Príncipe Andrew não receberá indenização de seis dígitos ao deixar Royal Lodge, diz Crown Estate

Andrew Mountbatten-Windsor, antes conhecido como príncipe Andrew, duque de York, não receberá indenização pela saída antecipada da Royal Lodge, mansão de 30 quartos localizada no Windsor Great Park, a oeste de Londres. A decisão foi comunicada pela Crown Estate nesta terça-feira, 2 de dezembro de 2025, durante audiência no Comitê de Contas Públicas do Parlamento britânico. O motivo principal é o estado de deterioração do imóvel.

A administração da propriedade real informou que uma avaliação preliminar apontou desgastes significativos. Com isso, qualquer compensação prevista no contrato de arrendamento será anulada pelas obras de reparo necessárias.

O contrato de 75 anos, assinado em 2003 com a rainha Elizabeth II, obrigava Andrew a arcar com manutenção e reformas. A saída agora ocorre por determinação do rei Charles III.

Avaliação técnica do imóvel

Técnicos da Crown Estate realizaram vistoria recente na Royal Lodge. O relatório indicou necessidade de intervenções estruturais e de conservação em várias áreas da mansão.

Caso o imóvel estivesse em perfeitas condições, Andrew teria direito a £488.342,21 (cerca de R$ 4 milhões) pela entrega antecipada do contrato, que iria até 2078.

A coroa destacou que a responsabilidade pelas “dilapidações” recai sobre o arrendatário desde a assinatura do acordo.

Histórico do arrendamento

Andrew pagou £1 milhão em 2003 para obter o direito de ocupação da propriedade. O valor cobriu a cessão do contrato de longo prazo, mas não incluía custos futuros de manutenção.

A Royal Lodge possui 40 hectares, piscina, aviário, seis casas menores e alojamentos para segurança. O duque de York reside no local desde a assinatura do contrato.

A rainha Elizabeth II concedeu o benefício ao terceiro filho como residência oficial após reforma custeada pelo próprio Andrew na época.

príncipe Andrew
príncipe Andrew – Foto: Sean Aidan Calderbank / Shutterstock.com

Decisão do rei Charles III

Charles III determinou a saída do irmão da Royal Lodge em outubro de 2025. A medida acompanhou a retirada formal do título de “príncipe” e de tratamento de Alteza Real.

A mudança ocorre após anos de controvérsias envolvendo a amizade de Andrew com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. O duque perdeu patronatos e funções militares em 2022.

A coroa busca reduzir custos com residências reais não essenciais para membros sem funções oficiais.

Nova residência em Sandringham

Andrew se mudará para propriedade no complexo de Sandringham, no condado de Norfolk, a cerca de 180 km de Londres. O imóvel pertence privadamente à família real.

A mudança está prevista para após as festas de fim de ano. Os custos da nova casa serão cobertos diretamente por Charles III. A residência em Sandringham é consideravelmente menor que a Royal Lodge, adequando-se ao novo status do duque.

Investigação parlamentar anunciada

O Comitê de Contas Públicas confirmou a abertura de inquérito sobre o arrendamento da Royal Lodge. O foco será a relação custo-benefício do contrato para o erário público.

Parlamentares questionam se o acordo de 2003 ofereceu condições favoráveis demais ao duque. A audiência pode exigir apresentação de documentos adicionais documentos.

A Crown Estate afirmou que colaborará plenamente com a investigação.

Detalhes do contrato original

  • Arrendamento de 75 anos iniciado em 2003
  • Valor pago na época: £1 milhão
  • Responsabilidade total de manutenção com o arrendatário
  • Data original de término: 15 de junho de 2078
  • Compensação prevista apenas em caso de imóvel sem reparos pendentes

A saída antecipada encerra um dos últimos privilégios residenciais mantidos por Andrew após retirada de funções públicas.