Uefa rejeita plano da Fifa para fundo bilionário de US$ 20 bilhões na Copa do Mundo

Redação
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Uefa rejeita plano da Fifa para fundo bilionário de US$ 20 bilhões na Copa do Mundo

Foto: Troféu sendo exibido no palco da decisão da Copa do Mundo Jordan Bank – FIFA/FIFA

A Uefa manifestou sua desaprovação a um projeto da Fifa que visa comercializar fatias da Copa do Mundo para investidores privados. A entidade europeia considerou a iniciativa “um limite que as instituições que regem o futebol jamais deveriam ultrapassar”, reforçando que a competição “não pertence à Fifa”, em 28 de julho de 2026.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, havia revelado a iniciativa de estabelecer uma companhia avaliada em 20 bilhões de dólares (equivalente a aproximadamente 102 bilhões de reais) para gerir a Copa do Mundo, atraindo capitais privados.

A criação de uma nova entidade, denominada Fifa Forward Enterprise (FFE), com o objetivo de administrar torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes, foi amplamente divulgada por veículos da imprensa internacional.

Em nota oficial, a Fifa explicou que a FFE mobilizaria até 4,2 bilhões de dólares já neste ano, destinados a financiar iniciativas de desenvolvimento. A organização projetou um capital inicial de 20 bilhões de dólares para a empresa, buscando investidores de longo prazo que deteriam participações minoritárias e não controladoras.

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A Fifa confirmou que o banco JP Morgan é seu parceiro financeiro neste projeto. Entre os potenciais investidores, menciona-se a Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, cujo irmão, Jared Kushner, possui laços familiares com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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O torneio global de futebol, que havia sido concluído recentemente, reforçou as conexões políticas e pessoais entre Trump e Infantino, gerando apreensões sobre essa proximidade, especialmente por parte da Uefa.

Ainda de acordo com a Fifa, a FFE permaneceria sob sua propriedade e teria como função centralizar as operações comerciais e de eventos.

Se a proposta seguir adiante, a gestão da Copa do Mundo poderia passar para uma empresa externa, desvinculada da Fifa, que é atualmente uma organização sem fins lucrativos que supervisiona o futebol mundial.

No entanto, a Fifa e Infantino enfrentam uma vigorosa oposição da Uefa. A confederação europeia de futebol divulgou um posicionamento contrário ao projeto.

Em seu comunicado, a Uefa declarou: “Isto ultrapassa o limite que as instituições que regem o futebol nunca deveriam ultrapassar”. A entidade enfatizou a seriedade da situação, apelando a todas as federações nacionais, ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e demais interessados para que compartilhem dessa preocupação com o futuro do esporte.

Ainda no documento, a Uefa prosseguiu: “A essência e a governança do futebol não são bens para serem negociados – especialmente sem nenhuma transparência sobre quem lucra financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não é da Fifa que ele possa ser vendido”.

O atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, de 56 anos, tem previsão de concorrer novamente à reeleição no próximo ano.

Se for bem-sucedido, Infantino ocupará a presidência até 2031, data em que os regulamentos da Fifa exigem sua saída devido ao limite de mandatos.

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Relatos na imprensa internacional sugerem que Infantino poderia assumir a gestão da nova empresa como comissário, logo após o término de seu mandato na Fifa.

A Fifa, atualmente, opera como uma associação sem fins lucrativos, com sede na Suíça, e é formada por 211 federações nacionais afiliadas globalmente.

A aprovação de qualquer plano como este dependeria desses 211 membros, que teriam a chance de acessar até 20 milhões de dólares em capital único.

Em um comunicado emitido pela Fifa, Infantino afirmou que a proposta visa “a democratização do futebol em todo o mundo”.

A Fifa também tem em sua agenda um congresso virtual para 23 de novembro, com o objetivo de confirmar as cidades que sediarão as edições da Copa do Mundo Feminina em 2031 e 2035.

É relevante notar que, em 2018, Infantino havia apresentado uma proposta sigilosa de 25 bilhões de dólares, ao longo de 12 anos, em parceria com o SoftBank do Japão. O plano visava criar novas competições globais, como uma versão ampliada do Mundial de Clubes masculino, supostamente com financiamento da Arábia Saudita. Este histórico demonstra uma persistência na busca por investimentos privados para expandir e reformular o calendário do futebol, gerando resistência da Uefa em ocasiões anteriores.

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Essa proposta anterior fracassou diante da forte resistência da Uefa, que enxergou no projeto uma ameaça direta aos seus principais torneios, como a Champions League e a Eurocopa.

Apesar dos obstáculos, Infantino fortaleceu seus laços com o futebol da Arábia Saudita e com o príncipe herdeiro do reino, Mohammed Bin Salman.

A Arábia Saudita será a sede da Copa do Mundo de 2034 e desempenhou um papel financeiro significativo na remodelação do Mundial de Clubes, que ocorreu nos Estados Unidos no ano anterior.

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