Andrezinho do Molejo e Arlindo Cruz – Foto: instagram
Arlindo Cruz faleceu aos 66 anos no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, deixando um legado imensurável no samba e pagode brasileiros. O cantor, compositor e instrumentista, vítima de um AVC hemorrágico em 2017, enfrentava complicações de saúde, incluindo uma pneumonia que agravou seu quadro. Internado no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste carioca, Arlindo não resistiu após anos lutando contra sequelas que limitaram sua mobilidade e fala. A notícia, confirmada por sua família, abalou o mundo da música, com tributos emocionados de artistas como Andrezinho, do Molejo, que destacou a amizade e o impacto do sambista. A morte marca o fim de uma trajetória que revolucionou o gênero, mas suas canções seguem vivas no coração dos fãs.
O sambista, nascido em Madureira, construiu uma carreira marcada por sucessos como “Meu Lugar” e “O Show Tem que Continuar”. Sua influência se estende por gerações, com mais de 700 composições gravadas por nomes como Zeca Pagodinho e Beth Carvalho. Andrezinho, em entrevista à Quem, relembrou a generosidade e o talento de Arlindo, descrevendo-o como um “agregador” que espalhava alegria.
- Compositor prolífico: Mais de 700 músicas gravadas.
- Ícone do pagode: Revolucionou o gênero nos anos 1980 com o Fundo de Quintal.
- Legado carnavalesco: Sambas-enredo para Império Serrano e outras escolas.
- Homenagens póstumas: Artistas e fãs celebram sua trajetória nas redes sociais.
Arlindo começou sua jornada musical aos sete anos, aprendendo cavaquinho com o pai, e se consolidou nas rodas de samba do Cacique de Ramos, onde conheceu grandes nomes do gênero.
Início da carreira e laços com o Molejo
Arlindo Cruz despontou no samba na década de 1980, frequentando as rodas do Cacique de Ramos, ao lado de Jorge Aragão, Beth Carvalho e Almir Guineto. Sua habilidade como compositor logo chamou atenção, com canções gravadas por artistas consagrados. Em 1981, entrou para o Fundo de Quintal, assumindo o banjo e a voz após a saída de Jorge Aragão, marcando a renovação do pagode. Após 12 anos no grupo, lançou-se em carreira solo em 1993, mas manteve laços com outros artistas, incluindo o Molejo.
Andrezinho, vocalista do Molejo, relembrou com emoção a parceria com Arlindo, que integrou o grupo como a primeira banda após deixar o Fundo de Quintal. “Ele foi nosso alicerce, trouxe um peso enorme com sua experiência e talento”, disse à Quem. A relação foi além da música: Andrezinho é padrinho de Flora, filha de Arlindo, uma honra que reforça o vínculo familiar entre eles. O sambista também colaborou com Sombrinha, outro ex-Fundo de Quintal, em álbuns que marcaram época.
- Primeira banda: Molejo foi o primeiro grupo de Arlindo após o Fundo de Quintal.
- Parceria com Sombrinha: Cinco álbuns lançados entre 1996 e 2002.
- Laço familiar: Andrezinho batizou Flora, filha de Arlindo e Babi Cruz.
- Impacto no pagode: Introduziu arranjos inovadores ao Molejo.
A saída de Arlindo do Fundo de Quintal abriu portas para uma carreira solo prolífica, com álbuns como o “MTV Ao Vivo: Arlindo Cruz” (2009), que vendeu 100 mil cópias e consolidou seu nome.
Legado musical e cultural
Arlindo Cruz compôs mais de 700 músicas, muitas delas hinos do samba e pagode. Suas letras, que exaltavam Madureira, a negritude e o amor, tocaram corações pelo Brasil. Canções como “Meu Lugar”, “O Bem” e “Tá Perdoado” foram gravadas por artistas como Maria Rita, que incluiu seis de suas composições no álbum “Samba Meu” (2007). Sua habilidade no banjo e no cavaquinho também o destacou como instrumentista, influenciando gerações de músicos.
No carnaval, Arlindo deixou sua marca com sambas-enredo para escolas como Império Serrano, onde venceu disputas em 12 carnavais, além de Grande Rio e Vila Isabel. Em 2023, a Império Serrano o homenageou com o enredo “Lugares de Arlindo”, e o sambista, mesmo com limitações, desfilou na Sapucaí, emocionando o público. Sua biografia, “O Sambista Perfeito”, lançada em 2025, detalha sua trajetória com depoimentos de nomes como Zeca Pagodinho e Maria Bethânia.
- Sucessos atemporais: “Meu Lugar”, “O Show Tem que Continuar” e “Casal Sem Vergonha”.
- Homenagem no carnaval: Enredo da Império Serrano em 2023.
- Biografia marcante: Livro de Marcos Salles lançado na Bienal do Rio.
- Parcerias de peso: Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Maria Rita gravaram suas canções.
A versatilidade de Arlindo permitiu que ele transitasse entre o samba tradicional e o pagode romântico, conquistando públicos diversos e solidificando seu lugar na história da música brasileira.
Desafios de saúde e luta pela vida
O AVC hemorrágico sofrido em 2017, enquanto se preparava para um show com o filho Arlindinho, mudou drasticamente a vida de Arlindo. Internado por quase um ano e meio, ele enfrentou sequelas que comprometeram sua mobilidade e fala. Babi Cruz, sua esposa, compartilhou nas redes sociais a rotina de cuidados, que incluía fisioterapia e fonoaudiologia. Apesar das dificuldades, Arlindo reagia à música, balbuciando palavras, segundo relatos da família.
Em 2024, o sambista enfrentou infecções respiratórias e urinárias, além de uma série de pneumonias – mais de 30, conforme Babi. Em abril de 2025, uma nova internação para tratar pneumonia agravou seu estado. Mesmo após a alta em junho, ele retornou ao hospital dias depois, lutando contra uma bactéria resistente. “Ele não respondia mais a estímulos, mas acreditávamos que superaria”, disse Babi, em tom de esperança, semanas antes do falecimento.
- AVC em 2017: Comprometeu mobilidade e fala, afastando-o dos palcos.
- Internações frequentes: Mais de 30 pneumonias ao longo dos anos.
- Cuidados intensivos: Fisioterapia e fonoaudiologia na rotina.
- Última internação: Pneumonia em abril de 2025 agravou o quadro.
A luta de Arlindo foi acompanhada por fãs e artistas, que se mobilizaram em apoio, reforçando sua importância para a cultura brasileira.
Homenagens e impacto no samba
A morte de Arlindo Cruz gerou comoção imediata. Andrezinho, em entrevista à Quem, prometeu homenageá-lo “por toda a vida”. Zeca Pagodinho, amigo de longa data, publicou um vídeo emocionado: “Meu cumpadre sofreu muito, agora precisa descansar.” A Império Serrano destacou a genialidade do compositor, enquanto a Mangueira reforçou que sua luz seguirá brilhando nas rodas de samba.
Nas redes sociais, fãs e artistas como Péricles e Marcelo D2 compartilharam memórias, celebrando canções que marcaram gerações. O programa “Sem Censura”, da TV Brasil, exibiu um tributo com Arlindinho cantando clássicos como “Meu Lugar”. A biografia de Arlindo, lançada em julho de 2025, reforça seu legado com mais de 120 depoimentos, incluindo de Maria Bethânia.
- Tributo na TV: “Sem Censura” exibiu especial com Arlindinho.
- Reações nas redes: Zeca Pagodinho e Péricles lamentaram a perda.
- Legado eterno: Mais de 700 composições seguem vivas.
- Biografia celebrada: Lançamento na Bienal do Rio em 2025.
O impacto de Arlindo transcende a música, sendo um símbolo de resistência e paixão pelo samba, enraizado na cultura carioca e brasileira.
Vida pessoal e laços familiares
Arlindo era casado com Babi Cruz desde 2012, com quem teve dois filhos, Arlindinho e Flora. Arlindinho seguiu os passos do pai como cantor, enquanto Flora se destaca como influenciadora. A família foi essencial no suporte após o AVC, adaptando a casa e acompanhando os tratamentos. Babi, em especial, foi incansável na divulgação de atualizações sobre a saúde do sambista, mantendo os fãs informados.
A relação com Andrezinho, além da música, era marcada por laços profundos. Como padrinho de Flora, ele relembrou momentos de alegria na casa de Arlindo, sempre cheia de amigos e música. Apesar de desafios pessoais, como o vício em cocaína nos anos 1980, relatado na biografia, Arlindo superou dificuldades com talento e dedicação, deixando um exemplo de superação.
- Família unida: Babi, Arlindinho e Flora foram pilares nos cuidados.
- Vínculo com Andrezinho: Padrinho de Flora e parceiro musical.
- Superação pessoal: Enfrentou vício e retomou a carreira.
- Casa de samba: Madureira era ponto de encontro de artistas.
A história de Arlindo Cruz é um capítulo vivo da música brasileira, eternizado por suas canções e pela memória daqueles que o amaram.


