultaria em exclusão da competição, devolução de eventual prêmio e suspensão das atividades esportivas pelo período de seis meses a um ano. Além disso, A multa poderia chegar a 100 salários mínimos e ser aplicada em dobro no caso de reincidência. Esse ponto reforça a repercussão gerada em torno de atletas trans nos últimos dias.

Dessa forma, na justificativa divulgada após a aprovação, Coronel Urzêda sustentou que a medida pretendia proteger a igualdade competitiva, principalmente nas categorias femininas.

O texto, porém, estabelecia uma regra única para todas as competições oficiais realizadas no município. Com isso, não diferenciava modalidades individuais e coletivas, esporte profissional e amador, nem considerava os regulamentos específicos de federações e confederações.

Procuradoria identifica inconstitucionalidade

Segundo a mensagem publicada no Diário Oficial, a Procuradoria-Geral do Município concluiu que a proposta apresentava vícios de inconstitucionalidade e ultrapassava os limites da competência legislativa municipal.

O parecer sustenta que cabe à União editar normas gerais sobre esporte. Também afirma que a Constituição assegura autonomia às entidades responsáveis pela organização e pelo funcionamento das modalidades esportivas.

A Lei Geral do Esporte, citada na análise jurídica, estabelece a inclusão, a liberdade, a participação e a não discriminação entre os princípios da atividade esportiva. Para a Procuradoria, uma lei municipal não poderia substituir as regras técnicas adotadas pelas entidades nacionais e internacionais.

Essa diferença aparece nos próprios regulamentos esportivos. A World Athletics, responsável pelo atletismo mundial, adota critérios específicos para a categoria feminina em competições válidas para o ranking internacional. Outras modalidades mantêm normas diferentes. A diversidade dos regulamentos demonstra que não existe um único critério aplicado indistintamente a todos os esportes.

O parecer anexado ao veto também menciona uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que declarou inconstitucional uma lei semelhante aprovada em São José dos Campos. Conforme a Procuradoria, o tribunal concluiu que o município havia ultrapassado sua competência ao regulamentar matéria submetida às normas nacionais do esporte.

Exposição de informação íntima

A proteção à intimidade aparece entre os principais fundamentos do veto. De acordo com a Procuradoria, o projeto poderia obrigar atletas trans a revelar uma condição pessoal para participar de uma competição.

A análise jurídica considera que o texto transformaria a omissão dessa informação em infração administrativa, mesmo sem comprovação de fraude esportiva. Dessa forma, o acesso ao esporte ficaria condicionado à exposição de um dado relacionado à identidade de gênero.

O parecer também classifica como desproporcionais as penalidades previstas. Além da suspensão por até um ano, o atleta poderia perder a premiação e receber multa de até 100 salários mínimos, com possibilidade de cobrança em dobro.

A Procuradoria cita decisões do Supremo Tribunal Federal que reconhecem a identidade de gênero como expressão dos direitos da personalidade. Também menciona orientações esportivas internacionais que recomendam critérios próprios para cada modalidade, fundamentados em avaliações técnicas e científicas.

Secretarias apresentaram posições diferentes

Antes da decisão do prefeito, o projeto passou pela avaliação de diferentes órgãos municipais. As manifestações estão anexadas à mensagem publicada no Diário Oficial.

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos identificou obstáculos constitucionais, jurídicos e administrativos. A pasta também avaliou que o projeto criava tratamento discriminatório contra pessoas trans.

A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer informou não encontrar impedimentos estritamente técnico-esportivos, mas reconheceu questionamentos constitucionais relacionados à igualdade e à proibição da discriminação.

A Secretaria Municipal de Educação considerou que a proposta buscava promover igualdade entre os competidores, mas alertou para o risco de contestação judicial. Ao final da análise, prevaleceu a recomendação da Procuradoria-Geral pelo veto integral.

Câmara dará a palavra final

O veto retorna agora à Câmara Municipal. Se a maioria dos vereadores mantiver a decisão de Mabel, o projeto será arquivado. Caso o veto seja derrubado, a proposta poderá ser promulgada como lei.

Mesmo nessa hipótese, os fundamentos registrados pela Procuradoria indicam possibilidade de questionamento no Tribunal de Justiça de Goiás. A discussão, portanto, ultrapassa o debate sobre desempenho esportivo e envolve os limites do poder municipal, a autonomia das entidades esportivas, a intimidade e a proteção constitucional contra a discriminação.

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Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.

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Redação Foco Goiás