Defesa de diretora de berçário nega maus-tratos e cita caso Escola Base sobre julgamentos precipitados

A defesa da diretora do Berçário Escola Sonharte afirmou que as acusações de maus-tratos contra ela não aconteceram nas dependências da instituição, destacou que nenhuma prova definitiva foi produzida e que qualquer conclusão imediata seria especulação. A declaração ocorre após a mãe de uma criança de 3 anos denunciar que o filho teria sido mordido pela empresária dentro da instituição, localizada no Jardim Planalto, em Goiânia.

Além das mordidas, o menino teria sido levado a uma sala escura e sacudido, fatos que não haviam sido mencionados pela mãe ao Mais Goiás e vieram a público pela própria defesa da diretora. O comunicado ainda cita o caso Escola Base, em que acusações infundadas destruíram a reputação de educadores.

“A criança teria relatado ter sido levada a uma sala escura, sacudida, que teriam gritado com ela e desferido uma mordida em seu braço esquerdo, o que teria sido praticado pela diretora. É fundamental salientar que as investigações policiais se encontram em fase absolutamente inicial. Até o momento, não houve qualquer conclusão pericial definitiva, oitiva completa de testemunhas ou pronunciamento judicial acerca da materialidade e autoria dos fatos noticiados”, afirma a defesa, assinada pelos advogados Reginaldo Alves e Souza e Waldeir José de Oliveira Neto.

A mãe do menino, Bruna Araújo, contou que descobriu a suposta agressão na noite do dia 11 de fevereiro, mesmo dia em que o marido foi chamado à escola para ser informado de que o filho teria mordido um colega. “Ela falou na frente de outros pais: ‘Esse seu filho está agressivo, está mordendo.’ Quando cheguei em casa, perguntei o que tinha acontecido. Ele olhou para mim e disse: ‘Ela me mordeu, mamãe’”, relatou.

Segundo Bruna, o exame de corpo de delito apontou que a marca era incompatível com a mordida de uma criança e teria sido feita por um adulto. Além disso, o filho mencionou que a diretora pediu para que ele não contasse aos familiares. “Ele disse que mandaram não falar nada, senão a mamãe também seria mordida”, contou Bruna, que também acionou o Conselho Tutelar e o Ministério Público.

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Laudo aponta que mordida em braço de criança de 3 anos foi feita por adulto (Foto: Aquivo Pessoal/Bruna Araújo)

Após compartilhar o caso nas redes sociais, os pais de uma menina de 2 anos entraram em contato com Bruna e contaram que retiraram a filha da escola após 20 dias. “Ela chegou com marcas que não pareciam mordida de criança e um arranhão profundo. Em outra vez, estava com a perna roxa. Quando perguntei à diretora, ela disse que minha filha tinha caído de um brinquedo. Achei estranho e tirei na hora”, disse a mãe da menina.

Comparação com o caso Escola Base

A defesa da diretora citou o caso Escola Base, ocorrido em 1994, para alertar sobre o risco de julgamentos precipitados. Na época, os donos da escola em São Paulo, Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, foram acusados injustamente de abuso sexual infantil por parte de alunos. Embora a acusação tenha gerado ampla repercussão e levado ao fechamento da instituição, as investigações posteriores não comprovaram nenhum crime.

“Isso demonstra que palavras lançadas sem embasamento real podem destruir vidas e o sustento de várias pessoas que dependem daquela instituição de ensino”, afirma a nota da defesa do Berçário Escola Sonharte.

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Crianças dormindo no chão

Após a denúncia sobre a mordida dentro, novas acusações de mães e ex-funcionárias afirmam que, além da suposta agressão, alunos eram obrigados a dormir amontoados no chão, em colchonetes sujos e salas superlotadas. Há ainda relatos de castigos, alimentação insuficiente e intimidação da diretora contra funcionários que tentavam denunciar os fatos.

Imagens enviadas ao Mais Goiás mostram crianças deitadas lado a lado, sem espaçamento adequado, em colchonetes no chão. De acordo com relatos, os colchões estavam sujos e, em alguns casos, mofados. “As salas eram superlotadas. As crianças dormiam todas juntas, amontoadas. Era tudo muito insalubre”, afirmou uma funcionária que preferiu não se identificar.

“Ela falava que um menino especial era ‘chorume’. Deixava ele fora da sala, no sol quente, de castigo. Eu presenciei muitas coisas, mas não conseguia provar”, contou uma ex-colaboradora que trabalhou no berçário por oito meses.

crianças x berçário x chao
Após denúncia de mordida, mães e ex-funcionárias relatam crianças amontoadas no chão em berçário de Goiânia (Foto: Arquivo Pessoal)

“Estou recebendo, uma atrás da outra, imagens de crianças deitadas em colchonetes, sem proteção. As funcionárias fizeram as imagens, mas não tinham coragem de fazer a denúncia por medo. Elas diziam que se sentiam ameaçadas. Que tinham medo de perder o emprego e sofrer represálias”, contou Bruna Araújo, mãe de Leonardo.

A direção do berçário nega todas as acusações.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Goiânia (DPCA), que instaurou inquérito para apurar os fatos e vai colher depoimentos nos próximos dias. Até o momento, não há conclusões oficiais sobre a veracidade das denúncias, e o berçário continua em funcionamento.

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