Paramount+ – Foto: Reprodução
Paramount Global anuncia o encerramento de cinco canais de TV por assinatura no Brasil a partir de 31 de dezembro de 2025. A medida afeta Nickelodeon, MTV, Nick Jr., Comedy Central e Paramount Network, como parte de uma reestruturação global da empresa. A decisão visa concentrar investimentos em plataformas de streaming, como Paramount+ e Pluto TV, diante da queda na audiência de TV linear.
A companhia, recém-adquirida pela Skydance Media em agosto de 2025 por US$ 8 bilhões, prioriza o modelo digital para reduzir custos operacionais. No Brasil, os canais enfrentam regulamentações do Serviço de Acesso Condicionado, que exigem produção local e infraestrutura cara.
- Nickelodeon: Foco em animações infantis como Bob Esponja, com alta audiência nos anos 2010.
- MTV: Iniciou em 1990, conhecida por clipes e realities musicais.
- Nick Jr.: Programação pré-escolar, com séries educativas.
Esses canais representam mais de 30 anos de presença no mercado brasileiro de TV paga.
Canais afetados e seu histórico no país
Nickelodeon chegou ao Brasil em 1996 e se tornou referência para o público infantil com produções como iCarly e Dora a Aventureira. O canal registrou picos de audiência na década de 2010, integrando as dez opções mais vistas em TV por assinatura.
A MTV iniciou transmissões em 1990 como canal aberto pela Editora Abril e migrou para pay TV, marcando gerações com eventos como o Video Music Awards. Sua programação evoluiu de clipes para realities e conteúdos locais.
Comedy Central, lançado em 2001, trouxe humor adulto com séries como South Park e produções originais brasileiras, atraindo um nicho fiel de comédia satírica.
Motivos por trás da reestruturação global
A Paramount enfrenta queda na receita publicitária, que diminuiu 15% no setor de TV paga nos últimos cinco anos. A migração para streaming responde a isso, com o Paramount+ crescendo 25% em assinantes no Brasil em 2025.
Custos regulatórios no Brasil, incluindo investimentos obrigatórios em conteúdo nacional, somam R$ 50 milhões anuais para o grupo. A aquisição pela Skydance acelera cortes em ativos lineares para focar em ecossistemas digitais unificados.
No Reino Unido, cinco canais MTV serão encerrados na mesma data, sinalizando uma estratégia mundial. A unificação de Paramount+ e Pluto TV ocorrerá até 2026, combinando assinaturas pagas e opções gratuitas com anúncios.
Conteúdos dos canais migrarão integralmente para o Paramount+, mantendo séries e filmes disponíveis on-demand. Eventos esportivos, como a Copa Libertadores, continuarão transmitidos na plataforma sem interrupções.
Pluto TV, gratuito com publicidade, expandirá canais virtuais baseados nos encerrados, como um dedicado a animações infantis. A mudança alinha o Brasil a tendências globais, onde 60% do consumo de vídeo ocorre via apps.
Usuários de TV paga, como Claro e Sky, receberão ajustes em pacotes a partir de novembro de 2025. A Paramount planeja parcerias com operadoras para integrar o streaming diretamente nos decodificadores.
Reações iniciais de profissionais do setor
Executivos de TV por assinatura notam que a saída da Paramount acelera o encolhimento do mercado, que perdeu 2 milhões de assinantes desde 2020. Produtores locais buscam novas janelas para conteúdos desenvolvidos em coprodução com os canais.
Agências de publicidade ajustam campanhas, transferindo orçamentos para plataformas digitais. A decisão reforça a ESPN como exceção, graças a direitos de transmissões ao vivo que geram 40% da receita do grupo no país.
Legado desses canais na programação brasileira
A Nickelodeon influenciou dublagens locais e exportações de talentos infantis para o cinema. Séries como Bob Esponja acumularam bilhões de visualizações globais, com versões em português adaptadas ao público brasileiro.
MTV fomentou a cena musical nacional, exibindo artistas como Anitta em fases iniciais da carreira e promovendo festivais regionais. Seu arquivo de clipes dos anos 1990 serve como acervo cultural digitalizado no streaming.
Comedy Central adaptou formatos americanos com humor brasileiro, como edições de stand-up com comediantes locais, gerando prêmios em premiações de TV. Esses legados persistirão em catálogos online, acessíveis a novas gerações.
O encerramento marca o fim de uma era para a TV linear no Brasil, com foco crescente em interatividade e personalização via apps.

