Live Wepink com Virginia – Foto: X
O Ministério Público de Goiás ajuizou ação civil pública contra a WePink, empresa de cosméticos fundada pela influenciadora Virginia Fonseca, e seus sócios, incluindo Thiago Stabile e Chaopeng Tan. A medida, protocolada na 70ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, acusa a companhia de práticas abusivas, como venda de produtos sem estoque suficiente e atrasos em entregas. A Justiça de Goiás concedeu liminar nesta segunda-feira (13), em Goiânia, suspendendo transmissões ao vivo para promoção de vendas até comprovação de disponibilidade de itens.
Durante uma live recente, Thiago Stabile, sócio da marca e marido da influenciadora Samara Pink, admitiu o problema de abastecimento. Ele relatou que o faturamento mensal saltou de R$ 200 mil para R$ 400 mil, levando a escassez de matérias-primas. A decisão judicial impõe multa de R$ 100 mil por descumprimento e exige resolução de reclamações em até 15 dias.
A ação destaca o volume de queixas registradas. Em 2024, o site Reclame Aqui recebeu mais de 90 mil relatos contra a WePink. Já o Procon de Goiás contabilizou 340 denúncias formais entre 2024 e 2025, focadas em falhas operacionais.
Confissão em transmissão expõe falhas logísticas
Thiago Stabile detalhou na live o crescimento acelerado da empresa. Ele explicou que o aumento nas vendas gerou demoras em alguns pedidos devido à falta de insumos. A transmissão, gravada e compartilhada por consumidores, serviu de base para a ação do promotor Élvio Vicente da Silva.
A WePink opera vendas principalmente por lives nas redes sociais. Os sócios participam ativamente das promoções, o que, segundo o MPGO, configura responsabilidade solidária pelos danos aos clientes.
Reclamações de consumidores multiplicam em plataformas
Consumidores relataram problemas recorrentes com a marca. Muitos aguardaram até sete meses por entregas prometidas em 14 dias úteis. Outros enfrentaram dificuldades para obter reembolsos ou trocas de itens defeituosos.
O atendimento automatizado representou 30% das interações em 2024, segundo dados do Procon. Usuários descreveram o processo como ineficiente, exigindo múltiplos contatos para soluções.
A estratégia de ofertas-relâmpago nas lives agravou as queixas. Essas promoções incentivam compras rápidas, mas a falta de estoque resultou em cancelamentos frequentes.
Plataformas como Reclame Aqui registraram picos de insatisfação no segundo semestre de 2024. As avaliações negativas citam exclusão de comentários críticos nas redes da empresa.
Medidas judiciais visam regularizar operações
A liminar determina a criação de um canal de atendimento humano em 30 dias. A WePink deve responder a demandas em até 24 horas por telefone ou outros meios acessíveis.
A juíza Tatianne Marcella, responsável pela decisão, exigiu divulgação clara de políticas de cancelamento no site e perfis sociais. Multas adicionais de R$ 1 mil aplicam-se por omissões nessas divulgações.
Os sócios respondem pessoalmente pela ação. O MPGO argumenta que eles conheciam as limitações operacionais durante as lives.
A empresa pode recorrer da liminar. Até lá, as transmissões promocionais permanecem suspensas para evitar mais prejuízos a clientes.
Detalhes das denúncias no Procon Goiás
O Procon de Goiás investigou 340 casos formais contra a WePink desde 2024. As principais queixas envolvem:
- Atrasos em entregas, com prazos excedendo sete meses em relatos isolados.
- Dificuldade para reembolso, com processos demorados e burocráticos.
- Produtos recebidos com defeitos, sem opções ágeis de devolução.
- Atendimento insuficiente, priorizando canais digitais sem suporte humano.
Esses episódios afetaram principalmente compradores jovens, influenciados pelas lives da marca. O órgão classificou as práticas como violadoras do Código de Defesa do Consumidor.
Estratégias de venda online sob escrutínio
Lives representam o principal canal de comercialização da WePink. Elas combinam demonstrações de produtos com ofertas limitadas no tempo.
O crescimento rápido dobrou o faturamento em meses. No entanto, a expansão operacional não acompanhou a demanda, levando a estoques insuficientes.
O MPGO critica a publicidade como enganosa. Promessas de entrega rápida contrastam com a realidade de demoras sistemáticas.
Responsabilidades dos sócios na ação
Virginia Fonseca, como influenciadora, usa sua imagem nas transmissões. O promotor destaca que isso aumenta a confiança dos consumidores, ampliando os danos.
Thiago Stabile e Chaopeng Tan gerenciam operações diárias. Suas declarações públicas reforçam as acusações de má-fé contratual.
A ação busca indenização coletiva. O valor estimado chega a R$ 5 milhões por danos morais difusos.
Canal de atendimento obrigatório
A decisão judicial impõe mudanças estruturais na WePink. Um serviço telefônico deve operar 24 horas por dia.
Respostas a reclamações ganham prazo fixo de 24 horas. Isso visa reduzir o estresse relatado por clientes.
A empresa deve comprovar estoque antes de retomar lives. Documentos fiscais serão exigidos pela Justiça.
Impacto nas vendas de cosméticos digitais
O setor de beleza online cresceu 25% em 2024, segundo dados do setor. Marcas como a WePink apostam em influenciadores para expansão.
A suspensão afeta diretamente o modelo de negócio. Alternativas incluem vendas em e-commerce sem transmissões ao vivo.
Consumidores buscam marcas com logística confiável. A WePink acumula nota baixa em índices de satisfação.

