Prisão de delegado em Rio Verde afundou instituto em colapso que durou meses, dizem alunos

Segundo alunos e ex-funcionários, o Instituto acumula mais de R$ 200 mil em impostos atrasados, além de outros débitos

Imagem da fachada

Além das dívidas tributárias, o atraso no aluguel teria motivado ação de despejo contra a escola (Foto: rede sociais)

Inglid Martins

Estudantes e ex-funcionários do Instituto Delta Proto afirmam que o cancelamento de turmas por “baixa quantidade de alunos” foi apenas a etapa final de um colapso financeiro que se arrastava há meses, desde a prisão de seus proprietários, o delegado Dannilo Proto e sua esposa, Karen Proto. Eles são investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público, por suspeita de desvio de recursos públicos, fraude em concursos e contratos educacionais, além de coação.

De acordo com uma fonte que conversou com o Mais Goiás e pediu para não ser identificada, a instituição acumula mais de R$ 200 mil em impostos em atraso, além de dívidas com fornecedores, professores e com o dono do imóvel onde funciona, que teria ingressado na Justiça para pedir a desocupação do prédio.

Diante da crise, a venda da escola para outro grupo está sendo cogitada, mas a negociação ainda não teria avançado. “Tem gente interessada em comprar, mas quando vê o volume das dívidas, desiste”, relatou a fonte.

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Aviso por mensagem encerra cursos e gera incerteza

Após a prisão do casal, a gestão financeira teria sido assumida pelos filhos, que, segundo funcionários, não compareceram à unidade no dia em que as turmas foram oficialmente suspensas. A comunicação ficou sob responsabilidade do coordenador pedagógico, que informou não ter acesso ao sistema financeiro nem autonomia para tratar de cancelamentos contratuais.

“Ele disse que não podia resolver nada porque tudo dependia do financeiro”, contou uma aluna. Segundo os estudantes, foram entregues apenas declarações de transferência e, em alguns casos, históricos escolares, sem garantia formal de desligamento ou prazos para regularização.

Com isso, alunos afirmam que não sabem se os contratos foram encerrados nem se podem ser cobrados futuramente. “Ninguém do financeiro apareceu para explicar como fica nossa situação”, disse um estudante.

Imagem das viaturas em frente ao instituto
Alunos chegaram a chamar a Polícia Militar após o anúncio do fim dos cursos (Foto: cedida ao Mais Goiás)

Alunos ficam sem garantia sobre contratos e cobranças

Diante da insegurança, alunos chegaram a acionar a Polícia Militar na unidade para se resguardar de possíveis coações. O receio foi reforçado por relatos de ex-alunos que, mesmo sem débitos, teriam sido cobrados por telefone pelo próprio Dannilo Proto quando ele já estava custodiado no Departamento de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia — episódio revelado em denúncia publicada pelo Mais Goiás.

Sem aulas, sem estágio e sem definições administrativas, os estudantes agora tentam obter documentos para se transferir para outras instituições, enquanto professores e funcionários aguardam informações sobre salários e rescisões.

A reportagem procurou o advogado Cil Farney, que representa o delegado Dannilo Proto. Ele confirmou que o Instituto Delta Proto está à venda, mas afirmou que não atua na defesa da empresa. Segundo Farney, ele irá buscar informações junto aos atuais gestores, filhos dos investigados, sobre as denúncias apresentadas. O espaço segue aberto para manifestações.

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