Brasília (DF) e Salvador (BA) — A disputa por uma vaga na chapa que concorrerá à reeleição junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se acirrar nesta semana após o petista dar uma declaração que lançou dúvidas se repetirá a dobradinha com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Apesar disso, parte do PT e integrantes do PSB defendem a manutenção do ex-governador de São Paulo no posto.
Na última quinta-feira (5/2), Lula sinalizou que tanto o vice-presidente, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), são nomes fortes para a composição de seu palanque em São Paulo (SP). O cenário no estado — o maior colégio eleitoral do país — ainda está indefinido, a cerca de oito meses para as eleições.
“Nós temos muito voto em São Paulo e condições de ganhar as eleições. Eu ainda não conversei com Haddad, nem com Alckmin, mas eles sabem que têm um papel a cumprir em São Paulo. A Simone também tem um papel para cumprir, e ainda não conversei com ela”, disse o chefe do Executivo em entrevista ao portal Uol.
A fala ampliou a corrida pela vaga de número dois do Planalto. Como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha, a cadeira é cobiçada por outros partidos, como o MDB.
Uma ala do PT sonda a possibilidade de aliança com a sigla para compor a chapa à Presidência, mas divergências internas podem atrapalhar. A avaliação, de acordo com petistas ouvidos pela reportagem, é que atualmente, no MDB, a maioria seria contrária à costura. Ainda assim, se Lula manter o favoritismo diante dos adversários, o cenário pode mudar.
Nesse sentido, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), é apontado como um bom nome para a chapa. Ele pretende deixar o governo até o fim de março, mas para concorrer ao governo de Alagoas. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA), também é cotado.
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Lula e Alckmin
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Presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin
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O ministro dos transportes, Renan Filho (MDB), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Governador Helder Barbalho e Lula
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Disputa em SP
- A cerca de oito meses para o pleito, o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país ainda está indefinido.
- O petista avalia nomes de Alckmin, Haddad e Simone Tebet para concorrer ao governo do estado.
- Os três também são cotados para disputar vagas no Senado. Neste ano, o presidente quer eleger mais aliados no Legislativo.
- Alckmin e Haddad, no entanto, relutam em entrar na corrida estadual. O ministro da Fazenda tem dito que quer coordenar a campanha de reeleição de Lula, enquanto Alckmin pretende se manter na vice.
Divergências
Dentro do PT, lideranças divergem sobre a melhor opção para disputar ocupar o posto. Enquanto um grupo tenta cativar o MDB, outra parte defende a permanência de Alckmin. O presidente da sigla, Edinho Silva, avalia que o vice-presidente tem fôlego para a disputa em São Paulo, mas prefere vê-lo dentro do governo.
“Ele é estratégico como vice-presidente, ele é estratégico como ministro da Indústria e Comércio e pelo papel que ele cumpriu agora nessa tensão das taxações do governo Trump. Então ele é uma figura pública estratégica para o Brasil”, afirmou Edinho a jornalistas.
Quadro histórico do PT, o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) também defendeu a manutenção de Alckmin como vice. Ele engrossou o coro pela candidatura de Haddad em São Paulo.
“Eu defendo há muito tempo que ele [Haddad] seja o nosso candidato, já que o Geraldo Alckmin, no meu entendimento, deve continuar como vice-presidente. Porque isso foi um pacto político, isso foi uma espécie de um contrato que nós assinamos com a sociedade brasileira, que a aliança entre o Lula e o Alckmin, criaria as condições para nós vencermos a eleição”, declarou.
O PSB também pretende lutar para manter o cargo. Integrantes do partido ouvidos pelo Metrópoles apostam que a aliança com o MDB não deve vingar, e listam fatores que pesam a favor de Alckmin. Entre eles, está a lealdade e o bom trabalho que vem desempenhando como vice e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ele ganhou destaque em meio às negociações sobre tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil.
Aliados também minimizaram a declaração de Lula, dizendo que o pessebista pode contribuir com a eleição em São Paulo, mas no papel de vice.
“Eu não tenho dúvida que Alckmin continua como vice-presidente, por tudo que ele representou na eleição e por tudo que ele fez de desempenho durante o governo. Eu acho que é o desejo dele, e também acho que é a vontade do presidente Lula”, disse o líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette (PSB-SP).


