Kirk Burrowes, cofundador da Bad Boy Entertainment, apresenta pela primeira vez anotações manuscritas feitas durante os anos 1990 no documentário “Sean Combs: The Reckoning”, disponível na Netflix desde 2 de dezembro de 2025. Os diários registram detalhes da gestão financeira da gravadora e episódios que envolvem Sean Combs, conhecido como Diddy, na época da rivalidade entre costas leste e oeste do hip-hop.
As anotações mostram pedidos incomuns de aluguel de carros dias antes da luta de Mike Tyson em Las Vegas, em setembro de 1996, quando Tupac Shakur foi assassinado. Burrowes também relata que Combs demonstrava inveja da amizade entre Tupac e The Notorious B.I.G., artista principal da Bad Boy.
O material foi digitalizado a partir de cerca de 30 caixas guardadas em depósito e integra depoimentos de ex-seguranças, investigadores e familiares das vítimas.
Diários revelam rotina na Bad Boy
Burrowes mantinha registro diário de todas as movimentações financeiras e pessoais da gravadora. Ele administrava orçamentos, contratos e deslocamentos da equipe.
As anotações de agosto e setembro de 1996 detalham o aluguel de veículos para viagem de Nova York a Las Vegas, mesmo com a distância elevada. O pedido partiu diretamente de Combs, segundo os documentos exibidos.
Inveja teria alimentado rivalidade
Burrowes afirma que Sean Combs sentia inveja da relação natural entre Biggie e Tupac. Para ele, o sucesso sem manipulação incomodava o empresário.
A amizade entre os dois rappers se deteriorou com a guerra pública entre Bad Boy e Death Row Records. Tupac assinou com a gravadora rival de Suge Knight em 1995.
A tensão culminou nos assassinatos de Tupac, em 13 de setembro de 1996, e de Biggie, em 9 de março de 1997. Nenhum dos casos teve condenação até 2023.

Depoimento de Keffe D reforça suspeitas
Duane “Keffe D” Davis, indiciado em 2023 pelo assassinato de Tupac, declarou em gravação policial exibida no documentário que Combs ofereceu US$ 1 milhão pela morte de Tupac e Suge Knight.
A oferta teria ocorrido em festa com membros dos Crips, um ano antes do crime. Keffe D se declarou inocente e alega coação na delação.
O ex-detetive Greg Kading, que investigou os casos, afirma que Combs e Keffe D são os últimos envolvidos ainda vivos. O julgamento de Keffe D está marcado para 2026.
Saída traumática da gravadora
Burrowes se recusou a alterar páginas do contrato renegociado de Biggie pouco antes da morte do rapper. Noventa dias depois, foi demitido.
Em 2003, ele processou Combs, mas o caso foi arquivado. Novo processo civil foi aberto em 2025 e segue pendente.
Após a demissão, Burrowes enfrentou dificuldades profissionais e financeiras por anos. Hoje atua na Pop Life Entertainment com projetos de TV e cinema.
Anotações sobre arma e viagem
Uma das páginas dos diários registra despesas com aluguel de carros dias antes da luta de Tyson. Eric Von “Zip” Martin, apontado como tio de Combs, foi preso logo depois com arma escondida no veículo.
O ex-detetive Kading relaciona o armamento ao contexto dos assassinatos. Combs sempre negou qualquer envolvimento nos crimes.
Burrowes afirma que as anotações serviam para organizar a rotina intensa da gravadora. O material nunca havia sido divulgado publicamente até o documentário.
Legado dos assassinatos no hip-hop
Os homicídios de Tupac e Biggie permanecem sem solução completa. A prisão de Keffe D em 2023 reabriu investigações.
A rivalidade entre costas leste e oeste marcou o gênero nos anos 1990. Artistas da Bad Boy e da Death Row trocaram provocações públicas constantes.
O documentário reúne depoimentos de ex-seguranças, investigadores e artistas da época. As anotações de Burrowes são apresentadas como prova inédita do período.


