Além disso, um estudo conduzido na Abadia de Westminster, em Londres, concluiu que o esqueleto encontrado há mais de 150 anos dentro de um sarcófago romano pertence a um abade medieval do período anglo-saxão tardio. A pesquisa, assinada pelo professor e arqueólogo consultor da instituição, Warwick Rodwell, foi divulgada na terça-feira (20) no periódico científico Journal of the British Archaeological Association, com nota oficial publicada pela abadia nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026.
As análises apontam que o túmulo romano foi reutilizado séculos após sua criação para sepultar um líder religioso de alta patente, provavelmente o abade Aelfwig ou o seu sucessor imediato, Wulnoth. “Ninguém de posição inferior teria sido enterrado em algo assim. Dessa forma, A cruz latina aponta novamente para um importante membro do clero”, afirmou Warwick Rodwell, em tradução livre.
Quem foi enterrado no sarcófago romano da Abadia de Westminster?
Com isso, para identificar a época em que o ocupante do túmulo viveu, uma amostra dos restos mortais foi submetida a exames de datação por radiocarbono no Centro de Pesquisa Ambiental das Universidades Escocesas (Scottish Universities Environmental Research Centre, instituição acadêmica de análises geocronológicas e ambientais). Nesse sentido, O cruzamento desses resultados laboratoriais com os registros históricos do mosteiro beneditino permitiu a Warwick Rodwell restringir a identidade do esqueleto a apenas dois líderes religiosos que comandaram a igreja londrina na virada do primeiro milênio.
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Em seguida, os dados cronológicos da sepultura e dos dois candidatos apontados pela investigação arqueológica abrangem os seguintes períodos:
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- 300 a 400 d.C.: intervalo aproximado em que viveu o britânico rico Valerius Amandinus, destinatário original do sarcófago no período romano.
- 987 a 1052 d.C.: época em que o homem do esqueleto morreu, segundo a margem comprovada pela datação por radiocarbono.
- 993 a cerca de 1020: período em que Aelfwig atuou como abade (superior espiritual e administrador de um mosteiro cristão) até o ano aproximado de sua morte.
- 1049: ano da morte do abade Wulnoth, sucessor de Aelfwig na liderança religiosa local.
De acordo com o autor do estudo, a trajetória prévia de Aelfwig dentro da própria comunidade religiosa faz dele o nome mais forte para ser o ocupante da estrutura de pedra. “Temos dois candidatos viáveis para o ocupante do sarcófago. Não sabemos a data de nascimento de nenhum deles. Mas qualquer um se encaixaria igualmente bem se presumirmos que o abade tinha pouco mais de 20 anos quando a nomeação foi feita e perto dos 50 quando morreu. O fato de Aelfwig já ser um monge de Westminster pode favorecê-lo”, declarou Rodwell, em tradução livre.
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A confirmação definitiva de qual dos dois abades está no túmulo, porém, permanece em aberto. Não é possível cravar a identidade exata entre Aelfwig e Wulnoth porque não existem inscrições medievais no local, registros documentais da data de nascimento dos religiosos ou amostras de DNA disponíveis para comparação genética.
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Análise óssea na Abadia de Westminster corrige dados do século 19
O estado físico do homem sepultado foi detalhado pelo bioarqueólogo e especialista em ossos humanos James Young Langthorne, da empresa britânica de arqueologia Pre-Construct Archaeology (PCA). O trabalho de revisão anatômica descartou as estimativas feitas no século 19 — que atribuíam os restos mortais a um indivíduo de 1,70 m de altura e idade máxima de 30 anos — e revelou problemas de saúde crônicos identificados após a abertura do túmulo para conservação.
As características biológicas e patológicas confirmadas nos ossos do abade incluem:
- Faixa etária ao morrer: entre 35 e 49 anos.
- Estatura aproximada: cerca de 1,75 m (equivalente a 5 pés e 9 polegadas no sistema imperial britânico).
- Doenças articulares registradas: sinais de osteoartrite e de gota nos ossos.
- Traumas físicos antigos: duas fraturas cicatrizadas localizadas nas costelas.
Reutilização do túmulo de Valerius Amandinus na Abadia de Westminster
O sarcófago foi esculpido originalmente em pedra calcária de Oxfordshire durante o domínio romano na Britânia. A peça traz na lateral uma inscrição em latim dedicada a Valerius Amandinus, encomendada pelos filhos dele, Valerius Superventor e Marcellus. O texto original diz, em tradução para o português: “Em memória de Valério Amandino.
Valério Superventor e Marcelo fizeram isto para seu pai”. No fim do período saxão, entre os séculos 10 e 11, a tampa da estrutura foi reesculpida com uma grande cruz latina, e o corpo do abade medieval foi depositado primeiro em um caixão de madeira antes de ser inserido na caixa de pedra.
A história moderna da peça teve início em 1820, quando trabalhadores encontraram o túmulo acidentalmente durante escavações no lado norte da igreja e quebraram a tampa em seis pedaços. A estrutura passou por reparos e teve sua escavação formal registrada em 1869, na área denominada North Green da Abadia de Westminster. Segundo a pesquisa de Rodwell, o sarcófago reutilizado ficou originalmente enterrado no braço leste da igreja, onde a tampa servia como laje de piso, até ser desenterrado e sepultado outra vez durante as obras conduzidas pelo rei Henrique III, cujo reinado ocorreu de 1216 a 1272.
Reaberto em 2016 para os trabalhos de conservação que permitiram a coleta das amostras analisadas pela Pre-Construct Archaeology, o sarcófago romano encontra-se em exibição pública para os visitantes nas galerias Queen’s Diamond Jubilee Galleries da Abadia de Westminster. “É como muitas coisas na arqueologia. Há muito mais complexidade do que se vê inicialmente”, concluiu Rodwell.
Para mais detalhes e apuração completa, consulte a fonte da notícia.
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