Venezuela reforça defesa costeira com tropas e armamento civil ante navios de guerra americanos no Caribe

O governo da Venezuela posicionou tropas regulares perto da costa caribenha nesta sexta-feira (17), em resposta ao avanço de embarcações militares dos Estados Unidos na região. A medida ocorre em meio a uma operação antidrogas lançada pelos americanos em agosto, que Caracas interpreta como ameaça de invasão. Nicolás Maduro, presidente venezuelano, ordenou o alistamento de civis para treinamento em manejo de fuzis, visando fortalecer a defesa nacional.

Autoridades venezuelanas afirmam que a presença de navios e aviões de guerra americanos busca uma mudança de regime, com foco em recursos petrolíferos do país. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, declarou que o Estado transfere armas ao povo para proteção constitucional.

  • Tropas posicionadas em pontos estratégicos ao longo da costa nordeste.
  • Convocação de reservistas e milicianos para exercícios permanentes.
  • Instrução de civis em comunidades urbanas e rurais.

A escalada começou com o envio de oito navios de guerra americanos, incluindo destructores e um submarino de ataque, transportando mais de 4.500 militares. Analistas apontam que a força é insuficiente para uma invasão terrestre, mas serve como pressão diplomática.

Desdobramentos da operação americana no Caribe

Embarcações dos Estados Unidos realizaram ataques a lanchas suspeitas de narcotráfico, resultando em 21 mortes desde setembro. O presidente Donald Trump vincula essas ações a cartéis operando de território venezuelano, classificando Maduro como líder de organizações terroristas.

Caracas repudiou os bombardeios como execuções em alto-mar e solicitou intervenção do Conselho de Segurança da ONU para barrar crimes internacionais. O governo americano dobrou a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões, intensificando sanções econômicas.

Venezuela conduziu sobrevoos com aeronaves militares sobre navios americanos em águas internacionais, ato considerado provocativo pelo Pentágono.

Estrutura das forças venezuelanas

As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas contam com mais de 300 mil soldados ativos, equipados com tecnologia russa e iraniana. Maduro anunciou exercícios navais em La Orchila, ilha estratégica a 65 km da costa, envolvendo helicópteros e drones.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, detalhou o uso de Unidades de Reação Rápida para patrulhas fronteiriças, especialmente com a Colômbia. Reservistas recebem treinamento em quartéis para operação de fuzis e tanques.

Acusações mútuas e contexto regional

O governo Trump autorizou o uso de poderio militar contra cartéis designados como terroristas, incluindo o Tren de Aragua, ligado a Maduro pelos EUA. Washington alega que o regime facilita o tráfico de cocaína para financiar abusos internos.

Venezuela nega as ligações e acusa os americanos de fabricar conflitos para justificar intervenções. Líderes regionais, como o presidente colombiano Gustavo Petro, alertaram para riscos de instabilidade na América Latina.

Países caribenhos, como Trinidad e Tobago, apoiam as patrulhas antidrogas, mas Barbados pediu notificações prévias para operações.

Treinamento civil e milícias bolivarianas

Maduro expandiu as Milícias Bolivarianas, corpo de civis armados, com alistamento voluntário desde setembro. Milhares de participantes recebem instruções em comunidades, focando em defesa territorial.

O programa inclui revisão de armas estatais, como fuzis AK-103, distribuídos conforme a Constituição venezuelana. Cabello enfatizou que o monopólio armamentista permanece com o Estado, mas se estende ao povo em cenários de cerco.

Exercícios simulam respostas a incursões marítimas, com ênfase em coordenação entre regulares e civis.

Posicionamento de tropas costeiras

Tropas venezuelanas ocupam posições em estados como Sucre e Monagas, monitorando rotas marítimas. Navios da Marinha Bolivariana patrulham o sul do Caribe, complementando radares de inteligência.

O Pentágono reportou 10 caças F-35 em Porto Rico para interceptar voos não autorizados. Apesar da retórica, especialistas avaliam que um confronto aberto é improvável devido a capacidades assimétricas.

Reações diplomáticas iniciais

A Venezuela enviou notas diplomáticas a aliados como Rússia e Irã, solicitando apoio em fóruns internacionais. O chanceler Yván Gil expressou preocupação com potenciais armas nucleares em submarinos americanos.

Governos latino-americanos dividem opiniões: México condenou o desrespeito à soberania, enquanto Guyana endossou ações contra o tráfico. A ONU agendou debates sobre o tema para novembro.

A mobilização eleva custos logísticos para ambos os lados, com EUA gastando milhões em combustível e manutenção naval.

Exercícios navais e aéreos em andamento

Venezuela iniciou manobras com 15 mil soldados em setembro, testando sistemas de mísseis costeiros. Aviões de patrulha P-8 americanos coletam dados em voos de reconhecimento, sem violações territoriais confirmadas.

O USS Iwo Jima, buque de asalto americano, transporta tropas para desembarques simulados. Maduro ordenou estado de alerta permanente em bases aéreas.

Essas atividades ocorrem em meio a eleições americanas internas, influenciando a agenda de Trump.

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