Pentágono divulga morte de quatro homens em novo ataque a barco de narcotraficantes no Pacífico Oriental

O Pentágono informou nesta quinta-feira que forças militares dos Estados Unidos realizaram um ataque letal contra um barco suspeito de transportar narcóticos ilegais no Pacífico Oriental, resultando na morte de quatro homens a bordo. A operação ocorreu em águas internacionais, sob direção do secretário de Defesa, Pete Hegseth, e foi executada pela Força-Tarefa Conjunta Southern Spear. O incidente acontece em meio a debates no Congresso sobre a legalidade das ações contra supostos traficantes de drogas.

Inteligência americana confirmou que a embarcação seguia por uma rota conhecida de narcotráfico, carregando substâncias ilícitas destinadas aos mercados globais. Vídeo do strike foi divulgado pelo Comando Sul dos EUA, sediado na Flórida, mostrando o momento da explosão que destruiu o barco. Autoridades classificaram os ocupantes como “narco-terroristas” ligados a organizações designadas como terroristas.

Essa é a 22ª operação desse tipo desde setembro, parte de uma campanha contra o tráfico marítimo de drogas oriundas da América do Sul.

Detalhes da operação no Pacífico

A Força-Tarefa Southern Spear identificou o barco por meio de monitoramento aéreo e naval, confirmando sua ligação com rotas de contrabando. O strike ocorreu por volta das 14h no horário local do Pacífico Oriental, usando mísseis de precisão para neutralizar a ameaça imediata.

Quatro homens foram confirmados mortos, sem sobreviventes reportados. O vídeo de 21 segundos, postado em redes sociais, exibe o barco em alta velocidade antes de ser atingido, resultando em chamas e afundamento rápido.

Autoridades enfatizaram que a ação seguiu protocolos de inteligência, com análise prévia de comunicações e padrões de navegação da embarcação.

Contexto da campanha contra o narcotráfico

Desde o início de setembro, os Estados Unidos intensificaram ações contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico Oriental. O presidente Donald Trump determinou o envio de navios de guerra e tropas para a região, visando interromper o fluxo de drogas para o território americano.

  • Até novembro, 21 strikes anteriores resultaram em pelo menos 83 mortes, incluindo incidentes com múltiplos alvos em um só dia.
  • Em outubro, quatro barcos foram atingidos em uma operação única, matando 14 pessoas e deixando um sobrevivente.
  • A maioria das ações ocorreu próximo à costa da Venezuela, atribuída a gangues como o Tren de Aragua, declarada organização terrorista pelos EUA.

Essa escalada reflete uma estratégia de pressão sobre rotas marítimas usadas por cartéis sul-americanos.

Debates no Congresso sobre legalidade

Legisladores de ambos os partidos questionam a base jurídica para os strikes, especialmente após um incidente em setembro onde sobreviventes foram atingidos em um segundo ataque. O almirante Frank Bradley, que comandou a operação inicial, defendeu a ação em audiência no Capitólio nesta quinta-feira, argumentando que os alvos representavam ameaça contínua.

Democratas, como o representante Jim Himes, expressaram preocupação com violações ao direito internacional, citando a Resolução de Poderes de Guerra de 1973, que exige consulta ao Congresso antes de hostilidades. Republicanos, incluindo o senador Tom Cotton, apoiam as medidas, afirmando que elas são necessárias para combater o terrorismo ligado ao narcotráfico.

A Casa Branca e o Pentágono insistem que as operações são legais sob autoridade executiva, sem necessidade de aprovação congressional específica.

O Comitê de Serviços Armados do Senado e da Câmara planejam investigações ampliadas, com foco em evidências de inteligência usadas para justificar os alvos.

Histórico de strikes e números acumulados

A série de ataques começou em 2 de setembro com um strike no Caribe que matou 11 pessoas em um barco venezuelano. Operações subsequentes se espalharam para o Pacífico, com foco em embarcações de alta velocidade equipadas com múltiplos motores. Em 29 de outubro, um strike similar no Pacífico matou quatro, seguido por outro em 4 de novembro com duas mortes.

Até esta quinta-feira, o total de vítimas chega a 87, distribuídas em 22 ações confirmadas. Autoridades reportam interceptação de toneladas de narcóticos, embora detalhes exatos de apreensões permaneçam classificados.

  • Incidentes no Caribe: 11 strikes, 45 mortes aproximadas.
  • Ações no Pacífico Oriental: 11 strikes, 42 mortes, incluindo o mais recente.
  • Sobreviventes conhecidos: Dois em setembro, resgatados após o primeiro strike, mas atingidos em follow-up.

Esses dados são baseados em relatórios oficiais do Comando Sul, que monitora a região com aviões de patrulha e drones.

Posições oficiais e defesas militares

O secretário Hegseth autorizou pessoalmente o strike de quinta-feira, descrevendo-o como essencial para a segurança nacional. Em declaração, o Pentágono destacou que as operações visam desmantelar redes de “narco-terrorismo” que financiam instabilidade regional.

O almirante Bradley, em depoimento congressional, explicou que decisões em campo consideram riscos imediatos, como tentativas de comunicação dos alvos com redes maiores. Críticos apontam falta de transparência em vídeos e relatórios de inteligência divulgados.

Porta-vozes da Casa Branca reiteram que todas as ações cumprem o manual de leis de guerra do Departamento de Defesa, que proíbe ataques a indivíduos fora de combate. No entanto, especialistas em direito internacional questionam a aplicação em contextos não bélicos.

Reações internacionais à escalada

Governos da América Latina, incluindo Venezuela e México, criticaram as operações como violações de soberania em águas internacionais. O presidente Nicolás Maduro acusou os EUA de agressão imperialista, exigindo investigação da ONU.

A Marinha mexicana reportou buscas em áreas próximas a Acapulco após strikes no Pacífico, sugerindo possível sobreposição de rotas com pescadores locais. Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, pedem acesso a evidências para verificar alegações de tráfico.

Diplomatas americanos defendem as ações como cooperação global contra o crime organizado, com compartilhamento de inteligência com aliados regionais.

Operações passadas e lições aprendidas

Em strikes anteriores, como o de 21 de outubro no Pacífico, dois homens foram mortos em uma embarcação ligada a contrabando humano e de drogas. Relatórios indicam que muitos alvos eram capitães experientes, com histórico de prisões por tráfico.

O Pentágono ajustou protocolos após o incidente de setembro, incorporando análises mais rigorosas de sobreviventes via feeds de drone em tempo real. Apesar disso, o ritmo das operações aumentou, com quatro strikes em novembro sozinho.

Essas ações integram uma frota de oito navios de guerra e milhares de tropas na região, sob comando unificado para eficiência.

O monitoramento contínuo de rotas de narcotráfico revela padrões sazonais, com picos no final do ano devido a demandas de mercado.

Impacto na região do Pacífico Oriental

O Pacífico Oriental, que abrange costas de 13 países da América, serve como corredor principal para 70% do cocaína exportada da Colômbia e Peru. Strikes americanos forçaram adaptações nos cartéis, com uso de submarinos artesanais e rotas alternativas.

Autoridades costeiças reportam redução em apreensões terrestres, atribuída à interrupção marítima. No entanto, pescadores locais enfrentam riscos colaterais, com relatos de embarcações civis confundidas em identificações iniciais.

Estratégias de longo prazo incluem treinamento de marinhas aliadas para patrulhas conjuntas, visando sustentabilidade além de ações unilaterais.