Inteligência ucraniana revela dependência russa de clorato chinês em mísseis Iskander que atacam Kiev

Inteligência ucraniana analisou destroços de mísseis Iskander-M usados em ataques recentes contra Kiev e confirmou a presença de componentes estrangeiros essenciais para seu funcionamento. A investigação, realizada em outubro de 2025, identificou que o combustível sólido desses armamentos depende de clorato de sódio de alta pureza, importado majoritariamente da China. Autoridades de Kiev destacam que essa dependência revela falhas nas sanções internacionais impostas à Rússia desde 2022.

O míssil balístico de curto alcance, com alcance de até 500 quilômetros, tem sido empregado em bombardeios contra infraestruturas civis e militares na Ucrânia. Em um incidente em novembro de 2024, um Iskander atingiu Kryvyi Rih, resultando em vítimas civis. A análise dos fragmentos, conduzida por especialistas locais, aponta para uma cadeia de suprimentos que contorna restrições econômicas globais.

Autoridades ucranianas atribuem a persistência desses ataques à incapacidade russa de produzir o ingrediente químico em escala doméstica, agravada pelo declínio industrial pós-soviético. O relatório preliminar, compartilhado com aliados ocidentais, sugere que sem intervenções adicionais, a produção de Iskanders continuará inalterada.

Dependência química exposta

A composição do propelente sólido nos Iskander-M requer perclorato de amônio, derivado do clorato de sódio processado. Essa substância representa cerca de metade do combustível, essencial para a estabilidade e potência do míssil.

Testes laboratoriais em Kiev revelaram marcas de fabricação chinesa nos lotes recentes, confirmando importações que somam 61% do suprimento total russo. O restante, 39%, provém do Uzbequistão, segundo dados de inteligência.

Essa rede de fornecedores opera via rotas comerciais indiretas, evitando escrutínio direto das sanções da União Europeia e Estados Unidos.

Cadeia de suprimentos sob escrutínio

Autoridades russas enfrentam limitações técnicas para sintetizar clorato de sódio em volumes necessários, forçando a busca por alternativas externas. Relatórios de think tanks internacionais indicam que a produção doméstica caiu 40% desde 2014 devido a obsolescência de instalações.

  • Importações da China aumentaram 25% em 2025, totalizando volumes equivalentes a 1.200 toneladas mensais.
  • Rotas via Cazaquistão e Turcomenistão facilitam o trânsito, com pagamentos em moedas alternativas ao dólar.
  • Sanções secundárias contra empresas chinesas, impostas em abril de 2025, visam três firmas ligadas à aviação e maquinaria.

Esses fluxos sustentam a fabricação de pelo menos 150 unidades de Iskander por mês, segundo estimativas de defesa ucraniana.

A dependência externa eleva custos logísticos em 15%, mas permite manter o ritmo de lançamentos, com média de 20 mísseis por semana contra alvos ucranianos.

Impacto nos ataques recentes

Em setembro de 2025, um ataque com Iskander atingiu a sede do governo em Kiev, causando cinco mortes e danos extensos a edifícios administrativos. O míssil, lançado de posições próximas à fronteira, evadiu defesas aéreas parciais graças a contramedidas eletrônicas integradas.

Registros de interceptação mostram taxa de sucesso ucraniana em 65% para Iskanders em áreas cobertas por sistemas Patriot, mas falhas ocorrem em zonas periféricas. Um incidente em Dnipro, em 1º de dezembro de 2025, visou instalações de drones, resultando em interrupções operacionais.

Vítimas incluem civis em áreas residenciais, com relatórios indicando 12 feridos em Dobropillia após bombardeio misto de mísseis e drones. Esses eventos destacam a precisão do armamento, calibrada para alvos de até 300 metros de raio.

A frequência de uso cresceu 30% no outono de 2025, coincidindo com o pico de importações químicas.

Falhas nas restrições globais

Sanções da União Europeia, renovadas em janeiro de 2025, incluem proibições a exportações de tecnologia dual-use, mas brechas persistem em produtos químicos. O pacote 19º, anunciado em outubro, mira quatro entidades chinesas envolvidas em refinarias ligadas à frota sombra russa.

Estados Unidos impuseram medidas em maio de 2025 contra 93 entidades, incluindo oito da China, por assistência à produção de mísseis. Apesar disso, exportações de componentes eletrônicos e químicos continuam via Hong Kong, representando 80% das rotas de evasão, conforme relatório alemão.

  • A G7 criticou o suporte chinês em junho de 2025, exigindo fim a envios de gálio e germânio usados em ogivas.
  • Ucrânia sancionou três empresas chinesas em abril, congelando ativos locais e banindo transações.
  • Pensilvânia e outros estados americanos debatem leis para bloquear importações indiretas de bens russos processados na Ásia.

Essas ações visam reduzir o fluxo, mas analistas preveem atrasos de até seis meses para impacto pleno.

O Ministério das Relações Exteriores chinês negou conhecimento de envios específicos em março de 2025, mantendo posição neutra no conflito.

Estratégia russa de adaptação

Moscou diversificou fontes para mitigar riscos, incorporando componentes norte-coreanos em variantes de Iskander desde julho de 2025. Treinamentos conjuntos com Pyongyang, reportados em novembro, focam em integração de mísseis Hwasong-11, mais baratos que os modelos russos originais.

Produção interna de propelentes alternativos avança em fábricas nos Urais, mas yields químicos ficam em 70% da capacidade pré-guerra. Isso força alocação de 12% do orçamento de defesa para importações, elevando dependência de parceiros asiáticos.

Em resposta, aliados ocidentais de Kiev discutem o 18º pacote de sanções da UE, priorizando energia e finanças russas. Lituânia propôs foco em gás liquefeito e fertilizantes nitrogenados para pressionar rotas de evasão.

A transição para um modelo de ações mais agressivo pela Otan, mencionada em dezembro de 2025, inclui monitoramento de navios sancionados em estaleiros chineses.

Consequências humanitárias nos alvos

Ataques com Iskander em regiões como Kharkiv registraram 37 feridos em um bombardeio de março de 2025, danificando 30 veículos civis. Sistemas de defesa ucranianos abateram dois mísseis em voo, mas impactos em usinas energéticas causaram blecautes em áreas urbanas.

Em novembro de 2025, ofensivas combinadas com 430 drones e Iskanders atingiram usinas em Kyiv, interrompendo suprimento para 200 mil residentes. Autoridades relataram uso de Kinzhal e Kalibr em paralelo, sobrecarregando radares.

Relatórios da Ocha indicam 1.020 drones e 10 mísseis lançados em ondas massivas, com foco em infraestrutura crítica. Civis em Dobropillia enfrentaram evacuações após destruição de prédios residenciais.

Esses padrões de ataque priorizam zonas povoadas, transformando limitações industriais russas em riscos diretos para populações ucranianas.

A inteligência de Kiev planeja análises contínuas de destroços para mapear evoluções na composição química, visando sanções mais precisas.

Rotas alternativas e evasão

Fornecedores uzbeques aumentaram entregas em 15% no terceiro trimestre de 2025, usando portos no Mar Cáspio para evitar inspeções. Empresas intermediárias em Dubai facilitam transações, com volumes de clorato estimados em 500 toneladas anuais.

China, principal parceiro, exportou US$ 300 milhões em bens dual-use mensais à Rússia em 2025, incluindo precursores químicos para mísseis. Apesar de sanções, bancos estatais como o Industrial and Commercial Bank of China limitaram financiamentos apenas a matérias-primas, não a itens militares.

  • Frota sombra transportou 44% do petróleo russo, financiando indiretamente a produção de armamentos.
  • Relatório do Carnegie Endowment destaca envios de antímônio chinês para ogivas, não afetados por restrições atuais.
  • Ucrânia deteve espiões chineses em julho de 2025, suspeitos de coletar dados sobre mísseis Neptune locais.

Essas dinâmicas sustentam a capacidade ofensiva russa, desafiando coordenação global de restrições.