É #FAKE que vídeo mostre capivara pegando ‘carona’ em cima de tatu; cena foi criada com IA

É #FAKE que vídeo mostre capivara pegando ‘carona’ em cima de tatu; cena foi criada com IA

Ferramentas de detecção apontam uso de inteligência artificial. Ao Fato ou Fake, pesquisador do Programa de Conservação do Tatu-Canastra explicou que conteúdo viral exibe versão com ‘inconsistências comportamentais e biológicas’.


É #FAKE que vídeo mostre capivara pegando ‘carona’ em cima de tatu; cena foi criada com IA — Foto: Reprodução

Circula nas redes sociais um vídeo que supostamente mostra uma capivara pegando “carona” em cima de um tatu. É #FAKE.

🛑 Como é o vídeo?

  • O conteúdo viralizou no janeiro no Facebook, no Instagram, no X e no YouTube. Em todas essas redes, o vídeo tem uma caixa de texto sobreposta às imagens com a seguinte descrição, em inglês: “Tatu carrega capivara enquanto atravessa rua na Flórida, motorista filma”.

Mas as publicações omitem que, na realidade, a cena foi produzida com inteligência artificial (IA) — leia mais abaixo. Na seção de comentários de um post deste domingo (dia 1º) no X, usuários questionaram se o registro era verdadeiro, em mensagens como: “Meu Deus, que capivara sacana”; “a Flórida não é real”; “que lindos” ; e “isso é muito fofo!”.

  • O registro parece realista e exibe um tatu com uma capivara sentada em sua carapaça (o dorso do animal). A dupla atravessa tranquilamente uma rua em uma região de mata.
  • Na gravação, que simula uma filmagem feita em um carro, ouve-se uma voz humana que comenta, também em inglês: “O que é isso? É um tatu com uma capivara em cima. Meu Deus, ele está atravessando a rua. Olha ela comendo como se não fosse nada. Eu nunca vi algo assim. Flórida, cara, você nunca sabe o que está vindo do outro lado da rua”.

⚠️ Por que isso é mentira?

O Fato ou Fake submeteu o vídeo ao HiveModeration, ferramenta capaz de detectar o uso de IA em vídeos, áudios e fotos. Resultado: há 99,9 % de probabilidade de ter sido criado com esse recurso.

O Fato ou Fake também mostrou o registro ao veterinário Danilo Kluyber, pesquisador do Programa de Conservação do Tatu-canastra, vinculado ao Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas). Ele apontou que o vídeo apresenta inconsistências comportamentais, biológicas e geográficas em relação a tatus:

  • Tatus não carregam filhotes ou outros animais na carapaça. Esse comportamento é típico de outras espécies, como tamanduás-bandeira e preguiças.
  • Uma capivara pode pesar entre 20 kg e 60 kg, dependendo da idade. Se o tatu estivesse carregando uma, sua postura e pisada seria diferente da usual, por exigir maior esforço muscular. Na cena fake, ele anda nas pontas das unhas, sem dificuldade de locomoção.

O especialista destaca que tatus são animais extremamente fortes, capazes de arrastar grandes pesos. Ainda assim, a cena seria diferente: “Arrastar não é o mesmo que carregar sobre o corpo. Se houvesse um animal do porte de uma capivara sobre o dorso, haveria desequilíbrio evidente, esforço extremo e instabilidade”.

  • Não seria possível um registro como esse na Flórida: na região, não existem capivaras em vida livre, já que a espécia é nativa da América do Sul.
  • Na Flórida, há apenas o tatu-galinha, que é bem menor que uma capivara. No entanto, o roedor que aparece na cena é só um pouco maior do que o tatu.

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