Trump comuta pena de George Santos e libera ex-deputado filho de brasileiros de prisão federal

George Santos

George Santos – Foto: Philip Yabut / Shutterstock.com

Trump assinou na sexta-feira (17) a comutação da pena do ex-deputado federal George Santos, filho de imigrantes brasileiros, determinando sua liberação imediata da prisão federal em Nova Jersey. Santos cumpria sentença de sete anos por fraude eletrônica e roubo de identidade, crimes admitidos em acordo judicial no início de 2025. A decisão ocorre em Washington, motivada pelo alegado tratamento severo sofrido pelo político durante o confinamento. O republicano de Nova York serviu menos de três meses antes da intervenção presidencial.

A ação de Trump encerra um capítulo marcado por controvérsias no Congresso americano. Santos enfrentou expulsão da Câmara em dezembro de 2023, após revelações sobre mentiras em sua biografia de campanha. Ele conquistou o cargo em 2022, representando um distrito no Queens e Long Island, tradicionalmente democrata.

Autoridades penitenciárias confirmaram a saída de Santos na madrugada de sábado (18). O ex-parlamentar não comentou publicamente a medida até o momento.

Trajetória de Santos no Congresso

Santos assumiu o mandato em janeiro de 2023, prometendo defesa de valores conservadores. Sua campanha arrecadou fundos por meio de doações que depois se revelaram fictícias, levando a investigações federais. Em poucos meses, reportagens expuseram inconsistências em seu currículo, incluindo alegações falsas sobre educação e carreira financeira.

O escândalo ganhou repercussão nacional quando se descobriu o uso de identidades roubadas para sustentar despesas eleitorais. Santos admitiu os fatos em corte federal de Nova York, concordando com multas de US$ 580 mil.

Detalhes da condenação e acordo

A Justiça federal sentenciou Santos em abril de 2025, fixando o início da pena para 25 de julho. Promotores pediram rigor devido à gravidade dos crimes, que afetaram pelo menos dez vítimas, incluindo parentes.

  • Fraude eletrônica: Criação de contribuições falsas para relatórios da Comissão Eleitoral Federal.
  • Roubo de identidade: Uso de dados pessoais para transações bancárias e cartões de crédito.
  • Lavagem de dinheiro: Transferências para contas pessoais disfarçadas como doações políticas.

Santos enviou carta ao tribunal expressando remorso, mas classificou a pena como excessiva. O juiz rejeitou pedido de redução para dois anos, citando falta de demonstração clara de arrependimento.

O acordo evitou julgamento completo, acelerando o processo em 2024.

George Santos
George Santos – Foto: lev radin / Shutterstock.com

Justificativa de Trump para a comutação

Trump publicou na rede Truth Social que Santos sofreu maus-tratos, incluindo longos períodos em solitária. O presidente comparou o caso a outros escândalos políticos, argumentando desigualdade no sistema penal.

A medida não anula a condenação, mas suspende o restante da prisão. Santos mantém obrigação de restituir valores às vítimas, agora reduzidos para US$ 370 mil pela decisão.

Essa clemência integra ações de Trump em seu segundo mandato, que incluem perdões a cerca de 1.500 envolvidos nos eventos de 6 de janeiro de 2021.

Histórico de fraudes na campanha de 2022

Campanha de Santos gerou mais de US$ 250 mil em irregularidades reportadas. Doadores reais foram enganados com promessas de reembolso que nunca ocorreram.

Ex-tesoureira Nancy Marks cooperou com investigações, revelando fabricação de registros eleitorais. Santos enfrentou despejos e dívidas pessoais antes da eleição, contrastando com imagem de sucesso projetada.

  • Mentiras sobre formação: Alegou graduação em NYU, sem comprovação.
  • Carreira falsa: Citou empregos em Goldman Sachs e Citigroup, inexistentes.
  • Herança inventada: Afirmou avós judeus sobreviventes do Holocausto, desmentido por família.

Esses elementos levaram a comitês éticos no Congresso a recomendar expulsão.

Origens brasileiras e impacto na comunidade

Filho de imigrantes do Brasil, Santos nasceu em Nova York em 1988. Seus pais se mudaram nos anos 1980, buscando oportunidades econômicas.

A notícia da liberação repercutiu entre comunidades luso-brasileiras nos EUA, com debates sobre representação política. Santos usou herança em campanha para atrair eleitores latinos.

Clemência presidencial em casos políticos

Trump ampliou uso de poderes executivos desde janeiro de 2025. Em maio, perdoou ex-congressista Michael Grimm por evasão fiscal.

Outros beneficiados incluem aliados em investigações de corrupção. A Casa Branca enfatiza critérios de remorso e serviço público, sem detalhes sobre Santos.

Advogados de Santos agradeceram à equipe do Departamento de Justiça, incluindo o procurador de perdões Ed Martin.

A comutação exige supervisão pós-prisão por dois anos, com restrições a viagens internacionais.

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