A empresa WLJC Consultoria e Gestão Empresarial Ltda, do jogador Willian Bigode, apresentou à Justiça documentos que detalham sucessivos resultados financeiros negativos e receitas brutas decrescentes, acumulando prejuízos que se aproximam de R$ 1 milhão.
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A informação consta na decisão da última terça-feira (24/2) em que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) concedeu à empresa de Bigode a Justiça gratuita no processo que envolve o lateral Mayke, ex-companheiro de William no Palmeiras. A reportagem do Metrópoles teve acesso aos autos do processo.
Relembre
- O conflito teve origem quando os atletas ainda eram colegas de clube no Palmeiras.
- Na época, Mayke e o também meia Gustavo Scarpa investiram cerca de R$ 10,4 milhões na operadora Xland Gestora de Investimentos, sob indicação da WLJC Consultoria, empresa de assessoria financeira pertencente à Bigode.
- A promessa era de retornos mensais de até 5% sobre o capital investido.
- Contudo, ao tentarem resgatar os valores em 2022, os jogadores não obtiveram sucesso, o que desencadeou uma batalha jurídica que se estende até hoje.

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Os jogadores Willian Bigode (à esq.), Mayke (ao centro) e Gustavo Scarpa no período em que jogavam pelo Palmeiras
Divulgação/Palmeiras

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Mayke
Miguel Schincariol/Getty Images

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O lateral Mayke também está entre as vítimas
Cesar Greco/Palmeiras

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William Bigode
Mourão Panda/ América-MG
Na primeira instância, Mayke ganhou a restituição dos valores investidos na empresa indicada por Bigode. Tendo em vista o revés, a defesa de William entrou com um recurso para reverter a decisão.
No entanto, para que a Justiça analise o recurso, Bigode, a esposa e WLJC Consultoria precisam pagar uma “taxa judicial” de R$ 106.080,00. Como pessoa física, William não conseguiu a gratuidade na Justiça, mas sua esposa e sua empresa conseguiram.
Bigode já quitou o valor, pagando em 10 parcelas de R$ 10,6 mil.
A empresa provou estar em situação crítica, com prejuízos de R$ 1 milhão e apenas R$ 50 mil em caixa, ganhando assim o direito à Justiça gratuita. Loisy Maria, esposa de Bigode, também ganhou a gratuidade por ser dependente financeiramente do marido.
A sócia do jogador também fez a solicitação para não pagar o recurso, mas teve o pedido negado porque a Justiça descobriu que ela possui um patrimônio líquido de R$2,3 milhões e padrão de vida elevado.
Dívidas
Ao conceder a gratuidade à empresa de Bigode, o TJSP definiu que a consultoria está em um quadro de “hipossuficiência econômico-financeira”.
O capital próprio da sociedade é considerado amplamente negativo, o que significa que o valor de suas obrigações supera o de seus bens e direitos.
O passivo circulante (dívidas de curto prazo) da empresa é superior a R$ 1.000.000,00. Essas dívidas estão concentradas em débitos com o próprio Bigode, com empresas do mesmo grupo econômico e em provisões para processos judiciais.
Em contraste com a dívida milionária, a empresa fechou 2024 com apenas R$ 50.000,00 em caixa e um ativo circulante total de pouco mais de 112.000,00. Ativo circulante total representa a soma de todos os bens e direitos de uma empresa conversíveis em dinheiro no curto prazo, geralmente até 12 meses.
Para comprovar a atual situação financeira, a WLJC Consultoria enviou os balanços patrimoniais e demonstrações de resultado dos exercícios de 2022, 2023 e 2024, balancete parcial de 2025, escrituração fiscal e extratos bancários.
“O valor do preparo fixado em R$ 106.080,00 praticamente esgota o ativo circulante, representando encargo desproporcional para sociedade já descapitalizada, com capital próprio negativo e fluxo de caixa insuficiente. Esse conjunto de dados contábeis demonstra, com segurança, a impossibilidade de a pessoa jurídica arcar com o preparo recursal sem grave comprometimento de sua própria atividade, de forma que se reconhece sua condição de hipossuficiência para fins do artigo 98 do Código de Processo Civil”, definiu a juíza Ana Luiza Villa Nova.
Interlocutores ligados à Bigode detalham que a decisão expõe que o atleta também foi vítima do golpe milionário.

