Expansão para 48 seleções na Copa do Mundo 2026 inclui Curaçao e Haiti, mas exclui Itália e Dinamarca em polêmica

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) confirmou a classificação de 42 seleções para a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, México e Canadá de 11 de junho a 19 de julho. O aumento de 32 para 48 participantes, anunciado em 2017, visa maior inclusão global, mas já provoca debates sobre qualidade técnica. Países como Curaçao, Haiti e Cabo Verde garantiram vagas inéditas ou raras, enquanto potências europeias como Itália e Dinamarca dependem de repescagens.

Essa mudança eleva o número de jogos de 64 para 104, com 12 grupos de quatro times cada. As duas melhores equipes de cada grupo e os oito melhores terceiros avançam ao mata-mata, iniciando com 32 seleções. A decisão ocorre em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

  • Curaçao: Estreante com 160 mil habitantes, classificou-se com empate em 0 a 0 contra Jamaica.
  • Haiti: Retorna após 52 anos, com vitória de 2 a 0 sobre Nicarágua, apesar de instabilidade interna.
  • Cabo Verde: Primeira participação, ao liderar grupo africano com 3 a 0 sobre Eswatini.

O formato ampliado distribui vagas assim: Europa (16), África (9), Ásia (8), América do Sul (6), Concacaf (6) e Oceania (1), mais duas de repescagem intercontinental.

Copa do Mundo da FIFA 2026
Copa do Mundo da FIFA 2026 – Foto: PhotoGranary02 / Shutterstock.com

Formato ampliado impulsiona receitas da Fifa

A expansão segue proposta de Gianni Infantino, presidente da Fifa, para tornar o torneio mais acessível. No Mundial do Catar, em 2022, a entidade arrecadou 40 bilhões de dólares; projeções para 2026 apontam 60 bilhões, via direitos de transmissão e patrocínios.

Essa receita financia programas de desenvolvimento em federações menores, como instalação de campos em Curaçao e Cabo Verde. A Fifa destinou verbas extras a 211 membros filiados, priorizando nações com rankings abaixo do 50º lugar.

Infantino destacou que a inclusão beneficia o esporte global, permitindo que 80% das confederações tenham mais representantes. No entanto, o calendário de 39 dias exige logística complexa, com jogos em 16 cidades.

Desafios logísticos em três países-sede

Estados Unidos, México e Canadá dividem 16 estádios, com 11 nos EUA. O Estádio Azteca, no México, abre o torneio em 11 de junho, horário local de 8h. A final, em 19 de julho, ocorre às 15h locais em Nova Jersey.

Times como Haiti enfrentam restrições: jogadores recebem isenções migratórias nos EUA, mas torcedores podem barrados por políticas de visto. Jogos do Haiti ocorrem em ilhas caribenhas vizinhas devido a conflitos internos.

A Fifa ajustou fusos horários para transmissão global, com partidas de 8h a 20h locais. Isso afeta seleções asiáticas, como Japão e Coreia do Sul, já classificadas.

Clima varia: verão nos EUA traz temperaturas acima de 30°C em cidades como Miami, enquanto Vancouver, no Canadá, tem 20°C. A entidade planeja rodízio de elencos para evitar fadiga.

Críticas de treinadores ao desequilíbrio

Treinadores europeus questionam o formato. Carlo Ancelotti, da Itália, disse que a discrepância entre confederações decepciona, com apenas 30% de avanço na Uefa contra 100% na Oceania. Emiliano Martínez, goleiro argentino, rebateu, citando gramados imperfeitos na América do Sul.

A Alemanha, via Joachim Löw, alertou para diluição do valor do torneio, com jogadores no limite físico. Na Ásia, Sheikh Salman, da confederação local, opôs-se a expansões futuras, temendo 132 seleções.

Itália (12º no ranking Fifa), Dinamarca (22º) e Turquia (25º) disputam repescagem europeia em março de 2026, com minitorneio de 16 times por quatro vagas. Bolívia, Iraque e Suriname vão à repescagem intercontinental.

Celebrações marcam classificações improváveis

Nas ruas de Willemstad, capital de Curaçao, torcedores invadiram praças após o empate com Jamaica, em 18 de novembro, às 20h locais. A ilha de 444 km², menor que São Paulo, superou Cabo Verde como nação de menor área no Mundial.

Em Porto Príncipe, Haiti, comemorações ocorreram em ilhas caribenhas, já que jogos foram fora por segurança. A vitória de 2 a 0 sobre Nicarágua, em 18 de novembro, às 19h locais, trouxe lágrimas aos jogadores, retornando desde 1974.

Cabo Verde controlou euforia no Estádio Nacional da Praia, em 13 de outubro, às 16h locais, com campanha “Ka Nu Invadi Campo” em crioulo. O 3 a 0 sobre Eswatini evitou punições da Fifa.

Investimentos da Fifa em nações emergentes

A Fifa alocou 100 milhões de dólares para infraestrutura em seleções como Curaçao (82º no ranking) e Haiti (84º). Isso inclui escolas de base e centros de treinamento, financiados por receitas extras do torneio.

Em Cabo Verde (68º), verbas construíram dois campos sintéticos desde 2023. O técnico brasileiro Sylvinho, da Albânia, elogiou o apoio: “Jogamos com alma, mas estrutura ajuda”.

Panamá, classificada com 3 a 0 sobre El Salvador em 18 de novembro, às 18h locais, usa fundos para academias juvenis. Essas iniciativas visam elevar rankings até 2026.

O programa beneficia 50 nações sub-100, com foco em Ásia e África. A Fifa monitora uso via auditorias anuais.

Sorteio e preparativos finais

O sorteio dos grupos ocorre em 5 de dezembro de 2025, às 14h de Brasília, no Miami Beach Convention Center. Potentes como Brasil e Argentina vão a potes altos, enquanto Curaçao e Haiti, a baixos.

Seleções preparam testes: Haiti joga amistosos no Caribe em dezembro. Curaçao viaja à Europa para confrontos com Países Baixos.

Repescagens definem as últimas vagas em março de 2026, em sedes norte-americanas. A Fifa testa logística com eventos-teste em fevereiro.

A edição marca inclusão, mas exige adaptações para equilíbrio.