Sanções de Trump atingem DJ venezuelana Rosita por laços com cartel Tren de Aragua e Maduro

Redação
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Sanções de Trump atingem DJ venezuelana Rosita por laços com cartel Tren de Aragua e Maduro

Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 3 de dezembro de 2025, sanções contra Jimena Romina Araya Navarro, conhecida como Rosita, uma DJ, atriz e modelo venezuelana. A medida visa bloquear seus bens e proibir transações nos EUA por acusações de apoio material ao cartel Tren de Aragua, considerado organização terrorista estrangeira. Rosita, com 3,5 milhões de seguidores no Instagram, reside em Caracas e mantém atividades no setor de entretenimento na Venezuela e na Colômbia.

As sanções integram uma rede de cinco indivíduos ligados ao entretenimento que, segundo autoridades americanas, lavaram dinheiro para o cartel. O foco recai sobre conexões com Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua, que escapou de prisão em 2012 com suposta ajuda de Rosita. A ação ocorre em meio a tensões crescentes entre o governo de Donald Trump e o regime de Nicolás Maduro, com ultimatos e operações militares no Caribe.

O Tren de Aragua opera rotas de tráfico de drogas dos EUA, com presença em mais de 10 estados americanos. Autoridades estimam que o grupo movimentou milhões em lucros ilícitos via casas noturnas e eventos. Rosita apresentou shows em locais controlados pelo cartel, incluindo a prisão de Tocorón.

  • Sanções bloqueiam acesso ao sistema financeiro dos EUA.
  • Empresas ligadas, como Eryk Producciones SAS na Colômbia, foram incluídas.
  • Proibição de viagens e transações com cidadãos americanos.

Conexões com Niño Guerrero

Rosita iniciou carreira como atriz em telenovelas da Venevisión, ganhando o apelido em papéis cômicos. Nascida em 1983 em Maracay, estado de Aragua, ela se apresentou em festas na prisão de Tocorón, controlada pelo Tren de Aragua até 2023. Autoridades afirmam que, em 2012, ajudou Guerrero a fugir durante um motim, período de suposto relacionamento entre os dois.

Guerrero, foragido novamente desde setembro de 2023, comanda operações transnacionais. Ele escapou de Tocorón em meio a uma rebelião que libertou centenas de detentos. Rosita negou envolvimento em declarações passadas, mas não comentou as sanções recentes. O caso destaca como figuras do entretenimento facilitam fluxos financeiros para o cartel.

Investigações apontam que Rosita manteve laços com outros líderes do grupo, como Carlos Breaker, morto em 2016 em confronto policial. Esses relacionamentos ocorreram em contextos de festas e eventos noturnos. O Departamento do Tesouro identificou transferências de recursos via apresentações como DJ em Bogotá e Caracas.

Operações de lavagem de dinheiro

A rede de Rosita usava boates para canalizar lucros do tráfico. Eryk Producciones SAS, gerida por seu ex-guarda-costas Eryk Manuel Landaeta Hernández, preso em outubro de 2024 na Colômbia, lavava verbas para Guerrero. O clube Maiquetia VIP Bar, em Caracas, servia como ponto de distribuição de drogas.

Autoridades colombianas confirmaram que o esquema movimentou centenas de milhares de dólares anuais. Landaeta coordenava shows de Rosita, desviando 20% das receitas para o cartel. Global Import Solutions S.A., empresa venezuelana ligada, importava equipamentos de som para ocultar transações.

  • Boate em Bogotá processava cocaína antes de eventos.
  • Lucros iam para Giovanni Vicente Mosquera Serrano, operador sancionado.
  • Esquema operou de 2015 a 2024, segundo relatórios.

O Pentágono monitora essas rotas como parte da operação Lança do Sul, iniciada em setembro de 2025. Ataques a embarcações no Caribe já resultaram em mais de 80 mortes, visando interromper o fluxo de narcóticos.

Maduro -
Maduro – Foto: Instagram

Pressão de Trump sobre Maduro

Donald Trump intensificou ações contra o regime de Maduro desde novembro de 2025. Em ligação de 21 de novembro, Trump deu ultimato de uma semana para saída do presidente venezuelano, rejeitando pedidos de anistia e remoção de sanções para 100 autoridades. Maduro recusou, prometendo lealdade ao povo em discurso de 1º de dezembro.

O governo americano elevou recompensa por Maduro para US$ 50 milhões e deportou membros do Tren de Aragua. Navios de guerra e submarinos nucleares posicionados no Caribe servem de base para strikes. Trump afirmou que operações em terra começarão em breve, visando alvos de narcotráfico.

Maduro respondeu com treinamento militar de civis e carta à ONU pedindo mediação. O líder venezuelano nega ligações com o tráfico, alegando que apenas 5% das drogas colombianas passam pela Venezuela, conforme relatório da ONU de 2025. Tensões incluem fechamento de espaço aéreo anunciado por Trump em 29 de novembro.

Casa Branca planeja contingências para eventual queda de Maduro, incluindo apoio a transição democrática. Analistas veem as sanções a Rosita como sinal de expansão da rede de pressão, atingindo aliados indiretos do regime.

Histórico do Tren de Aragua

O cartel surgiu em 2014 na prisão de Tocorón, expandindo para tráfico internacional. Em 2025, opera em 16 países, com foco em EUA e Colômbia. Inteligência americana estima 10 mil membros ativos, responsáveis por extorsões e homicídios.

Em novembro de 2025, autoridades colombianas prenderam Kenffersso Jhosue Sevilla Arteaga, deputy de Guerrero, por sequestros. O grupo explora migração irregular, facilitada por oficiais venezuelanos, segundo avaliação de inteligência de abril de 2025.

Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, com 302,3 bilhões de barris, conforme Relatório Mundial de Energia de 2025. Críticos ligam o cartel a recursos estatais, mas Maduro nega. Operações como a de Rosita ilustram infiltração em setores legais.

O Departamento de Estado dos EUA deportou 500 membros do Tren de Aragua em voos semanais desde outubro. Esses retornos ocorrem apesar de tensões, com aviões saindo de Caracas regularmente.

Repercussões no entretenimento

Rosita pausou aparições públicas desde as sanções, cancelando shows na Colômbia. Seus 3,5 milhões de seguidores geram debates sobre influência de celebridades em crimes. Apresentações em prisões, comuns até 2023, agora são vistas como vetores de financiamento.

Autoridades mexicanas abriram inquérito paralelo, sancionando figura ligada ao entretenimento. Na Venezuela, o caso expõe vulnerabilidades em casas noturnas, com inspeções aumentadas em Caracas. Rosita tem um filho e reside em bairro de classe média na capital.

O episódio reforça esforços globais contra lavagem via cultura. Relatórios indicam que 15% dos lucros de cartéis sul-americanos passam por eventos musicais. Trump destacou o caso em postagem, chamando o Tren de Aragua de ameaça à segurança americana.

Expansão das sanções americanas

Além de Rosita, o Tesouro bloqueou cinco entidades na Colômbia e Venezuela. Essas incluem importadoras usadas para equipamentos de som, disfarçando envios de drogas. O valor total congelado ultrapassa US$ 2 milhões em ativos identificados.

Em outubro de 2024, prisão de Landaeta revelou documentos de transferências para Guerrero. Autoridades encontraram evidências de 50 eventos financiados pelo cartel. Sanções proíbem vistos para associados, limitando viagens.

Trump reuniu assessores de segurança em 1º de dezembro para discutir Venezuela. O foco inclui deportações e strikes aéreos. Maduro, por sua vez, aumentou presença de guardas cubanos, rotacionando residências por segurança.

O caso de Rosita ilustra estratégia de Trump: mirar redes periféricas para isolar Maduro. Analistas preveem mais designações em janeiro de 2026, visando setor cultural.

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