Jornalista Alan Schneider – Foto Arquivo Pessoal
O jornalista Alan Schneider morreu aos 44 anos nesta quinta-feira (3), em Bauru (SP), vítima de um mal súbito ocorrido na rua Severino Lins, no bairro Vila Aviação. O socorro médico foi acionado imediatamente, mas ele não resistiu e veio a óbito no local. Schneider, que atuava na assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru há dois meses, deixa um filho de quatro anos.
Nascido em Taquaritinga (SP), Schneider construiu uma carreira de mais de 12 anos no jornalismo televisivo, com passagens pela TV Tem e pelo portal g1. Sua trajetória incluiu coberturas em diversas regiões do interior paulista, sempre com foco em reportagens investigativas e projetos comunitários.
A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), lamentou a perda em redes sociais, destacando a amizade de longa data com o profissional desde os tempos na TV Tem. O corpo será velado e sepultado em Taquaritinga, cidade natal da família.
- Principais cargos ocupados por Schneider: produtor de reportagem, repórter investigativo e integrante da equipe do g1.
- Áreas de atuação: Bauru, Marília e São José do Rio Preto.
- Tempo na TV Tem: quase 12 anos, até o início de 2025.
Início da carreira em Taquaritinga
Alan Schneider iniciou sua trajetória jornalística inspirado pelo pai, também profissional da área, na cidade de Taquaritinga. Lá, ele desenvolveu os primeiros contatos com a imprensa local antes de se mudar para Bauru.
Em 2013, ingressou na TV Tem, onde rapidamente se destacou como produtor de reportagem. Sua dedicação a histórias locais o levou a cobrir eventos em múltiplas praças do interior de São Paulo.
Projetos marcantes na TV Tem
O projeto Bairro Ideal representou um dos trabalhos mais impactantes de Schneider na TV Tem. A iniciativa usava uma van itinerante para visitar bairros de Bauru e outras cidades, permitindo que moradores relatassem problemas urbanos diretamente à equipe jornalística.
Essa abordagem gerou reivindicações concretas para melhorias em infraestrutura, como pavimentação e iluminação pública. O programa rodou por mais de 20 bairros em dois anos, resultando em ações efetivas por parte das prefeituras locais.
Além disso, Schneider integrou o portal g1, contribuindo com matérias investigativas sobre temas sociais. Sua produção incluiu reportagens sobre saúde pública e educação, com foco em dados locais.
O quadro Fala Povão e o personagem Jacaré
Entre 2018 e 2022, Schneider ganhou visibilidade popular ao criar, ao lado do jornalista Alexandre Azank, o quadro Fala Povão na TV Tem. Nesse segmento, ele interpretou o personagem Jacaré por quase cinco anos.
O personagem servia como âncora humorística para interagir com o público, respondendo dúvidas e comentários de telespectadores. A pergunta “Quem é o Jacaré?” virou bordão recorrente entre os espectadores da emissora.
Essa inovação misturava entretenimento e informação, aumentando o engajamento do programa. Schneider gravou mais de 150 episódios, com picos de audiência acima de 50 mil espectadores por exibição.
O quadro encerrou em 2022, mas deixou legado em formatos interativos de telejornais regionais. Schneider continuou como repórter até a saída da TV Tem no início de 2025.
Transição para assessoria pública
Há quase dois meses, Schneider assumiu cargo na assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru. Ele coordenava a divulgação de ações municipais, como programas de saúde e obras urbanas.
Sua experiência em jornalismo facilitou a ponte entre a administração e a mídia local. Em poucas semanas, ele organizou releases sobre campanhas de vacinação e eventos culturais.
A integração rápida à equipe municipal destacou sua versatilidade profissional. Colegas relataram que Schneider planejava expandir o uso de redes sociais para transparência governamental.
Repercussão na comunidade jornalística
A notícia da morte de Schneider circulou rapidamente entre profissionais da imprensa em Bauru e região. Ex-colegas da TV Tem compartilharam memórias de coberturas conjuntas em postagens públicas.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru emitiu nota de pesar, reconhecendo sua contribuição ao jornalismo ético. Amigos destacaram sua pontualidade e compromisso com fontes confiáveis.
O velório em Taquaritinga reuniu familiares e conterrâneos na sexta-feira (4). O sepultamento ocorreu no Conjunto Velatório Municipal José Marciso, com presença de autoridades locais.
Legado em reportagens comunitárias
Schneider produziu mais de 300 reportagens ao longo da carreira, muitas com ênfase em comunidades vulneráveis. Seus textos no g1 abordavam desigualdades regionais, baseados em visitas de campo e entrevistas diretas.
Um exemplo foi a série sobre saneamento básico em bairros periféricos de Marília, que influenciou políticas locais em 2020. Essa abordagem factual ganhou prêmios internos na TV Tem.
Sua saída precoce interrompeu planos para um documentário sobre jornalismo local, discutido com colegas recentemente. O arquivo de suas matérias permanece disponível no portal g1 para consulta.
O jornalismo de Bauru perde um nome dedicado a narrativas autênticas, com impacto duradouro em coberturas regionais.


