Após falar em mudança de sede, Instituto Delta Proto de Rio Verde diz que pedirá autofalência

Redação
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Após falar em mudança de sede, Instituto Delta Proto de Rio Verde diz que pedirá autofalência

O Instituto Delta Proto de Rio Verde, em crise financeira contraída pela empresa após a prisão do delegado Dannilo Proto e da esposa dele, Karen Proto, divulgou uma nota informando que fará a solicitação de autofalência desta instituição. O comunicado público foi publicado no perfil da unidade de ensino no sábado (21). Anteriormente, a escola disse apenas que mudaria de sede e administrativa.

Dannilo e Karen são investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, por suspeita de desvio de recursos públicos, fraude em concursos e contratos educacionais, além de coação. No último dia 13, o Instituto Delta Proto convocou alunos para retirar documentos em meio a um processo de esvaziamento. Estudantes revelaram com exclusividade ao Mais Goiás que foram chamados com promessa de atendimento entre as 14h e 18h, mas se depararam com um caminhão de mudanças já carregado com os itens da instituição. Apenas sete matriculados foram atendidos. Na época, a defesa informou que a escola passava por uma transição administrativa e mudança de sede.

No fim de semana, contudo, disse que, “após exaustivas análises e consideração de todas as alternativas possíveis, as circunstâncias atuais tornaram insustentável a continuidade de suas operações e a manutenção de suas atividades. Diante de dificuldades intransponíveis, o Instituto Delta Proto não possui mais as condições necessárias para permanecer aberto e funcionando”.

Disse, ainda, que “a decisão de requerer a autofalência foi tomada como o único caminho viável para gerenciar de forma responsável os compromissos existentes e garantir a transparência no encerramento das atividades da instituição”. E ainda: “Compreendemos o impacto desta decisão e nos colocamos à disposição para os esclarecimentos necessários dentro dos trâmites legais e processuais que serão estabelecidos.”

Confira o comunicado na íntegra:

“À Comunidade em Geral, Parceiros, Colaboradores e Credores do Instituto Delta Proto.

O Instituto Delta Proto, por meio de sua diretoria, vem a público comunicar, com profundo pesar, que fará a solicitação de autofalência desta instituição. Após exaustivas análises e consideração de todas as alternativas possíveis, as circunstâncias atuais tornaram insustentável a continuidade de suas operações e a manutenção de suas atividades. Diante de dificuldades intransponíveis, o Instituto Delta Proto não possui mais as condições necessárias para permanecer aberto e funcionando.

A decisão de requerer a autofalência foi tomada como o único caminho viável para gerenciar de forma responsável os compromissos existentes e garantir a transparência no encerramento das atividades da instituição. A diretoria e toda a equipe do Instituto Delta Proto expressam sua sincera gratidão a todos que, ao longo dos anos, apoiaram nossa missão, nossos projetos e contribuíram para nossa existência. Compreendemos o impacto desta decisão e nos colocamos à disposição para os esclarecimentos necessários dentro dos trâmites legais e processuais que serão estabelecidos.

Informações adicionais sobre o processo de falência e os próximos passos serão divulgadas conforme as determinações judiciais. Agradecemos a compreensão de todos neste momento desafiador.

Atenciosamente, A Diretoria do Instituto Delta Proto”

Escândalo colapso administrativo

A situação crítica do Instituto Delta Proto não é recente, mas a crise se aprofundou drasticamente após a prisão de seus proprietários, o delegado Dannilo Proto e sua esposa, Karen Proto. O reflexo direto das investigações chegou às salas de aula e resultou no encerramento abrupto das turmas de Radiologia e Necropsia nno último dia 10, gerando revolta entre os estudantes. Além do impacto pedagógico, a unidade lidava com possibilidade de despejo, em razão dos atrasos persistentes no pagamento de aluguel e serviços básicos, como água e luz.

O cenário de abandono atinge até mesmo quem já finalizou os estudos; há diversos relatos de alunos que concluíram a carga horária, mas nunca tiveram acesso ao estágio obrigatório ou sequer receberam seus diplomas, ficando sem saber como agir diante da atual situação jurídica dos donos da instituição.

Dívidas e crise financeira

Procurado para esclarecer os fatos, o advogado Cil Farney, que representa o delegado Dannilo Proto, afirmou que a empresa está realizando uma auditoria interna para apurar os dividendos referentes aos diplomas e à permanência dos alunos nos cursos. Segundo o defensor, a diretoria estaria “reunida e empenhada em resolver todas as pendências”, embora o cenário encontrado pelos alunos no local nesta sexta-feira sugira um encerramento desordenado das operações.

Mais Goiás procurou a administração do Instituto Delta Proto e a defesa dos proprietários em busca de esclarecimentos sobre o atendimento aos alunos e o futuro da instituição. Em nota, o advogado da antiga gestão afirmou que o instituto passa por um processo de transição administrativa e mudança de endereço, garantindo que todas as obrigações assumidas serão cumpridas. No entanto, os nomes dos novos gestores ainda não foram divulgados.

Leia na íntegra a nota anterior da defesa:

“Em relação a preocupação com a movimentação recente na sede do Instituto Delta Proto. O que posso te garantir é que o Instituto está, de fato, passando por uma fase de transição, que inclui mudanças em sua gestão e também de localização.

Essa realocação e as mudanças administrativas são parte de um processo natural de reestruturação interna.

Quero assegurar que conforme dizeres da instituição, todos os compromissos e responsabilidades assumidos pelo Instituto serão rigorosamente cumpridos, sem qualquer interrupção prolongada.

Sobre os novos gestores e detalhes mais específicos desse processo, no momento, não estou autorizado a divulgá-los.

Assim que for o momento adequado, e em total transparência, a nova direção fará as comunicações necessárias.

Como advogado dos antigos gestores, continuo à disposição para repassar informações conforme orientações da antiga gestão.

Agradecemos a compreensão neste período de ajustes.”

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