Uma praça em Buenos Aires se tornou palco de um encontro peculiar para adolescentes em 22 de fevereiro de 2026. Jovens, alguns com máscaras realistas de animais, como Sofía, que se movimentava como um beagle, e Aguara, de 15 anos, que simulava os saltos de um cão belga, se reuniram. Outros participantes, fantasiados de felinos e raposas, preferiam o alto das árvores, observando o ambiente.
O evento foi um dos mais recentes encontros de “terianos”, pessoas que se identificam mental, espiritual ou psicologicamente com seres não humanos. Esse movimento viralizou nas redes sociais argentinas, especialmente no TikTok, onde a #therian acumulou mais de 2 milhões de postagens. A Argentina se destaca como líder de engajamento na América Latina nesse fenômeno. A rápida ascensão gerou diferentes respostas, desde humor e confusão até indignação.
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Com a expansão do movimento, profissionais da psicologia começam a investigar o fenômeno, buscando compreender seu impacto e posicionamento na sociedade.
Aguara, que se vê como uma pastora belga malinois e calcula sua idade em dois anos e dois meses caninos, descreve-se como uma adolescente comum.
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“Acordo como uma pessoa normal e vivo minha vida como uma pessoa normal”, afirmou. “Simplesmente tenho momentos em que gosto de ser um cachorro.”
Como líder de seu “grupo”, Aguara, nome pelo qual é conhecida, conta com mais de 125 mil seguidores no TikTok e promove reuniões periódicas em Buenos Aires.
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No mesmo encontro, Aru, de 16 anos, que usava uma máscara de foca, explicou fazer parte da vertente “otherpaw” dos terianos. Esse grupo inclui pessoas que utilizam máscaras e caudas ou se movimentam de quatro apenas por lazer. “Não se trata necessariamente de se identificar como um animal”, disse Aru.
Aru atribui a popularidade da tendência teriana na Argentina ao clima de “liberdade” do país. Para muitos jovens argentinos, o movimento se tornou uma comunidade vital, oferecendo um espaço de aceitação genuína.
Como os psicólogos veem a identificação de jovens com animais?
Débora Pedace, psicóloga e diretora do Centro Terapêutico Integral de Buenos Aires, observou que o fenômeno provoca uma gama de reações, incluindo perplexidade, humor e até irritação.
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“Do ponto de vista psicológico, trata-se de uma identificação simbólica com um animal”, afirmou Pedace. A especialista completou que a situação se torna “patológica ou alarmante quando se transforma em uma crença profundamente enraizada e a pessoa assume completamente o papel do animal, podendo levar à automutilação ou a ferir outras pessoas.”

