Thiago Paulino – Foto: Cris Mattos/CPB
Thiago Paulino obteve a marca de 14,82 metros no arremesso de peso da categoria F57 durante o Mundial de atletismo paralímpico, em Nova Délhi, na Índia, neste sábado (4). O atleta brasileiro de 39 anos, que compete sentado devido a uma amputação na perna esquerda, alcançou essa distância na quarta de seis tentativas e inicialmente ficou em segundo lugar na final. O iraniano Yasin Khosravi liderou com 16,60 metros, enquanto o indiano Soman Rana completou o pódio com 14,69 metros. No entanto, o resultado provisório enfrenta análise após recurso apresentado pelo finlandês Teijo Koopikka, que contestou quatro arremessos do brasileiro alegando perda de contato com a cadeira.
O Comitê Paralímpico Brasileiro também protocolou contraprotesto, e a decisão final deve sair apenas no domingo (5), último dia da competição. Enquanto isso, Paulino ocupa a quinta posição, atrás do saudita Haidir Salamho, com 14,47 metros. A categoria F57 destina-se a atletas com deficiências nos membros inferiores, como amputações ou paralisias moderadas, e exige manutenção constante do contato com o assento durante o movimento.
- Ouro: Yasin Khosravi (Irã) – 16,60 m (recorde mundial da prova).
- Prata provisória: Soman Rana (Índia) – 14,69 m.
- Bronze provisório: Teijo Koopikka (Finlândia) – 14,51 m.
- Quinto provisório: Thiago Paulino (Brasil) – 14,82 m (sob análise).
MAIS UMA 🥈PRATA PRA CONTA
Em um dia com pouquíssimos brasileiros em disputas de medalha, Thiago Paulino foi prata no arremesso de peso F57 com 14,82m, atrás de iraniano que bateu o WR com 16,60m
🇧🇷BRA soma 38 medalhas: 12🥇19🥈7🥉
Mundial acaba amanhã pic.twitter.com/Ma2C13I0ej
— Os Olímpicos 🇧🇷 (@osolimpicos) October 4, 2025
O Brasil acumula 37 medalhas no evento, liderando o quadro geral com 12 ouros, 18 pratas e 7 bronzes, à frente da China.
Trajetória de Thiago Paulino no esporte paralímpico
Paulino começou no atletismo em 2011, após um acidente de moto em 2010 que resultou na amputação do joelho para baixo na perna esquerda. O paulista de Orlândia treinou inicialmente com um professor de educação física e logo se destacou nas provas de lançamento.
Em Mundiais, ele soma três ouros e duas pratas no arremesso de peso e lançamento de disco F57, com vitórias em Londres 2017 e Dubai 2019. Sua melhor marca pessoal no peso é de 15,10 metros, registrada nas Paralimpíadas de Tóquio 2020, onde conquistou bronze após revisão de resultado.
Nas Paralimpíadas, Paulino tem prata em Paris 2024 e bronze em Tóquio 2020 na mesma modalidade, além de ouro no disco em Londres 2017.
Detalhes do recurso no arremesso de peso
O protesto do finlandês Koopikka questiona as tentativas 1, 2, 4 e 6 de Paulino, alegando violação à regra que exige contato permanente com a cadeira durante o arremesso. A norma técnica da World Para Athletics proíbe elevação do quadril para evitar vantagem mecânica.
A análise envolve revisão de vídeos de múltiplos ângulos pela comissão de arbitragem. Koopikka, com 14,51 metros, subiria para bronze se o recurso for aceito integralmente, enquanto o Brasil argumenta ausência de irregularidade visível nas imagens oficiais.
Essa não é a primeira controvérsia envolvendo Paulino; em Tóquio 2020, ele perdeu o ouro para bronze por similar motivo, após protesto chinês.
Decisões como essa ocorrem em cerca de 5% das finais de campo no atletismo paralímpico, segundo dados da entidade reguladora, para garantir equidade.
O processo segue protocolo padrão: análise inicial em até 24 horas, com possibilidade de apelação ao júri internacional.
Participação de Henrique Caetano na velocidade
Henrique Caetano disputou a final dos 100 metros T35, categoria para atletas com paralisia cerebral moderada, e terminou em quarto lugar com 11s75. A prova ocorreu no mesmo dia, no Estádio Jawaharlal Nehru.
O vencedor foi o russo Artem Kalashian, dos Atletas Paralímpicos Neutros, com 11s55, seguido por David Dzhatiev e Dmitrii Safronov, também russos, com diferenças mínimas.
Caetano ficou a apenas 0,05 segundos do bronze, marcando seu melhor tempo na temporada atual.
O paulista de 24 anos avançou às semifinais com recorde das Américas nos 200 metros T35 mais cedo no Mundial.
Conquistas recentes da delegação brasileira
A Seleção Brasileira de atletismo paralímpico chegou a Nova Délhi com 50 atletas, após convocação em agosto baseada em critérios mínimos da World Para Athletics. O foco incluiu provas de pista e campo, com ênfase em inclusão via programas como Bolsa Atleta e Loterias Caixa.
No evento, o Brasil já celebrou recordes mundiais, como os de Wanna Brito no arremesso de peso F32 e Antônia Keyla nos 1.500 metros T20.
Outros destaques incluem ouro de Yeltsin Jacques nos 1.500 metros T11 e prata de Alessandro Silva no disco F11.
A campanha soma 37 pódios até o momento, com potencial para nove mais no último dia, incluindo finais de Petrúcio Ferreira nos 100 metros T47.
Histórico de medalhas de Paulino em grandes eventos
Paulino acumula 12 medalhas em competições internacionais de alto nível desde 2017. Sua consistência no F57 reflete treinamento no Centro Paralímpico de São Paulo, integrado ao Time São Paulo.
Em 2023, ele levou prata no Mundial de Paris, reforçando o domínio brasileiro na modalidade.
O apoio estatal, via Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, beneficia 154 atletas como ele.
Esses resultados posicionam o Brasil como potência, com 304 medalhas históricas em Mundiais de atletismo paralímpico.
Outras finais do dia em Nova Délhi
Além de Paulino e Caetano, o Brasil teve avanços nas eliminatórias dos 100 metros T12, com Clara Daniele e Lorraine Aguiar classificadas para semifinais.
Bartolomeu Chaves venceu os 400 metros T37, somando ouro na paralisia cerebral unilateral.
Maria Clara Augusto levou ouro nos 400 metros T47, ampliando o total de pódios.
O evento, de 27 de setembro a 5 de outubro, reúne 1.200 atletas de 100 países, promovendo acessibilidade no Jawaharlal Nehru Stadium.


