Odete Roitman na primeira versão – Foto: Reprodução/Tv Globo
A novela Vale Tudo, em sua versão original exibida pela Globo entre maio de 1988 e janeiro de 1989, culminou com o assassinato de Odete Roitman, personagem interpretada por Beatriz Segall. O crime ocorreu no Rio de Janeiro, no capítulo de Natal de 25 de dezembro de 1988, e manteve o público em suspense por semanas. A revelação veio apenas no último episódio, em 6 de janeiro de 1989, identificando Leila, vivida por Cássia Kis, como a responsável pelo tiro fatal.
O motivo do assassinato ligava-se a ciúmes conjugais envolvendo Marco Aurélio, marido de Leila na trama. Ela planejava eliminar uma rival, mas confundiu a vítima, transformando o enredo em um dos maiores mistérios da teledramaturgia brasileira.
A produção alcançou picos de audiência acima de 80 pontos no Ibope na região metropolitana do Rio, refletindo o engajamento nacional.
- Principais suspeitos iniciais incluíam Marco Aurélio (Reginaldo Faria), devido a desentendimentos empresariais na TCA, e Maria de Fátima (Glória Pires), por disputas familiares.
- A escolha de Leila como assassina surgiu de uma alteração de roteiro, após vazamento de informações, para preservar o sigilo.
- Após o crime, Leila e Marco Aurélio fugiram do país com o filho Bruno, em uma cena final que marcou a impunidade dos vilões.
Contexto do crime na trama de 1988
Odete Roitman confrontava Marco Aurélio em um apartamento de luxo sobre desvios financeiros na empresa TCA. Leila, ao seguir o marido, invadiu o local armada e atirou em um vulto atrás da porta.
A confusão ocorreu porque Leila visava Maria de Fátima, amante de Marco Aurélio, mas atingiu Odete, que usava roupas semelhantes. A sequência durou minutos na tela e foi gravada com tensão para capturar o erro fatal.
Autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères optaram pelo engano para surpreender o público, que apostava em vinganças diretas.
Repercussão imediata no público
O episódio do crime gerou debates em jornais e rádios por todo o país. Em São Paulo, 38% dos telespectadores desejavam a morte da vilã, segundo pesquisa local da época.
Apostas no jogo do bicho circularam com palpites sobre o assassino, movimentando a contravenção em cidades como Rio e São Paulo.
Jornais dedicaram páginas inteiras ao “velório fictício” de Odete, com relatos de como a notícia paralisou famílias durante as festas de fim de ano.
O mistério elevou a novela a fenômeno cultural, com cartas enviadas à emissora pedindo pistas e boicotes simbólicos contra a personagem.
Alterações no roteiro original
Gilberto Braga mudou o assassino planejado após um vazamento de roteiro semanas antes do final. Inicialmente, outro personagem seria o culpado, mas a troca para Leila aumentou o impacto.
A decisão considerou o perfil da atriz Cássia Kis, cuja expressão intensa convencia como “a mais louca do elenco”, segundo o autor.
Gravações extras foram feitas para os finais alternativos, mas apenas um foi ao ar, preservando o elemento surpresa.
A impunidade de Leila reforçou a crítica social da trama, sobre corrupção e elites, sem punições morais explícitas.
Diferenças para o remake de 2025
No remake exibido desde março de 2025, escrito por Manuela Dias, o assassinato de Odete, agora por Débora Bloch, ocorreu em 6 de outubro no Copacabana Palace.
Suspeitos incluem Marco Aurélio (Alexandre Nero), Celina (Malu Galli), César (Cauã Reymond), Heleninha (Paolla Oliveira) e Maria de Fátima (Bella Campos), com dez finais gravados.
A revelação está prevista para 17 de outubro, último capítulo, e exclui o romance entre Marco Aurélio e Fátima, alterando o motivo do crime original.
Leila, interpretada por Carolina Dieckmann, permanece casada com Marco Aurélio, mas sua suspeita surge de um atentado sofrido por ele, ligado a Odete.
Motivos iniciais de Leila na história
Leila descobriu o adultério de Marco Aurélio com Maria de Fátima por meio de pistas discretas na trama.
Ela planejou o confronto armado para defender o casamento, mas subestimou a presença de Odete no local da discussão.
O erro destacou temas de impulsividade e consequências inesperadas, comuns nas narrativas de Braga.
Influência cultural duradoura
A novela Vale Tudo influenciou produções subsequentes com mistérios de assassinato, como em A Próxima Vítima de 1994.
Beatriz Segall reviveu Odete em especiais e referências pop, consolidando a vilã como ícone da TV brasileira.
Em 2025, o remake registrou 82% de interações online de jovens entre 18 e 34 anos no Globoplay, renovando o legado.
A frase “Quem matou Odete Roitman?” tornou-se bordão nacional, usado em campanhas e memes até hoje.


