Foto: Ataque Russo em KIEV- Guerra – Photo by Kostiantyn Liberov/Libkos/Getty Images
Pelo menos 15 pessoas morreram em Kyiv, capital da Ucrânia, em uma recente série de ataques russos que atingiram edifícios residenciais e depósitos. A ofensiva ocorre enquanto o país enfrenta uma crescente escassez de mísseis para seus sistemas de defesa antiaérea, uma vulnerabilidade que o governo ucraniano atribui à diminuição do apoio de aliados ocidentais. As explosões deixaram um rastro de destruição na cidade e intensificaram o apelo das autoridades por mais ajuda internacional.
Mísseis balísticos russos causam destruição sem interceptação
Na última madrugada, blocos de apartamentos e armazéns foram diretamente atingidos, enquanto um hospital infantil e uma escola sofreram danos significativos. Segundo o Serviço de Emergência Estatal da Ucrânia, nenhum dos mísseis balísticos russos utilizados nesta onda de ataques foi interceptado. A falta de capacidade de defesa é crítica, pois os mísseis balísticos são mais rápidos e difíceis de derrubar do que os de cruzeiro ou drones, representando uma ameaça constante às áreas urbanas.
O prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, lamentou a situação em meio aos escombros. “Precisamos de munição, sistemas antimísseis – precisamos de apoio de nossos parceiros”, afirmou Klitschko à imprensa, reforçando a urgência de assistência militar. A Ucrânia tem dependido de suprimentos ocidentais, especialmente mísseis interceptores Patriot dos Estados Unidos, mas os EUA teriam utilizado grande parte de seu estoque durante a guerra no Oriente Médio, impactando diretamente a capacidade de defesa ucraniana.
Zelensky alerta sobre implicações da escassez de defesa
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez uma declaração contundente sobre as consequências da carência de equipamentos. “Enquanto a Ucrânia não tiver anti-balísticos suficientes, a Rússia não pensará seriamente na paz”, disse ele, enfatizando que a capacidade de interceptar mísseis é um fator determinante para qualquer diálogo diplomático. Ele também observou que os interceptores para os sistemas Patriot ainda não foram repostos e são necessários diariamente para salvar vidas.
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Os ataques cortaram o fornecimento de energia para milhares de propriedades, mergulhando partes da região de Kyiv na escuridão, evidenciando a estratégia russa de atingir infraestruturas civis. Em uma escola no distrito de Solomyanski, as janelas foram arrancadas e os campos de jogo ficaram cobertos de detritos, enquanto uma despensa próxima, que servia como lavanderia e casa de caldeiras para aquecer apartamentos vizinhos, foi completamente destruída.
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Relatos de civis atingidos pela violência e o impacto psicológico
A onda de ataques trouxe histórias de desespero e resiliência entre os moradores de Kyiv. Anastasiia Kovtun, professora do ensino fundamental, teve seu apartamento destruído e descreveu o terror de ouvir as explosões enquanto se abrigava. “É tão assustador perceber que é a sua casa, você nunca pensa que será o próximo”, desabafou ela.
Outro caso é o de Valeria Bondaruk, que se mudou para Kyiv buscando segurança após sua casa no sul da Ucrânia ser bombardeada. Agora, ela foi forçada a deixar sua casa pela segunda vez e expressa preocupação com o futuro de sua filha de 13 anos, considerando a possibilidade de deixar a Ucrânia permanentemente. Esses testemunhos ressaltam o pesado custo humano da guerra.
O que mais se sabe sobre a ofensiva russa e as defesas ucranianas
Os ataques mais recentes em Kyiv começaram por volta da meia-noite, com sirenes de ataque aéreo soando pela cidade antes do impacto dos mísseis. Além da capital, outras regiões também foram afetadas:
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- Brovary e Boryspil: Um homem foi morto e sete pessoas ficaram feridas em ataques nesses distritos da região metropolitana de Kyiv.
- Donetsk: Um civil perdeu a vida e 11 ficaram feridos, conforme informações de um oficial local.
A Força Aérea Ucraniana indicou que os mísseis balísticos russos não foram interceptados nesta rodada de ataques, o que levanta preocupações sobre a capacidade de defesa do país. O vice-chefe de inteligência da Ucrânia afirmou que a Rússia está planejando esse tipo de ataque antes do inverno para dificultar a vida da população, sugerindo uma estratégia contínua de desgaste.
Confrontos aéreos persistem e diplomacia segue estagnada
O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter utilizado armas aéreas, terrestres e marítimas para atingir instalações militares e armazéns na Ucrânia. Paralelamente, o ministério informou que 726 drones ucranianos foram abatidos após serem lançados contra várias regiões da Rússia. Nas últimas semanas, ambos os lados intensificaram seus ataques aéreos, resultando em dezenas de mortes.
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Enquanto a Ucrânia intensifica seus próprios ataques contra a Rússia, incluindo ofensivas com centenas de drones em Moscou, os esforços diplomáticos para um cessar-fogo permanecem com pouco avanço. Ambas as nações continuam a se acusar mutuamente de mirar em alvos civis, prolongando um conflito que começou em fevereiro de 2022 e que mantém a Rússia no controle de aproximadamente um quinto do território ucraniano, principalmente nas regiões fronteiriças do leste.

