Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, avaliou que a eliminação para a Croácia na Copa do Mundo de 2022 resultou mais de um episódio de azar do que de falhas táticas graves. Em entrevista exclusiva publicada nesta terça-feira, o treinador italiano detalhou sua visão sobre as duas últimas campanhas do Brasil em Mundiais, ambas encerradas nas quartas de final. Ele enfatizou a necessidade de atenção redobrada nessa fase, que tem se mostrado particularmente desafiadora para a equipe nacional ao longo da história.
O comandante destacou o gol de empate croata na prorrogação, que definiu o rumo para os pênaltis e a despedida brasileira no Qatar. Ancelotti observou que o lance envolveu um desvio infeliz, próximo de um gol contra, e reforçou que elementos de sorte podem influenciar resultados em momentos decisivos.
A Seleção Brasileira abriu o placar na prorrogação com Neymar, mas sofreu o empate minutos depois, levando a decisão para as penalidades, onde prevaleceu a Croácia. Essa partida, disputada em 9 de dezembro de 2022 no Estádio Educação City, marcou a segunda eliminação consecutiva nas quartas para o Brasil.
Análise detalhada da partida contra a Croácia
Ancelotti concentrou parte de suas declarações no confronto contra os croatas, considerado por muitos como um dos mais equilibrados das quartas de final daquela edição. O treinador explicou que, nos minutos finais de jogos eliminatórios, as equipes priorizam a defesa e o afastamento da bola da área, o que aumenta a probabilidade de lances imprevisíveis.
Ele mencionou especificamente o toque de Marquinhos no lance do empate, classificando-o como um episódio de má sorte que condenou o Brasil. Essa visão contrasta com análises que apontavam erros defensivos coletivos, mas Ancelotti defendeu que o futebol inclui margens estreitas de acerto e erro.
Quartas de final como fase recorrente de desafios
O técnico italiano alertou que as quartas de final representam um mata-mata especialmente duro para a Seleção Brasileira. Ele observou que o Brasil foi eliminado diversas vezes nessa etapa ao longo das últimas décadas, tornando-a mais crítica do que muitos imaginam.
Ancelotti comparou a importância dessa fase às oitavas e à própria final, afirmando que chegar à decisão já seria um êxito significativo. No entanto, superar as quartas exige concentração máxima, pois historicamente tem sido o ponto de interrupção para campanhas brasileiras.
O treinador reforçou que, apesar da percepção comum de que a final é o jogo principal, as etapas anteriores definem o caminho. Ele destacou a necessidade de preparação específica para evitar repetições de eliminações nessa fase.
Histórico brasileiro nas quartas de final
A Seleção Brasileira acumula um retrospecto marcado por eliminações nas quartas em várias edições da Copa do Mundo. Desde a adoção do formato atual com mata-mata a partir das oitavas, o Brasil enfrentou dificuldades recorrentes nessa etapa intermediária.
Entre os casos mais lembrados estão as derrotas para a França em 2006, para a Holanda em 2010 e para a Bélgica em 2018. Essas partidas compartilharam características de domínio parcial brasileiro seguido de reversões inesperadas.
- 2006: Eliminação por 1 a 0 para a França, com gol de Thierry Henry.
- 2010: Derrota por 2 a 1 para a Holanda, após vantagem inicial.
- 2018: Revés por 2 a 1 contra a Bélgica, com gols contra e de De Bruyne.
- 2022: Pênaltis após empate com a Croácia.
Esse padrão reforça o alerta de Ancelotti sobre a necessidade de maior resiliência nessas partidas.
Comparação com derrota recente para o Japão
Ancelotti também abordou a derrota por 3 a 2 para o Japão em amistoso disputado em outubro de 2025, no Estádio Nacional de Tóquio. O Brasil vencia por 2 a 0 no intervalo, mas sofreu virada no segundo tempo, marcando a primeira derrota histórica para os japoneses.
O treinador minimizou comparações com traumas de Copas, afirmando que desempenhos ruins decorrem de erros naturais do futebol, não necessariamente de atitude inadequada. Ele defendeu que falhas individuais, como as ocorridas na defesa, fazem parte do jogo e devem ser compreendidas como aprendizado.
A partida contra o Japão serviu como exemplo de como vantagens consolidadas podem se desfazer rapidamente. Ancelotti destacou a importância de manter o foco até o apito final, independentemente do placar.
Preparação para a Copa do Mundo de 2026
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, Ancelotti utiliza análises de campanhas passadas para moldar o trabalho atual na Seleção Brasileira. O treinador, que assumiu o comando em 2025, já realizou diversas convocações e testes em datas Fifa.
Ele enfatizou a construção de um elenco equilibrado, capaz de lidar com pressão em fases eliminatórias. O italiano mencionou a observação detalhada de vídeos das eliminações recentes para identificar padrões e correções necessárias.
A meta clara é romper o ciclo de quedas precoces e posicionar o Brasil como contender ao hexa. Ancelotti aposta em defesa sólida como base para avançar além das quartas.
Declarações sobre erros e atitude no futebol
Ancelotti adotou tom sereno ao discutir momentos de instabilidade da equipe. Ele rejeitou dramatizações excessivas, afirmando que equipes jogam mal simplesmente porque cometem erros, elemento inerente ao esporte.
O treinador defendeu que compreensão desses lapsos ajuda no desenvolvimento coletivo. Essa abordagem reflete sua experiência em clubes europeus, onde lidou com pressões semelhantes em competições de alto nível.
Contexto atual do comando técnico
Ancelotti chegou à Seleção Brasileira com contrato até o fim da Copa de 2026, tornando-se o primeiro estrangeiro a comandar a equipe em Mundiais. Sua trajetória inclui títulos em ligas europeias e Champions League, trazendo bagagem para o projeto do hexa.
Apesar de rumores sobre possível retorno ao Real Madrid, o foco permanece na preparação brasileira. O treinador já utilizou dezenas de jogadores em convocações, buscando o grupo ideal para o torneio norte-americano.
Lições extraídas das últimas campanhas
As eliminações de 2018 e 2022 deixaram ensinamentos valiosos para o ciclo atual. Ancelotti identificou a necessidade de maior controle emocional nos minutos finais de partidas equilibradas.
Ele apontou que lances isolados, influenciados por sorte ou azar, podem definir trajetórias em Copas. Essa percepção orienta treinamentos específicos para cenários de pressão alta.
O italiano mantém otimismo quanto à capacidade do elenco de superar obstáculos históricos. A integração de jovens talentos com veteranos forma a base de sua estratégia.
Perspectiva para fases eliminatórias futuras
Ancelotti reforça que o sucesso em Copas depende de desempenho consistente nas oitavas e quartas de final. Ele considera essas etapas mais determinantes do que a final propriamente dita.
O treinador planeja simulações de jogos decisivos nos próximos preparatórios. Essa metodologia visa acostumar os jogadores a situações de alta tensão.
A Seleção Brasileira segue em fase de ajustes, com amistosos e Eliminatórias servindo como laboratório. O objetivo central permanece o título em 2026.

