Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, dirigiu-se diretamente ao público brasileiro em uma transmissão televisiva na quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, em Caracas. Utilizando uma mistura de português e espanhol, conhecida como portunhol, ele pediu que os cidadãos do Brasil saíssem às ruas para defender a paz e a soberania de seu país. O apelo ocorreu durante o programa “Con Maduro de Repente”, exibido pela emissora estatal Telesur, em um momento de escalada nas tensões diplomáticas com os Estados Unidos.
Maduro segurava um boné vermelho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), presenteado como gesto de solidariedade às iniciativas comunitárias socialistas em Caracas. O líder venezuelano enfatizou a unidade entre os povos dos dois países, afirmando que a vitória pertence à resistência coletiva. Essa declaração coincide com ações militares americanas no Pacífico Oriental, onde forças dos EUA atacaram embarcações ligadas ao narcotráfico, intensificando acusações contra o regime de Maduro.
A iniciativa reflete uma estratégia de Maduro para fortalecer laços com movimentos sociais no Brasil, em meio a sanções e pressões externas.
- Principais frases do apelo: “A luta continua, a vitória é nossa. Viva a unidade do povo brasileiro, viva a unidade com o povo venezuelano.”
- Convocação direta: “Povo do Brasil, saiam às ruas para apoiar a Venezuela em sua luta pela paz e soberania.”
- Encerramento: “Digo-lhes toda a verdade: temos o direito à paz com soberania. Viva o Brasil.”
Gesto simbólico com o boné do MST
Maduro recebeu o boné durante a gravação do programa, entregue por um convidado que representava o envio do MST. O movimento brasileiro, conhecido por suas ações de reforma agrária, expressou admiração pelas estruturas comunitárias em bairros de Caracas, como as comunas socialistas.
O presidente venezuelano ergueu o acessório vermelho ao ar, visivelmente grato, e o usou como símbolo de irmandade entre as nações sul-americanas. Esse episódio destaca a proximidade ideológica entre o chavismo e grupos progressistas no Brasil, que historicamente apoiam causas anti-imperialistas.
Tensões com os Estados Unidos no Pacífico
As forças armadas americanas anunciaram, no mesmo dia, um ataque a uma embarcação suspeita de transportar drogas em águas internacionais do Pacífico Oriental. O incidente resultou na morte de quatro homens a bordo, conforme comunicado oficial do Exército dos EUA.
Inteligência norte-americana confirmou que o navio seguia uma rota conhecida de narcotráfico, parte de uma operação mais ampla contra cartéis. Desde setembro de 2025, os EUA realizaram 23 ações semelhantes, eliminando mais de 80 indivíduos envolvidos, segundo dados divulgados pelo Pentágono.
Washington acusa Maduro de facilitar o fluxo de entorpecentes, rotulando-o como líder do suposto Cartel dos Sóis, uma organização terrorista designada pelos americanos. O governo venezuelano rejeita as alegações, classificando-as como pretexto para intervenções.
Estratégia de Maduro para resistir à pressão externa
O apelo de Maduro surge em um contexto de mobilização militar inédita dos EUA na América Latina, sob o comando do presidente Donald Trump. Em novembro de 2025, os dois líderes mantiveram uma conversa telefônica, mas sem avanços concretos na crise.
O empresário brasileiro Joesley Batista viajou a Caracas no mesmo mês, buscando mediar uma saída negociada que incluiria a renúncia de Maduro, mas as discussões não prosperaram. O presidente venezuelano reforçou medidas de segurança em seu entorno e convocou exercícios militares internos para demonstrar prontidão.
Publicamente, Maduro adota um tom conciliador, como ao cantar “Imagine”, de John Lennon, em eventos recentes, mas alerta contra uma “paz de escravos”. Ele posiciona a Venezuela como vítima de interesses econômicos estrangeiros, especialmente nas reservas de petróleo do país, estimadas em 300 bilhões de barris pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Em tom leve, durante um discurso paralelo em inglês, Maduro brincou com seu estilo diplomático, chamando-o de “Madurolingo”, uma fusão de seu nome com “bilingual”. Essa declaração, transmitida internacionalmente, visa humanizar sua imagem global.
Aproximação com movimentos sociais brasileiros
O MST, fundado em 1984, possui mais de 1,5 milhão de famílias associadas e promove assentamentos em terras improdutivas no Brasil, conforme relatórios anuais do movimento. Sua afinidade com o bolivarianismo remonta aos anos 2000, com trocas de experiências em cooperativas e educação popular.
Ao agradecer o boné, Maduro destacou como as comunas de Caracas inspiram ações semelhantes no Brasil, fomentando uma rede de solidariedade sul-sul. Essa menção pode estimular debates internos no Brasil sobre relações exteriores, especialmente com o governo atual priorizando a integração regional via Mercosul.
Analistas observam que o gesto reforça a narrativa de resistência compartilhada, mas enfrenta críticas de opositores venezuelanos, que veem nele uma tentativa de exportar instabilidade.
Declarações sobre defesa armada e paz
Maduro afirmou recentemente que recorrer à luta armada seria apenas “pela paz”, em resposta a rumores de intervenção militar americana. Essa posição equilibra apelos pacifistas com alertas de defesa nacional, mobilizando bases chavistas.
A oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado – vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2025 –, convocou uma marcha para o sábado, 6 de dezembro, em Caracas e diáspora, pedindo liberdade e eleições livres. O evento espera milhares de participantes, segundo organizadores.
Repercussão imediata no cenário internacional
O vídeo do apelo de Maduro circulou rapidamente em redes sociais, gerando debates sobre a influência da Venezuela na América do Sul. No Brasil, reações variam entre apoio de setores esquerdistas e condenações de grupos conservadores, que associam o pedido a interferências externas.
Especialistas em relações internacionais apontam que a estratégia de Maduro busca contrabalançar sanções econômicas, que reduziram as exportações venezuelanas em 40% desde 2019, de acordo com o Banco Mundial. A integração com o Brasil, via acordos energéticos bilaterais, representa uma via para diversificar parcerias.
A situação monitora-se de perto pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que emitiu um comunicado pedindo diálogo regional para evitar escaladas.
Posicionamento de Maduro frente às acusações americanas
O Cartel dos Sóis, segundo autoridades dos EUA, opera dentro das forças armadas venezuelanas, mas Caracas nega sua existência, atribuindo as denúncias a uma campanha de desinformação. Em 2025, os EUA impuseram novas restrições financeiras, congelando ativos de aliados de Maduro estimados em US$ 2 bilhões.
O presidente venezuelano responde com retórica anti-imperialista, invocando a Doutrina Monroe como ferramenta de dominação. Ele planeja uma cúpula de nações não alinhadas na próxima semana, convidando líderes sul-americanos para discutir soberania energética.

