Delegada comenta crime similar ocorrido em Itumbiara
Imagem: Redes Sociais
O recente caso registrado em Itumbiara, em Goiás — onde um pai matou os dois filhos e tirou a própria vida — reacendeu uma dor profunda na delegada Amanda Souza, da Polícia Civil de Belém (PA). Ao comentar a tragédia, ela relembrou a própria história e descreveu como a violência vicária pode devastar famílias ao atingir os filhos para ferir emocionalmente a mãe.
Segundo informações da BBC News Brasil, Amanda reviveu os acontecimentos de 10 de julho de 2023, quando sua vida mudou para sempre após o ex-marido assassinar os dois filhos do casal.
Relacionamento marcado por ciúmes
A delegada contou que decidiu colocar fim no casamento em dezembro de 2022, após perceber que o comportamento do então companheiro estava se tornando cada vez mais doentio.
“Em dezembro [de 2022], diante de todo o ciúme que ele estava demonstrando de forma muito doentia — estava ficando cada vez pior —, eu coloco fim ao relacionamento, porque vejo que não tinha mais como manter aquela relação.”
Meses depois, veio a ameaça que antecedeu o crime. “Ele me escreve uma mensagem na manhã, dizendo que meu futuro seria de tristeza e solidão. Eu vou para a delegacia trabalhar.”
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A ligação que mudou tudo
Na tarde do crime, Amanda recebeu a ligação que marcaria sua vida. “Quando dá 16h, ele me liga. E nessa ligação ele me fala: ‘Parabéns, você conseguiu o que você queria: eu matei os seus dois filhos’.”
Ela correu para casa e encontrou os corpos das crianças — Marcelo, de 12 anos, e Letícia, de 9 — além do ex-marido, que tirou a própria vida após o crime. “Ou seja, como eu disse não para aquele casamento… ele coloca em mim a responsabilidade.”
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Violência vicária e padrão de comportamento
Amanda afirma que foi vítima de violência vicária — quando o agressor atinge filhos ou pessoas próximas para causar sofrimento à mulher. “Ele quer que essa mulher sofra em vida. Que ela se sinta culpada por aquilo que aconteceu. Esse é o conceito de violência vicária.”
Para a delegada, o comportamento do agressor segue um padrão típico de relacionamentos abusivos, marcado por controle excessivo, ciúmes e manipulação emocional.
Caso de Itumbiara reacende trauma
O caso recente ocorrido em Itumbiara (GO) trouxe à tona memórias dolorosas. Na última semana, o secretário de Governo do município, Thales Machado, atirou contra os dois filhos e depois tirou a própria vida. Um dos meninos morreu no local e o outro chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
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Amanda contou que ficou profundamente abalada ao saber do episódio. “Eu fiquei muito mexida, muito abalada emocionalmente. Eu me projetei em 10 de julho de 2023 e consegui sentir toda a dor que aquela mãe estava sentindo.”
Ela também criticou comentários nas redes sociais que tentavam responsabilizar a mãe pela tragédia.
“É uma falta de humanidade e de compaixão sem tamanho… como se uma traição legitimasse o homem a tirar a vida dos próprios filhos.”
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Transformando dor em propósito
Hoje com 43 anos, Amanda atua na Unidade de Recuperação de Dispositivos Móveis, em Belém, e afirma que compartilhar sua história é uma forma de ajudar outras mulheres a reconhecer sinais de abuso. “Ele disse que meu futuro seria de tristeza e solidão. Essa mesma frase eu usei para me manter de pé.”
A delegada planeja aprofundar o estudo sobre violência vicária em um mestrado e reforça que identificar padrões de comportamento pode salvar vidas. “Se a conduta desse doente tem um padrão, significa que a gente pode identificar e pode evitar.”
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