A comédia “Gail Daughtry and the Celebrity Sex Pass”, destacada em uma análise publicada em 8 de julho de 2026, apresenta sua protagonista, interpretada por Zoey Deutch, em um momento de questionamento sobre a própria essência de sua jornada. A trama acompanha Gail numa viagem que evoca “O Mágico de Oz”, partindo do Kansas rumo a Hollywood. O objetivo é ajustar contas com seu noivo e concretizar o “passe livre sexual de celebridade” com Jon Hamm.
Após enfrentar mais um revés em sua busca, Gail expressa seu desânimo com a situação: “Ridículo. É idiota. Apenas uma premissa totalmente sem sentido”, afirma a personagem, questionando o propósito de tudo aquilo.
John Slattery, interpretando uma versão mais melancólica e cômica de si mesmo um ator que não atua há uma década, com autodefesa como hobby e mensagens não respondidas pelo ex-colega de “Mad Men” convence Gail de que eles já se aprofundaram demais na missão para desistir. Essa resiliência reflete bem o espírito do filme inegavelmente absurdo do diretor David Wain e de seu corroteirista Ken Marino, que decidiram criar a obra justamente porque a ideia original era considerada estúpida, ilógica e sem rumo.
Assim como “Wet Hot American Summer”, de Wain, foi uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma paródia da estranheza dos acampamentos de verão, “Gail Daughtry” satiriza Hollywood e a fama em uma realidade exagerada e anárquica. No início da narrativa, Gail, uma mulher inocente que nunca deixou o Kansas, desconhece o conceito de “passe livre sexual de celebridade”. Seu namorado do ensino médio também ignora a ideia, mas poucas horas depois, ela descobre que ele já aproveitou a sua oportunidade. É nesse ponto que começa a busca de Gail para encontrar o ator que interpretou Don Draper.
Gail e seu colega cabeleireiro Otto, interpretado por Miles Gutierrez-Riley, encontram novos companheiros em sua jornada. Entre eles está Ken Marino no papel de um fotógrafo em desgraça, cuja incapacidade de tirar uma foto espontânea de Jon Hamm durante o auge de “Mad Men” o levou a um declínio com drogas e moradores de rua. Há também Ben Wang como um agente aspirante entusiasmado, porém desorientado. Gail não esconde seu objetivo, e seus novos amigos não hesitam em ajudar. A trama ainda inclui um enredo secundário sobre uma maleta trocada e uma conspiração internacional para desestabilizar o sistema financeiro global, que serve principalmente para preparar um clímax absurdamente violento.
Nesse universo cinematográfico, as celebridades se mostram um tanto tensas. Henry Winkler posa com relutância para uma foto ao lado de dois capangas, enquanto Weird Al Yankovic demonstra pouca hospitalidade aos invasores amigáveis em sua propriedade. O guarda-costas de Jon Hamm chega a fazer uma ameaça peculiar aos visitantes não anunciados: “Vou fazer você passar mal”.
De maneira notável, “Gail Daughtry and the Celebrity Sex Pass” foi filmado em Los Angeles. Locações como o Chateau Marmont, um antigo cenário de filmes de faroeste e outros locais menos glamourosos foram utilizados, todos capturados com um toque de afeto e ironia. Há uma piada recorrente sobre o desejo de visitar o Universal CityWalk, e o recepcionista do hotel em Hollywood oferece sugestões sobre o melhor café (Starbucks), hambúrguer (McDonald’s) e artigos diversos ou chicletes (7-Eleven) que a região da Hollywood Boulevard pode oferecer.
O único aspecto que o filme aborda com seriedade é sua dedicação total ao absurdo. Nenhuma ideia é considerada tola demais para ser explorada, por vezes até repetidamente. Mesmo quando as piadas não atingem o alvo, há uma espécie de alegria intrínseca em toda a produção. Ao chegarem a Los Angeles, Gail e Otto recebem um aviso espontâneo do motorista de táxi, Richard Kind, sobre os perigos de acreditar que alguém pode desembarcar em Hollywood e, da noite para o dia, se tornar uma Elizabeth Perkins.
Embora o crítico admita não ter gargalhado intensamente (comparando, com respeito, a obra a “Barb and Star Go to Vista Del Mar”), a experiência de imersão nesse universo absurdamente divertido por 93 minutos foi bastante agradável. A matéria finaliza com um apelo por mais comédias despretensiosas, pois, segundo o autor, elas são necessárias.
“Gail Daughtry and the Celebrity Sex Pass”, um lançamento da Sony Pictures Classics, está em cartaz nos cinemas. O filme recebeu classificação indicativa R pela Motion Picture Association, devido à presença de “linguagem, violência e imagens sangrentas, além de conteúdo sexual”. A duração total é de 93 minutos, e a avaliação do crítico foi de duas estrelas e meia de um total de quatro.



