Novo ICMS eleva preços e muda regra dos 70% para etanol ou gasolina em 2026

Motoristas de veículos flex enfrentam decisões mais complexas nos postos de combustíveis neste início de 2026. O reajuste do ICMS, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro, aumentou os valores médios da gasolina e do etanol em todo o país. Além disso, a tradicional regra dos 70%, usada para comparar a vantagem entre os dois combustíveis, perdeu força com a evolução dos motores modernos.

Os preços médios nacionais registraram alta imediata devido à nova alíquota fixa do imposto. A gasolina passou a incorporar R$ 0,10 a mais por litro, enquanto o etanol também sentiu o impacto indireto nas cadeias de distribuição. Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que a paridade média entre etanol e gasolina ficou em torno de 72%, tornando a escolha mais dependente do modelo do veículo.

A dúvida sobre qual combustível abastecer ganhou força especialmente nas regiões produtoras de cana-de-açúcar. Nelas, o etanol costuma ser mais competitivo, mas o aumento geral dos preços exige cálculos individuais. Especialistas recomendam verificar o consumo real de cada carro para evitar perdas financeiras.

Impacto do reajuste do ICMS nos preços

O novo modelo de cobrança do ICMS, agora com alíquota ad rem fixa, elevou o valor da gasolina para R$ 1,57 por litro em âmbito nacional. Essa mudança representa um acréscimo de R$ 0,10 em relação ao valor anterior e reflete diretamente nas bombas dos postos.

O diesel também sofreu ajuste, passando para R$ 1,17 por litro. Embora o foco dos motoristas flex esteja na gasolina e no etanol, o encarecimento do diesel influencia toda a cadeia logística e pode pressionar outros custos indiretos.

Evolução dos motores flex altera paridade

A regra prática dos 70% surgiu há anos como referência aproximada do poder calorífico do etanol em comparação à gasolina. No entanto, motores flex mais recentes, especialmente os turboalimentados, apresentam eficiência maior com o combustível renovável.

Veículos lançados a partir de 2020 frequentemente alcançam paridades de 73% a 75% sem perda significativa de desempenho. Essa melhoria decorre de avanços em injeção eletrônica e calibração específica para etanol.

Fabricantes como Volkswagen, Fiat e Chevrolet já incorporam tecnologias que otimizam o rendimento do etanol. Testes do Inmetro indicam variações consideráveis entre modelos antigos e novos na relação de consumo.

ICMS
ICMS – Foto: rafastockbr/ shutterstock

Preços médios e paridade regional em janeiro

Levantamentos semanais da ANP apontam preço médio nacional da gasolina em torno de R$ 6,22 por litro na primeira semana de 2026. O etanol hidratado registrou média de R$ 4,49, resultando em paridade de aproximadamente 72%.

Em estados como São Paulo e Goiás, tradicionais produtores, o etanol permaneceu mais competitivo. Nesses locais, a relação ficou abaixo de 70% em algumas cidades, favorecendo o combustível vegetal.

  • São Paulo: etanol a R$ 4,20 e gasolina a R$ 6,10 (paridade ~69%)
  • Mato Grosso: etanol a R$ 4,05 e gasolina a R$ 6,30 (paridade ~64%)
  • Rio de Janeiro: etanol a R$ 4,80 e gasolina a R$ 6,40 (paridade ~75%)
  • Região Norte: etanol acima de 80% da gasolina na maioria dos postos

Já em regiões distantes dos centros produtores, a gasolina se mostrou mais vantajosa. A logística de distribuição encarece o etanol nesses locais.

Vantagens técnicas de cada combustível

O etanol oferece maior octanagem, o que beneficia motores com taxa de compressão elevada. Em ultrapassagens ou acelerações, muitos condutores notam resposta mais rápida com o combustível de cana.

Por outro lado, a gasolina garante autonomia superior, reduzindo a frequência de abastecimentos em viagens longas. Sua densidade energética maior permite percorrer mais quilômetros por litro cheio.

Ambos os combustíveis atendem normas de emissões atuais. O etanol destaca-se por ser renovável e reduzir CO₂ no ciclo completo, enquanto a gasolina aditivada protege melhor componentes do motor contra corrosão.

Manutenção preventiva permanece essencial independentemente da escolha. Filtros e velas devem ser trocados nos intervalos recomendados pelo fabricante.

Dicas práticas para cálculo individual

Condutores devem consultar o computador de bordo para obter consumo real em condições habituais de uso. Dividir o preço do etanol pelo da gasolina revela a paridade efetiva do veículo específico.

Aplicativos e sites oficiais disponibilizam tabelas comparativas atualizadas semanalmente. Esses ferramentas consideram dados da ANP e ajudam na decisão imediata no posto.

  • Verifique consumo médio nos últimos tanques cheios
  • Compare preços exibidos nas placas dos postos
  • Considere trajeto predominante (urbano ou rodoviário)
  • Avalie promoções de fidelidade oferecidas pelas redes

Em casos de dúvida, alternar combustíveis permite testar desempenho real. Muitos motoristas adotam estratégia mista para equilibrar custo e conveniência.

Fatores sazonais influenciam escolha

Janeiro tradicionalmente registra maior oferta de etanol devido à safra de cana. Apesar do aumento do ICMS, esse período costuma manter o combustível vegetal competitivo em parte do território nacional.

Viagens de férias elevam demanda por autonomia maior. Nesses cenários, a gasolina ganha preferência entre quem percorre longas distâncias.

Monitoramento semanal dos preços ajuda a identificar melhores momentos para abastecimento. Variações regionais podem alcançar R$ 0,50 por litro entre postos próximos.

Escolha consciente evita desperdício financeiro ao longo do ano. Com planejamento adequado, economia anual pode superar centenas de reais dependendo do quilometragem rodada.