O presidente argentino, Javier Milei, disse nesta quinta-feira (3) que assinará um decreto para acelerar as sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, aumentando a pressão sobre empresas que operam no território disputado sem a aprovação de Buenos Aires.
Em um pronunciamento nacional, Milei disse que o decreto acelerará os procedimentos previstos na legislação argentina contra empresas envolvidas na extração de petróleo em um território que a Argentina considera seu, mas que permanece sob controle britânico.
O pronunciamento de Javier Milei ocorre após o presidente Donald Trump afirmar no início da semana que está reavaliando a posição dos Estados Unidos em relação às Ilhas Malvinas.
“Eu sempre reavalio todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”, disse Trump a repórteres no Salão Oval quando questionado sobre a soberania das ilhas, chamadas de Malvinas pelos argentinos e de Falkland pelos britânicos.
Uma possível mudança na posição dos EUA foi incluída entre uma série de opções consideradas pelo Pentágono no início deste ano para pressionar aliados da Otan que, segundo ele, não apoiaram as operações militares na guerra contra o Irã.
Entenda a disputa
As Ilhas Malvinas (como são conhecidas na Argentina) ou Falklands (como o Reino Unido as chama) estão no centro de uma disputa formal de soberania entre Buenos Aires e Londres, que já dura 189 anos e tem sido palco de tensões e dor na história recente de ambos os países.
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A reivindicação argentina sobre as ilhas ganhou força após a Segunda Guerra Mundial e no contexto da ONU, que em 1960 promoveu a descolonização dos territórios por meio de uma resolução da Assembleia Geral.
Então, em 1965, outra resolução reconheceu especificamente a disputa de soberania das Malvinas e convocou as partes a negociar.
Mas após o início da ditadura militar na Argentina em 1976, as tensões aumentaram. O terceiro governo do chamado Processo de Reorganização Nacional, formado pelos líderes das Forças Armadas e liderado pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, tomou a decisão de resolver a questão pela força em 1982, em um contexto de baixa popularidade e crescente crise econômica.
Em 2 de abril de 1982, as forças argentinas desembarcaram nas ilhas, tomaram a capital, Puerto Argentino (Port Stanley para os britânicos), e derrotaram uma pequena guarnição britânica.
Quase imediatamente, o Reino Unido, liderado pela então primeira-ministra Margaret Thatcher, enviou uma frota, incluindo dois porta-aviões, para retomar as Ilhas Malvinas.
O que se seguiu foram 74 dias de intensos combates com grandes perdas humanas. Até que, em 14 de junho de 1982, os argentinos em Puerto Argentino se renderam às tropas britânicas e a guerra chegou ao fim.

