As autoridades iranianas impuseram um bloqueio quase total de internet que já ultrapassa 108 horas, medida adotada desde 8 de janeiro de 2026. O apagão coincide com a escalada de protestos que começaram em 28 de dezembro de 2025, inicialmente motivados pela grave crise econômica, como o colapso do rial e a inflação elevada. Manifestantes se espalharam por todas as 31 provÃncias do paÃs, com gritos contra o lÃder supremo Ali Khamenei e apelos pela mudança de regime.
A organização Netblocks confirmou que o tráfego de internet no Irã caiu para cerca de 1% dos nÃveis normais. Cidadãos relatam dificuldades para se comunicar entre si e com o exterior, o que inclui interrupções em serviços de telefonia móvel e fixa em cidades como Teerã, Mashhad e Isfahan. A restrição impede a circulação rápida de informações sobre os atos e a repressão.
Medida visa conter coordenação de manifestações
O governo justificou o corte como necessário para evitar orientações externas que incentivem o caos. Especialistas em direitos digitais observam que bloqueios semelhantes ocorreram em ondas anteriores de protestos. A ação atual se destaca pela rapidez e abrangência, afetando inclusive conexões fixas em várias regiões.
Manifestantes continuam a se reunir apesar das dificuldades de organização. Relatos indicam que alguns utilizam ferramentas alternativas, como terminais de internet via satélite contrabandeados, para manter contato mÃnimo. A interrupção das comunicações dificulta a verificação independente dos fatos nas ruas.

Escala dos protestos atinge nÃveis inéditos
Os atos ganharam força após chamadas de figuras oposicionistas no exÃlio, incluindo Reza Pahlavi, que incentivou maior mobilização. Comércios fecharam em apoio em diversas cidades, especialmente em áreas curdas e bazares tradicionais. As demandas evoluÃram de questões econômicas para crÃticas diretas ao sistema teocrático vigente desde 1979.
Protestos ocorreram em centenas de localidades, com relatos de grandes concentrações em avenidas importantes de Teerã. Imagens mostram confrontos em Mashhad, no nordeste, onde manifestantes enfrentaram forças de segurança.
Repressão resulta em centenas de mortes
Grupos de direitos humanos registram ao menos centenas de manifestantes mortos desde o inÃcio dos atos, com aumento significativo após o inÃcio do bloqueio. Forças de segurança utilizaram munição real em várias ocasiões, segundo testemunhas e organizações de monitoramento. Centenas de feridos sobrecarregam hospitais em capitais provinciais.
Prisões em massa ocorreram, com milhares detidos em operações pelo paÃs. Autoridades acusam infiltrados estrangeiros de fomentarem os distúrbios.
Impacto econômico se agrava com restrições
O bloqueio afeta diretamente o funcionamento de serviços essenciais e transações comerciais. Empresas enfrentam paralisia parcial, pois dependem de conexões externas para operações diárias. A economia já pressionada por sanções internacionais sofre adicionalmente com a falta de comunicação.
Comerciantes e trabalhadores relatam dificuldades para coordenar atividades básicas. A medida contribui para o isolamento da população e para a limitação do acesso a informações.
Declarações oficiais pedem moderação
O presidente Masud Pezeshkian reiterou apelos por diálogo e moderação nas respostas à s reivindicações populares. Ele reconheceu o direito constitucional a protestos pacÃficos, mas destacou a necessidade de conter ações que ameacem a ordem pública.
O lÃder supremo Ali Khamenei afirmou que as autoridades não recuarão diante do que classificou como tentativas de desestabilização. A resposta oficial mantém o foco na preservação da segurança nacional.
Perspectiva internacional gera tensões adicionais
PaÃses vizinhos cancelaram voos para o Irã devido à instabilidade e ao bloqueio de comunicações. Organizações internacionais expressaram preocupação com o uso da força e a restrição ao acesso à informação.
O apagão nacional permanece em vigor, isolando os iranianos enquanto os protestos persistem em diversas regiões.


