O juiz Luciano Borges da Silva concluiu a audiência de instrução e julgamento de Amanda Partata, acusada de matar o ex-sogro e a mãe dele envenenados, em Goiânia, em 2023, nesta quinta-feira (5) e abriu prazo para os memoriais. A sessão tratou dos crimes de falsa identidade, falsidade ideológica, calúnia, ameaça, perseguição e extorsão.
Amanda permaneceu em silêncio. Sobre os memoriais, ou seja, as alegações finais, eles têm cinco dias para serem apresentados na forma escrita. Primeiro pelo Ministério Público, depois pela assistente de acusação e, por fim, pela defesa.
Os crimes teriam sido cometidos contra o ex-namorado, Leonardo Pereira Alves Filho, filho e neto das vítimas. As condutas são anteriores e diversas do homicídio. Consta na denúncia que eles romperam em 30 de julho de 2023, mas Amanda fazia contatos insistentes ao ex, tendo ele bloqueado mais de 100 números de telefone, além de trocar de aparelho duas vezes.
Ela chegou a alegar uma falsa gravidez, conforme o Ministério Público de Goiás (MPGO), e também teria feito ameaças de divulgar o exame, exigindo dinheiro, chegando a dizer que faria denúncia de um falso assédio contra a vítima. Inclusive, registrou linhas telefônicas em nome de terceiros para assediar Leonardo.
Na audiência, o advogado Rodrigo Faucz questionou Leonardo sobre os valores pedidos, que não foram pagos, e a ameaça de divulgação da gravidez, que para a vítima não teria problema. Sobre o falso assédio, ele relatou que não pagaria, pois não tinha cometido o crime.
Outro a falar foi o policial civil Leandro Meireles, que confirmou as denúncias do MP. O advogado questionou qual era o protocolo quando chega uma denúncia digital e se o celular foi apreendido, havendo a negativa pela testemunha. Ele disse que, no decorrer da investigação, é apurada a veracidade. O agente também informou não ter comprovado, por relatório, o pedido de um valor específico da acusada à vítima.
A defesa dispensou as testemunhas. Ao fim, Rodrigo Faucz também pediu que constasse em ata o registro de uma suposta difamação contra ele, em dezembro. Segundo o jurista, alegaram que não houve audiência, à época, porque ele teria fugido. “Aviltante. Violação do meu direito de imagem e pode se caracterizar como difamação. Jamais faria qualquer situação que fosse considerada um desrespeito para a Corte.”
O Mais Goiás entrou em contato com o advogado para comentar a audiência e ele informou em nota: “A defesa de Amanda Partata, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, informa que continua confiando no judiciário para garantir um julgamento justo e imparcial. Ficou claro na audiência que as acusações são infundadas e que, por conta dos problemas de saúde mental, ela precisa receber o tratamento médico adequado.”
Caso Partata
O caso de Partata repercutiu nacionalmente em 2023. A advogada teria colocado veneno em bolos de pote que levou para a casa das vítimas – Leonardo Pereira Alves, de 56 anos, e Luzia Tereza Alves, de 86 anos, respectivamente pai e avó de seu ex-namorado – durante uma visita, na manhã de domingo, 17 de dezembro.
Segundo as investigações, ela também tentou envenenar o tio e o avô do ex-companheiro, mas os dois não consumiram o doce. O laudo pericial destacou que Amanda Partata demonstrou premeditação e organização ao cometer os crimes.
Ainda conforme as investigações, Amanda pesquisou previamente na internet sobre venenos que seriam indetectáveis após a morte, e, com base nas pesquisas, adquiriu 100 ml de uma substância altamente tóxica e fatal. Câmeras de segurança captaram o momento em que a advogada recebeu uma encomenda do laboratório que teria fornecido o veneno.
Além disso, a apuração da Polícia revelou que Amanda teria sido movida pelo sentimento de rejeição após o término de um curto relacionamento com o filho de Leonardo. Durante o namoro, que durou pouco mais de um mês, ela chegou a fingir uma gravidez para se aproximar e ganhar a confiança da família. Porém, ao se sentir desprezada pelo ex-namorado, Amanda teria decidido causar dor e sofrimento tirando a vida de pessoas que ele amava.
Em depoimento, familiares das vítimas relataram que Amanda apresentou um comportamento dissimulado. Apesar de alguns parentes recusarem os bolos, Leonardo e Luzia os consumiram e passaram mal logo em seguida. Ambos morreram horas depois devido à ingestão da substância tóxica.
Amanda Partata responde, no processo do envenenamento, pelas seguintes acusações:
- Homicídio consumado triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de veneno e dissimulação) contra Leonardo Pereira Alves.
- Homicídio consumado triplamente qualificado, com agravante pela idade da vítima, contra Luzia Tereza Alves.
- Homicídio tentado duplamente qualificado (motivo torpe e emprego de veneno) contra o tio do ex-namorado.
- Homicídio tentado duplamente qualificado, com agravante pela idade da vítima, contra o avô do ex-namorado.


