Análises de satélite recentes confirmaram, em 21 de agosto de 2026, que a China transformou recifes e pequenas ilhas no Mar do Sul da China em vastas plataformas estratégicas. Ao longo de mais de uma década de intensas atividades de dragagem e aterro, o governo de Pequim expandiu significativamente sua capacidade de operação militar e civil em uma das regiões marítimas mais tensas e importantes do cenário global, mesmo após declarações negando a criação de novas terras.
As ilhas artificiais construídas adicionam milhares de acres de terra utilizável ao território chinês, permitindo a instalação de portos, bases aéreas e sistemas de vigilância. Esta expansão, documentada por especialistas, levanta preocupações internacionais sobre a militarização da área e a alteração do equilíbrio geopolítico regional.
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Expansão territorial e sua constante evolução
A dimensão exata do projeto chinês é particularmente visível nas Ilhas Paracel, onde observações por satélite registraram a continuidade dos aterros. Mesmo depois que autoridades chinesas afirmaram que o país havia cessado a criação de novas terras, as obras prosseguiram, adicionando território estratégico e ampliando a capacidade de Pequim para operar aeronaves, navios e diversos sistemas de controle na região.
A Iniciativa de Transparência Marítima da Ásia (AMTI) constatou que a China manteve as construções nas Ilhas Paracel, ignorando a atenção internacional que a construção em larga escala de ilhas artificiais nas Ilhas Spratly já havia atraído.
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Desenvolvimento de infraestrutura militar e civil
Os avanços mais notáveis foram observados em várias ilhas, que se tornaram pontos-chave para a presença chinesa na região. Estes são alguns exemplos:
- Ilha das Árvores: Após agosto de 2015, imagens de satélite mostraram a dragagem de um novo porto e a adição de cerca de 25 acres de terra. Foram construídas novas instalações, incluindo um heliporto, turbinas eólicas e painéis solares.
- Ilha Norte: Houve a criação de aproximadamente sete acres de novas terras e a construção de um muro de contenção ao seu redor. Uma tentativa anterior de conectar esta ilha com a vizinha Ilha Central por uma ponte terrestre foi desfeita por um tufão em outubro de 2016.
- Ilha Woody: Considerada a principal base militar de Pequim no arquipélago, a ilha possuía, em 2017, portos modernizados e uma base aérea equipada com hangares para aeronaves de combate. Também foram instalados mísseis terra-ar HQ-9 e avistado um caça Shenyang J-11 em sua pista.
Avanços militares e presença estratégica na região
A rede de postos avançados chineses é extensa, abrangendo 20 locais nas Ilhas Paracel. Três dessas posições agora possuem portos protegidos, capazes de abrigar um número considerável de embarcações navais e civis, enquanto outras contam com portos menores ou heliportos. A Ilha Duncan, por exemplo, abriga uma base com oito heliportos, e a Ilha Triton, Pattle e Money também exibem portos e heliportos.
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A Ilha Drummond, no período da avaliação, estava passando por dragagem de seu porto. Essa expansão de infraestrutura demonstra a intenção da China de consolidar sua influência militar e econômica na área, aumentando sua capacidade de projeção de força e controle sobre as águas disputadas.
Preocupações da ASEAN e apelo à moderação
A construção dessas ilhas artificiais se tornou um tópico sensível nas relações diplomáticas, especialmente durante a 50ª Reunião de Ministros das Relações Exteriores da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), realizada em Manila, em agosto de 2017. Na ocasião, alguns ministros expressaram profunda preocupação de que as obras de recuperação de terras e outras ações tivessem “erodido a confiança” entre os países e elevado as tensões regionais.
O comunicado conjunto oficial da ASEAN solicitou a resolução pacífica das disputas, respeitando o direito internacional, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. O grupo também enfatizou a não militarização e a moderação por parte de todos os países envolvidos na disputa e aqueles que operam na área.
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Alteração do mapa estratégico e o futuro das tensões
As construções nas Ilhas Paracel exemplificam como formações marítimas naturalmente pequenas podem adquirir um papel estratégico muito maior quando equipadas com infraestrutura permanente. A dragagem criou terras adicionais, mas a verdadeira transformação veio com a construção de portos, instalações aeronáuticas e sistemas de mísseis.
Essas novas infraestruturas permitem que posições antes limitadas agora suportem uma gama muito mais ampla de operações, transformando as águas disputadas em uma fonte contínua de atrito entre a China e os estados do Sudeste Asiático. A ASEAN tem reiterado a importância da moderação e do respeito ao direito internacional, mesmo diante das condições alteradas no terreno devido à construção de infraestrutura militar e civil.

