O governo dos Estados Unidos insistiu nesta terça-feira (17) que a empresa de inteligência artificial Anthropic representa um “risco inaceitável” para o abastecimento militar, ao justificar a decisão de classificá-la como perigosa para o país.
O Pentágono — renomeado de Departamento de Guerra (DoW) pelo governo do presidente Donald Trump — justificou a decisão de cortar os laços com a Anthropic após ela entrar com a ação judicial.
Segundo um documento obtido pela AFP, o órgão avalia que manter o acesso da companhia à sua infraestrutura de combate representa um “risco inaceitável” para as cadeias de suprimentos.
“Os sistemas de IA são especialmente vulneráveis à manipulação”, acrescentou o governo em suas alegações perante um tribunal federal da Califórnia.
“A Anthropic poderia tentar desativar sua tecnologia ou alterar preventivamente o comportamento de seu modelo antes ou durante operações bélicas em curso, se a Anthropic – a seu critério – considerar que suas ‘linhas vermelhas’ corporativas estão sendo ultrapassadas”, ressaltou.
Segundo o documento, o fato de a Anthropic não aceitar que sua tecnologia seja usada por militares em “qualquer uso legal” é visto como um “risco inaceitável para a segurança nacional”.
“O comportamento da Anthropic levou o Departamento a questionar se a Anthropic representava um parceiro confiável”, disse o governo.
Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, e Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Reuters/Bhawika Chhabra; Reuters/Nathan Howard
A classificação da Anthropic como “risco para a cadeia de suprimentos”, contestada pela empresa na Justiça, pode impedir que fornecedores do governo façam negócios com ela.
Esta designação costuma ser reservada para organizações de países adversários estrangeiros, como a gigante da tecnologia chinesa Huawei.
Outras grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como a Microsoft, se posicionaram a favor da Anthropic. A empresa usa o modelo Claude e também presta serviços ao exército americano.
“Não é o momento de pôr em risco o ecossistema de IA que a administração contribuiu para impulsionar”, afirmou a Microsoft em um texto jurídico em separado apresentado ao tribunal na semana passada.

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