Flamengo – Foto: Instagram
O Flamengo obteve liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para bloquear parte dos pagamentos de direitos de transmissão da TV Globo à Liga do Futebol Brasileiro (Libra), entidade que representa nove clubes na Série A de 2025. A medida afeta R$ 77 milhões referentes à segunda parcela do critério de audiência, que compõe 30% do contrato anual de R$ 1,17 bilhão assinado em março de 2024 para o período de 2025 a 2029. A ação ocorre porque o clube rubro-negro contesta a aprovação da fórmula de divisão sem unanimidade, conforme o estatuto da Libra, o que poderia gerar prejuízo de até R$ 100 milhões em relação a 2024.
Clubes como Palmeiras, São Paulo e Santos emitiram notas de repúdio, alegando que o bloqueio agrava crises financeiras e viola o fair play interno. A Libra recorreu da decisão, argumentando que a gestão anterior do Flamengo aprovou o modelo em assembleias de 2024 e maio de 2025.
A divisão total segue o formato 40% igualitário entre os clubes na elite, 30% por desempenho no campeonato e 30% por audiência, medida por plataformas de TV aberta, fechada e pay-per-view.
- O contrato prevê repasse de 3% do valor total para clubes da Série B da Libra, totalizando cerca de R$ 41 milhões anuais.
- Se estendido até o fim de 2025, o bloqueio pode reter até R$ 230 milhões em juízo.
- A Globo depositará os valores contestados enquanto a Justiça analisa o recurso da Libra.
Formulação das propostas de divisão
A Libra defendeu um critério baseado exclusivamente em audiência, com pesos de 60% para TV aberta, 5% para fechada e 35% para pay-per-view. Essa abordagem visa equilibrar receitas, favorecendo clubes com maior alcance em transmissões.
O Flamengo propôs o uso de cadastros no pay-per-view como base, onde detém 22% do total nacional e 37% dentro da Libra. Essa fórmula reflete o tamanho da torcida registrada na plataforma Premiere.
Uma proposta intermediária, batizada de cenário 4, misturava os dois métodos para mitigar perdas em 2025, com discussões para 2026.
Ganhos projetados por clube nos cenários
As projeções, calculadas pela Matos Projects e baseadas em posições de 2024, incluem R$ 13 milhões de adiantamento por clube e consideram o bloqueio atual. No modelo da Libra, o Flamengo veria queda de R$ 300 milhões de 2024 para R$ 197,5 milhões.
- Flamengo: R$ 197,5 milhões (Libra), R$ 215,5 milhões (intermediário), R$ 250,8 milhões (proposta rubro-negra).
- Palmeiras: R$ 180,3 milhões (Libra), R$ 183 milhões (intermediário), R$ 179,6 milhões (proposta rubro-negra).
- São Paulo: R$ 160,8 milhões (Libra), R$ 166,4 milhões (intermediário), R$ 162,9 milhões (proposta rubro-negra).
Palmeiras e São Paulo registram variações mínimas, com ganhos leves no intermediário. Bahia fica em R$ 130,7 milhões no modelo da Libra, enquanto Atlético-MG se mantém estável em torno de R$ 123 milhões nos três cenários.
Clubes como RB Bragantino e Vitória perdem no pay-per-view, com R$ 95,5 milhões e R$ 116,3 milhões na proposta da Libra, respectivamente.
Histórico das negociações
As discussões iniciaram em fevereiro de 2025, com o Flamengo buscando revisão para evitar perdas. Reuniões em abril e maio apresentaram cinco cenários pela Libra, mas sem consenso.
Em agosto, assembleia aprovou o modelo de audiência por maioria, ignorando veto rubro-negro. O Flamengo alega violação estatutária, pois mudanças exigem unanimidade.
A gestão atual, sob Luiz Eduardo Baptista (Bap), acusa motivações políticas ligadas à transição de Rodolfo Landim. A Libra rebate, destacando aprovação prévia e impacto em clubes menores.
O bloqueio não afeta os 70% restantes do contrato, pagos normalmente.
Reações dos envolvidos na briga
Palmeiras, por meio de Leila Pereira, chamou a ação de “terraflamismo” e planeja contra-ataque judicial. São Paulo e Santos classificaram a medida como “sorrateira”, agravando tensões financeiras.
A Libra enfatiza coletividade: “Juntos valemos mais; separados, destruímos o valor do futebol”. Dirigentes veem o impasse como risco à harmonia do bloco.
Grêmio e Atlético-MG mantêm neutralidade, mas apoiam recurso coletivo. O Vitória, na zona de rebaixamento, sofre mais com o atraso em caixa.
Comparação com receitas de 2024
Em 2024, o Flamengo recebeu R$ 300 milhões individuais, sem blocos como a Libra. Palmeiras faturou R$ 187 milhões, São Paulo R$ 163 milhões.
A transição para o novo modelo reduz valores para todos, mas proporcionalmente mais para o Flamengo. Grêmio teve R$ 137 milhões, Bahia R$ 94 milhões.
RB Bragantino fechou em R$ 60 milhões, enquanto Santos não divulga dados exatos.
O contrato da Libra garante R$ 1,17 bilhão anuais com Globo, mais 40% da receita líquida de PPV, projetada em R$ 500 milhões.

