Amilcar Tanuri – Foto: Reprodução
O virologista Amilcar Tanuri faleceu nesta sexta-feira (26), aos 67 anos, no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A morte ocorreu por complicações cardíacas relacionadas à diálise, conforme confirmado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atuava como professor e pesquisador. Tanuri, nascido em 1958 na capital fluminense, dedicou décadas à virologia molecular, com foco em vírus como HIV e arboviroses.
Professor titular do Departamento de Genética do Instituto de Biologia da UFRJ desde 2011, Tanuri chefiava o Laboratório de Virologia Molecular. Sua trajetória incluiu contribuições para a saúde pública brasileira, incluindo o desenvolvimento de testes para detecção de HIV e estudos sobre resistência viral.
Ele ingressou na UFRJ em 1977 para cursar Medicina e concluiu o curso em 1982. Posteriormente, obteve mestrado em Biofísica e doutorado em Genética pela mesma instituição, sob orientação de Darcy Fontoura de Almeida.
A instituição universitária destacou o pioneirismo de Tanuri em pesquisas aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Formação acadêmica e especializações
Tanuri completou sua graduação em Medicina na UFRJ em 1982. Em seguida, iniciou o mestrado em Biofísica na mesma universidade.
O doutorado em Genética veio em 1990, com defesa sob orientação especializada. Esses passos iniciais moldaram sua expertise em genética molecular.
Ele realizou especialização em Genética Molecular na Universidade de Sussex, na Inglaterra. Posteriormente, fez pós-doutorado no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em Atlanta, dos Estados Unidos, entre 1996 e 1998.
Essas experiências internacionais ampliaram seu conhecimento em virologia.
Contribuições para a pesquisa em HIV
Desde os anos 1980, Tanuri colaborou em ensaios para detecção do HIV. Essas parcerias com instituições como a Fiocruz prosseguiram na década de 1990.
Nos anos 2000, ele integrou o desenvolvimento do kit NAT-brasileiro para segurança transfusional. O projeto atendeu solicitação do Ministério da Saúde e ampliou testes no país.
Como consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2000, atuou na rede HIV ResNet. Focou em estudos sobre resistência do vírus a medicamentos.
Ele publicou trabalhos sobre diversidade genética e subtipos do HIV-1.
Avanços em arboviroses e zika
Tanuri iniciou pesquisas sobre o vírus zika em 2015. Seus estudos abordaram a relação com microcefalia durante a emergência de saúde.
Ele coordenou investigações sobre arboviroses, incluindo dengue e chikungunya. Esses trabalhos visaram vigilância genômica no Brasil.
Parcerias com a Fiocruz fortaleceram análises moleculares. Contribuições incluíram identificação de variantes virais em circulação.
- Identificação de mutações no zika associadas a complicações neurológicas.
- Desenvolvimento de métodos para monitoramento de surtos de arboviroses.
- Colaboração em redes nacionais de pesquisa para prevenção de epidemias.
Trabalho durante a pandemia de Covid-19
Tanuri liderou pesquisas em diagnóstico molecular para o novo coronavírus. Sua equipe focou na vigilância genômica de variantes brasileiras.
Ele atuou na produção de conhecimento sobre respostas imunes em pacientes locais. Esses esforços apoiaram estratégias de imunização no país.
Como primeiro servidor da UFRJ vacinado contra a Covid-19, simbolizou o compromisso acadêmico. Pesquisas recentes exploraram edição de DNA para reduzir virulência viral.
A iniciativa visava vacinas mais seguras e duradouras.
Em nota, a Fiocruz reconheceu parcerias com Tanuri desde os anos 1980. Destacou avanços em imunobiológicos para o SUS.
Legado na formação de cientistas
Tanuri formou gerações de pesquisadores na UFRJ. Como coordenador de Ciências Biológicas na Faperj, apoiou projetos estaduais.
Ele era membro titular da Academia Brasileira de Ciências e comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Essas distinções reconheceram sua influência na biologia molecular.
Pesquisador associado à Universidade Columbia, nos Estados Unidos, expandiu colaborações internacionais. Seu foco permaneceu na aplicação prática da ciência à saúde pública.
A comunidade acadêmica valorizou sua dedicação à transferência de tecnologias para o SUS.
Vida pessoal e despedida
Casado com Andrea Tavares, Tanuri deixava dois filhos, Luiza e João. A família acompanhou sua trajetória profissional.
O velório ocorre neste sábado (27), das 10h às 14h, no Átrio do Palácio Universitário, no campus da Praia Vermelha da UFRJ. O enterro segue no Cemitério São João Batista.
Instituições como a Academia Brasileira de Ciências e a FAPERJ emitiram notas de pesar. Enfatizaram seu papel em epidemias recentes.

