Noa Argamani e Avinatan Or se reencontram após dois anos de cativeiro do Hamas em Gaza

Redação
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Noa Argamani e Avinatan Or se reencontram após dois anos de cativeiro do Hamas em Gaza
Noa Argamani e Avinatan Or juntos de novo

Noa Argamani e Avinatan Or juntos de novo — Foto: Forças de Defesa de Israel / Divulgação

Noa Argamani e Avinatan Or, sequestrados pelo Hamas durante o festival de música Nova em 7 de outubro de 2023, se reencontraram nesta segunda-feira (13) em uma base das Forças de Defesa de Israel, no sul do país. O casal, separado logo após o ataque que deixou mais de 360 mortos no local, passou mais de dois anos em cativeiro em Gaza. A liberação de Avinatan ocorreu como parte de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, mediado pelos Estados Unidos, que previu a troca por mais de 1.900 prisioneiros palestinos.

O reencontro aconteceu após Avinatan, de 32 anos, ser transferido para a base de Re’im, onde Noa, de 26 anos, o aguardava. Imagens divulgadas pelas forças israelenses mostram o momento em que os dois se abraçam, marcando o fim de uma separação forçada que ganhou repercussão global. O acordo também permitiu a entrada de suprimentos de alimentos e ajuda humanitária em Gaza, em meio a negociações que duraram meses.

Trump Acordo de paz
Trump Acordo de paz – Foto: @Potus

Diversos reféns libertados neste dia relataram condições difíceis durante o cativeiro, incluindo falta de alimentos e problemas de saúde.

  • Avinatan Or apresentava aparência visivelmente magra ao ser entregue às autoridades israelenses.
  • Noa Argamani, resgatada em operação militar em junho de 2024, havia relatado dificuldades respiratórias após bombardeios em sua localização.
  • Outros 19 reféns, incluindo civis e soldados, foram soltos simultaneamente, totalizando os últimos 20 vivos em cativeiro.
  • A família de Avinatan, originária de Shilo na Cisjordânia, expressou alívio pela nacionalidade britânica dele, que facilitou contatos internacionais.

Ataque ao festival Nova expõe vulnerabilidades

O festival de música Nova, realizado perto da fronteira com Gaza, virou alvo principal do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Centenas de participantes tentavam fugir quando militantes invadiram o local em veículos e a pé. Noa e Avinatan se esconderam em uma vala por horas antes de serem capturados.

Vídeos gravados pelos próprios agressores circularam imediatamente, mostrando Noa sendo levada em uma motocicleta enquanto estendia a mão para Avinatan, que marchava ao lado. A operação resultou em 40 sequestros no festival, além de mortes e feridos. Autoridades israelenses investigaram falhas de segurança que permitiram a incursão rápida.

O incidente destacou a proximidade da fronteira, com o evento a apenas alguns quilômetros de Gaza. Relatos de sobreviventes indicam que o pânico se instalou em minutos, com participantes correndo para carros ou se abrigando em arbustos.

Libertação de Noa Argamani em operação especial

Forças israelenses resgataram Noa Argamani em 8 de junho de 2024, durante uma incursão em Nuseirat, em Gaza central. A operação envolveu unidades de elite que localizaram o prédio onde ela era mantida, junto com outros três reféns. Equipes médicas a atenderam imediatamente após o resgate, devido a ferimentos e desnutrição acumulados.

Noa completou 26 anos em cativeiro apenas 12 dias após o sequestro, em outubro de 2023, quando o governo israelense fez uma homenagem pública. Em janeiro de 2024, o Hamas divulgou um vídeo dela pedindo o fim de bombardeios em Gaza. Sua mãe, Liora, com doença terminal, apelou por um reencontro antes de falecer.

A jovem viajou à ONU em fevereiro de 2025 para relatar experiências no cativeiro, incluindo um episódio em que o local foi bombardeado. Ela descreveu dificuldades para se mover e respirar durante o incidente. O resgate foi um dos poucos bem-sucedidos por forças terrestres, contrastando com negociações que libertaram outros via acordos.

Após o retorno, Noa continuou a advogar pela liberação de reféns restantes, incluindo Avinatan. Seu depoimento na ONU incluiu detalhes sobre a separação imediata do casal durante o sequestro. Autoridades médicas confirmaram que ela recebeu tratamento prolongado para sequelas físicas e psicológicas.

Perfil de Avinatan Or antes do sequestro

Avinatan Or nasceu em uma família religiosa na colônia de Shilo, na Cisjordânia ocupada, como o segundo de sete irmãos. Ele estudou engenharia elétrica em Beersheva, no sul de Israel, e trabalhava como engenheiro na Nvidia, empresa de tecnologia sediada em Tel Aviv. Sua dupla nacionalidade israelense-britânica permitiu conexões familiares no exterior durante o cativeiro.

Antes de 7 de outubro de 2023, o casal planejava se mudar para Beersheva, onde Avinatan havia se formado. Ele participava de eventos culturais, incluindo o festival Nova, que atraía milhares de jovens. Amigos descreveram-no como dedicado à carreira e ao relacionamento com Noa.

O cativeiro interrompeu projetos profissionais, com a Nvidia mantendo suporte à família ao longo dos 738 dias. Colegas de trabalho acompanharam atualizações sobre sua condição via relatos de outros reféns libertados. A liberação nesta segunda-feira permitiu que ele retome contato com o emprego e a vida cotidiana.

Contexto do acordo de cessar-fogo atual

O cessar-fogo anunciado em outubro de 2025 encerrou mais de dois anos de confrontos intensos entre Israel e Hamas. O pacto, intermediado pelo presidente dos EUA Donald Trump, incluiu a liberação de todos os 20 reféns vivos restantes em Gaza. Em troca, Israel libertou prisioneiros palestinos e suspendeu operações militares na região.

Negociações ocorreram em fases, com a primeira focada em reféns civis e militares capturados em 2023. O acordo também ampliou a entrada de ajuda humanitária, com milhares de toneladas de alimentos autorizadas semanalmente. Autoridades de ambos os lados confirmaram o cumprimento inicial das cláusulas.

Hamas publicou a lista de nomes dos libertados na véspera, incluindo Avinatan Or entre civis do festival Nova. O grupo manteve reféns mortos em poder, com quatro corpos entregues no mesmo dia. Israel monitorou a transferência via Cruz Vermelha, garantindo a chegada segura à fronteira.

O pacto surge após múltiplos acordos parciais, como o de novembro de 2023, que libertou 105 reféns. Este último visava uma trégua mais ampla, com discussões sobre reconstrução em Gaza. Analistas apontam que a mediação externa foi crucial para superar impasses anteriores.

Outros reféns libertados no mesmo dia

Dezenove outros israelenses recuperaram a liberdade simultaneamente a Avinatan Or, em uma operação coordenada na fronteira de Gaza. A lista inclui nomes como Elkana Bohbot, capturado em um tanque perto de Nahal Oz, e os irmãos gêmeos Gali e Ziv Berman, sequestrados de um kibutz. Muitos apresentavam sinais de desnutrição e problemas de saúde crônicos.

  • Matan Angrest, soldado de 19 anos, foi arrastado de seu veículo militar durante o ataque inicial.
  • Omri Miran, de 48 anos, apareceu em vídeo do Hamas marcando seu aniversário em cativeiro.
  • Ariel Cunio e David Cunio, irmãos de Nir Oz, tiveram familiares libertados em trocas anteriores.
  • Nimrod Cohen, de 21 anos, sofreu com falta de medicamentos para condições pré-existentes.

Médicos em hospitais israelenses, como o Beilinson em Petah Tikva, prepararam equipes para atendimentos imediatos. Famílias aguardaram em bases militares, com reencontros filmados para documentar o processo. O Fórum de Famílias de Reféns e Desaparecidos confirmou que todos os vivos foram resgatados, encerrando uma fase do conflito.

Situação de saúde pós-cativeiro

Reféns como Avinatan Or recebem avaliações médicas completas após a liberação, focando em nutrição e traumas acumulados. Relatos indicam que muitos enfrentaram escassez de água e alimentos durante os 738 dias em Gaza. Noa Argamani passou por reabilitação similar após seu resgate em 2024.

Autoridades de saúde israelenses priorizam tratamentos para infecções de pele e deficiências nutricionais comuns entre os ex-cativos. Psicólogos acompanham os retornos, com sessões iniciais em centros especializados. A maioria dos libertados neste acordo era mantida em túneis subterrâneos, o que agravou condições respiratórias.

O processo de recuperação varia, com alguns reféns precisando de internações prolongadas. Famílias recebem orientação para suporte domiciliar, incluindo dietas controladas. Casos como o de Avinatan destacam a necessidade de monitoramento contínuo para sequelas de longo prazo.

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