Socorristas e voluntários intensificam as buscas por sobreviventes neste 11 de agosto de 2026, após o terremoto mais potente que atingiu a Colômbia nos últimos dez anos. O desastre já resultou em pelo menos 162 mortes, mais de 500 feridos e dezenas de desaparecidos, conforme o balanço mais recente.
Na cidade de Cali, onde as unidades de saúde atingiram sua capacidade máxima, as autoridades locais impuseram um toque de recolher e decretaram a militarização para facilitar os esforços de resgate e manter a ordem.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas quatro dias, declarou estado de emergência em todo o território nacional e prometeu coordenar uma vasta operação de socorro. Os danos estruturais foram extensos, afetando ao menos 18 hospitais e 52 escolas, além de seis aeroportos que suspenderam suas atividades comerciais.
O tremor, com magnitude 7,4, foi registrado às 7h34 no horário local (9h34 em Brasília), segundo informações dos serviços geológicos da Colômbia e dos Estados Unidos. Seu epicentro foi localizado no município de San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 103 quilômetros. Esta profundidade, embora reduza a intensidade superficial em alguns pontos, pode ampliar a área de impacto, explicando os relatos de danos em várias regiões.
Nas horas seguintes ao abalo, cidades na porção oeste do país vivenciaram cenas de pânico generalizado. Milhares de cidadãos deixaram suas residências e buscaram refúgio nas ruas, enquanto diversos edifícios desabavam ou apresentavam sérios problemas estruturais.
Unidades de saúde em Cali atingem o limite após o terremoto
Na cidade de Cali, a terceira maior da Colômbia e uma das mais atingidas, equipes de resgate trabalham arduamente, muitas vezes com as próprias mãos, removendo escombros em uma busca incansável por sobreviventes.
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A cidade registrou ao menos 26 óbitos e 456 feridos. Os hospitais locais operam com 100% de sua capacidade, uma situação crítica que foi agravada pela necessidade de evacuar quatro grandes hospitais danificados pelos tremores.
Uma seção do Hospital Universitario del Valle Evaristo García (HUV), um dos principais centros de tratamento de alta complexidade na região, sofreu um colapso parcial. Registros do desabamento circularam amplamente nas redes sociais, forçando a transferência de pacientes e serviços para tendas montadas no estacionamento e em áreas verdes do complexo.
Outras unidades que também reportaram danos estruturais significativas incluem a Clínica Nuestra Cali, a Clínica Dessa e a Clínica Colombia.
Diante da urgência, as autoridades de saúde suspenderam temporariamente cirurgias eletivas, consultas ambulatoriais e outros procedimentos não considerados emergenciais. O objetivo é liberar leitos e equipes médicas para priorizar o atendimento às vítimas do terremoto.
Medidas de segurança restringem circulação em cidades afetadas
“A chegada até este ponto foi dramática. Parecia o fim do mundo, com carros e motos trafegando na contramão em busca de familiares”, relatou o socorrista Nelson Moreno, que participou do resgate de uma amiga soterrada após a queda de duas torres residenciais de cinco andares. Ele confirmou que o pai da mulher e seu bebê foram resgatados com vida, mas estavam feridos.
Moreno acrescentou que “agora precisamos de lanternas e óculos de proteção”, enquanto estava cercado por centenas de voluntários e cães farejadores na área de busca.
As equipes de socorro formam correntes humanas para remover os destroços usando picaretas e ferramentas básicas. Frequentemente, eles param o trabalho e pedem silêncio total para tentar captar qualquer sinal de vida sob os escombros.
Frente ao cenário caótico, a prefeitura de Cali impôs toque de recolher das 20h do dia 10 de agosto até as 6h do dia 11 de agosto, além da militarização da cidade. O prefeito Alejandro Eder explicou que a medida visa garantir a segurança e a movimentação das equipes de emergência, permitindo que os esforços de busca e resgate sejam concentrados.
“Existem ameaças de saques. Por essa razão, determinei o toque de recolher e a militarização em Cali”, afirmou Eder, pedindo à população que denuncie qualquer tentativa de saque ou situação de insegurança. A gestão municipal também declarou estado de calamidade pública, visando otimizar a alocação de recursos e ações institucionais para a resposta à emergência e apoio às áreas mais afetadas.
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A prefeitura de Pereira também adotou o toque de recolher, que esteve em vigor das 18h do dia 10 de agosto até as 5h do dia 11 de agosto. “Decretamos toque de recolher para proteger o comércio local”, declarou o prefeito Mauricio Salazar.
Com 60 mortes confirmadas até o momento, o departamento de Risaralda é o mais impactado pelo terremoto. Os hospitais da região igualmente reportam superlotação. Segundo as autoridades, 18 edificações foram totalmente destruídas e outras 60 sofreram danos parciais nessa área.
Apoio global chega para a Colômbia após o tremor
O abalo sísmico foi percebido em nações vizinhas, incluindo diversas regiões da Venezuela, a capital equatoriana Quito e várias províncias do Panamá.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a União Europeia colocou à disposição o sistema de observação por satélite Copernicus para auxiliar nas operações de resgate.
Os Estados Unidos ofereceram um auxílio de 15,5 milhões de dólares (equivalente a R$ 79 milhões) para apoiar a resposta humanitária e emergencial.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também se manifestaram, oferecendo apoio ao país. Em comunicado, o Itamaraty confirmou que acompanha os esforços de busca e assistência, declarando-se pronto para cooperar com as autoridades colombianas.

