Pessoas costumam ter uma altura ligeiramente maior ao acordar pela manhã em comparação com o período da noite. Essa alteração, muitas vezes não percebida, pode ser de poucos milímetros ou até superar um centímetro em alguns indivíduos, sendo visível com uma simples fita métrica encostada na parede.
A principal razão para essa variação reside na coluna vertebral. Os discos intervertebrais, que são estruturas cartilaginosas localizadas entre as vértebras e agem como amortecedores, sofrem uma perda de líquido durante o dia devido à constante pressão do peso corporal e da gravidade.
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Durante as horas em que se está em pé ou sentado, a coluna suporta o peso da cabeça, tronco e braços, o que gera uma pressão contínua. Essa compressão gradualmente exprime os discos, que possuem um centro gelatinoso abundante em água. Ao deitar à noite, essa pressão é aliviada, permitindo que o núcleo recupere parte do líquido e, consequentemente, a altura inicial seja restaurada até o dia seguinte.
Como os discos da coluna funcionam como amortecedores naturais
A coluna humana possui um total de 23 discos intervertebrais, que se estendem do pescoço até a região lombar. Cada um desses discos é composto por duas partes: um anel fibroso externo mais rígido, conhecido como ânulo fibroso, e um núcleo interno, o núcleo pulposo, de consistência gelatinosa, rico em água e proteoglicanos, que funcionam como atratores de água.
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O núcleo pulposo age como uma esponja que reage à pressão. Ao adotar a posição de pé ou sentada, o peso do corpo exerce força sobre as vértebras, que se empurram mutuamente e comprimem os discos, expulsando parte da água. Essa compressão acumulada em todos os discos da coluna é suficiente para diminuir a estatura geral de um indivíduo ao longo do dia.
No período noturno, quando o peso do corpo não está mais exercendo pressão sobre a coluna, o mecanismo reverso ocorre. Os proteoglicanos presentes no núcleo pulposo passam a absorver água dos tecidos circundantes, fazendo com que os discos recuperem parte do volume. Após um sono completo, a altura tende a retornar ao seu nível máximo.
Como a microgravidade afeta a estatura dos astronautas
O mesmo princípio biológico é responsável pelo aumento de altura observado em astronautas durante missões espaciais. Na ausência da força gravitacional terrestre, que comprime a coluna, os discos intervertebrais conseguem reter e absorver mais água do que o habitual, permanecendo em um estado expandido por várias semanas.

Pesquisas realizadas pela NASA documentaram que astronautas se tornam alguns centímetros mais altos depois de passar longos períodos em ambientes de microgravidade. Esse efeito, no entanto, é temporário e se reverte rapidamente após o retorno à Terra, quando a gravidade retoma sua ação compressora sobre a coluna.
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É possível verificar essa variação de altura mesmo na Terra, sem a necessidade de equipamentos complexos. Para isso, basta medir a própria estatura com uma fita métrica encostada na parede, primeiramente ao acordar e depois novamente à noite, antes de deitar. A diferença, embora sutil, é geralmente perceptível e costuma ser mais acentuada em pessoas que permanecem em pé ou carregam peso durante o dia, em comparação com aquelas que passam a maior parte do tempo sentadas.
Indivíduos que realizam alongamentos ou tiram um período para se deitar ao longo do dia frequentemente percebem uma recuperação mais ágil da altura. Isso indica que a coluna, assim como outros amortecedores do corpo, necessita de repouso para recuperar sua condição ideal.

